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Manaus
ZONA NORTE

Construção de muro provoca polêmica entre moradores de bairros da Zona Norte

Moradores dos bairros Galileia 2 e Villa da Barra entraram em conflito por conta de muro que deve separar os conjuntos 06/10/2017 às 10:39
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(Foto: Gilson Mello)
Kelly Melo Manaus (AM)

A proposta de construção de um muro entre os conjuntos Villa da Barra e Galileia 2, no Monte das Oliveiras, na Zona Norte, está causando um impasse entre os moradores. De um lado, os moradores do Villa da Barra defendem que o fechamento do residencial vai minimizar as ocorrências de violência no local, mas de outro, quem mora no Galileia 2 reclama que o fechamento da passagem vai atrapalhar as pessoas de se locomoverem e acessarem a avenida Samaúma para chegar às paradas de ônibus, escolas e até mesmo ao pronto socorro.

O problema acontece na intercessão das ruas 30 (do Galileia) e da rua J (do Villa da Barra), onde também existe uma área de proteção permanente (APP). De acordo com a diretora social da Associação de Moradores do residencial Villa da Barra, Laura Santos, há um ano o conjunto organizou a entidade e desde então vem buscando a autorização dos órgãos públicos para conseguir o fechamento.

“Existe o decreto municipal 3.074, de 2015, que autoriza esse tipo de construção. Fizemos o projeto, juntamos os documentos, tivemos a anuência de várias secretarias como Semmas, SMTU, e Manaustrans, e a aprovação do próprio Implurb. Também sugerimos deixar um espaço para essas pessoas continuarem passando, mas eles não aceitam”, explicou ela.

Os moradores do conjunto Villa da Barra afirmam que concordam com a medida porque muitos assaltos já aconteceram na região, devido alguns criminosos chegarem ao residencial pelo caminho de acesso da rua 30 à rua J. “O último assalto foi na quarta-feira, a uma família aqui na rua J. Eles ficaram com tanto medo, que hoje (ontem) mesmo se mudaram daqui”, relatou uma moradora, que preferiu não ser identificada.

Já do lado do Galiléia 2, a reivindicação contra a construção do muro se baseia no fato de que o bloqueio da passagem vai dificultar o acesso à avenida principal aos moradores. “Muitas pessoas utilizam esse caminho para chegar na parada de ônibus mais próxima, ou no SPA. Tem muitas crianças que estudam lá pra cima e fica mais perto passar por aqui também. Essa passagem sempre existiu e o que defendemos é que o nosso direito de ir e vir seja mantido”, relatou a assistente social Fabiana Soares, 36. A dona de casa Cinthia Crisóstomo, 45, também afirmou que é contra a construção do muro. “Isso virou implicância. Todos nós temos direito de passar de lá para cá ou daqui para lá”, justificou.

Segundo Laura Santos, a proposta de colocar uma guarita na passagem, para ter o controle da entrada e saída de pessoas, também não foi aceita pelos moradores do conjunto vizinho. “A gente precisa chegar a um comum acordo. O que não pode é uma maioria de moradores ficar prejudicada por causa disso”, afirmou.

Defensoria vai intermediar reunião

O impasse entre os moradores chamou a atenção da Defensoria Pública Especializada de Atendimento de Interesses Coletivos, que ontem realizou uma reunião com os moradores dos dois conjuntos. De acordo com o defensor público Carlos Alberto Almeida Filho, a situação é delicada mas pode haver diálogo entre as partes. “marcamos uma nova reunião para segunda-feira, apenas como os líderes comunitários, e vamos tentar mediar essa situação e evitar uma ação judicial”, explicou o defensor.

A nova reunião será realizada na sede da Defensoria Especializada, no Centro, às 14h. Os líderes comunitários das duas comunidades confirmaram participação.

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