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Manaus
ÁREAS AFETADAS

Com obras só após decreto, pontes chegam tarde a áreas afetadas pela cheia

Apesar de ser um fenômeno natural que ocorre todos os anos, a prefeitura compra madeira sempre sem licitação, e apenas após a decretação de 'situação de emergência' 09/05/2017 às 05:00 - Atualizado em 09/05/2017 às 09:42
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Em alguns bairros a construção de pontes ainda está no início do processo. Foto: Euzivaldo Queiroz
Álik Menezes Manaus

Pontes de madeira estão sendo construídas em alguns bairros afetados pela cheia do Rio Negro, em Manaus. Apesar de ser um fenômeno natural que ocorre todos os anos, a prefeitura compra madeira sempre sem licitação, e apenas após a decretação de “situação de emergência”.

As pontes estão sendo construídas em bairros como o São Jorge e Educandos, nas zonas Oeste e Sul, em áreas que ficam às margens do rio Negro. O problema, apontam moradores, é que as obras geralmente iniciam quando o nível da água já está no limite e muitas vezes, já invadiu ruas e casas, ilhando moradores.

O cenário é comum em várias ruas de bairros das zonas Sul e Oeste, onde a cheia já chegou. A dona de casa Maria Etelvina, 46, que mora na rua Humberto Campos, localizada no bairro São Jorge, passou quase uma semana tendo que atravessar um lago para chegar até a casa onde mora há mais de 10 anos.

Segundo ela, há quase um mês a cheia começou a dar sinais de que isolaria a casa dela, mas apenas há uma semana técnicos da Defesa Civil do Município foram até a rua  e constataram que uma passarela precisava ser construída. As obras só iniciaram na quarta-feira. “Eles geralmente só iniciam quando muitas pessoas estão sendo prejudicadas. Estava tendo que entrar na água para chegar até a escada da minha casa, correndo risco de alguma contaminação nessa água suja”, disse.

Falta planejamento
Para o defensor público Carlos Almeida Filho, falta planejamento aos órgãos públicos e, consequentemente,  pagam mais caro para adquirir madeira, possivelmente prejudicando o orçamento que poderia ser usado em outras áreas, se existisse um plano de trabalho. “Precisa trabalhar com planejamento permanente porque, caso contrário, quem perde é a população, com a compra mais cara”, disse.

Carlos Almeida disse é necessário trabalhar com políticas públicas permanentes. Contudo, a prefeitura de Manaus, como outros órgãos públicos, atuam apenas de forma assistencialista emergencial, critica ele. “É preciso ter recursos, um orçamento para atuar nessas áreas de forma permanente e não de forma paleativa. Todos sabemos que haverá a cheia dos rios todo ano, então eles deveriam ter políticas públicas para essa questão. Essas pessoas só moram nessas áreas porque não têm condições de comprar casas em outros locais. São necessárias ações efetivas para retirar essas pessoas daquelas áreas definitivamente”, disse.

Procedimento atende legislação
A Defesa Civil do Município informou que a compra da madeira sem licitação acontece somente após a decretação da situação de emergência, seguindo as diretrizes do Sistema Nacional da Defesa Civil. “A área deve estar afetada com prejuízos humanos, ambientais e econômicos”, explicou, por nota.  Segundo o órgão, as ações começaram em janeiro, com monitoramento e levantamentos, mas a construção de pontes só pode começar após o primeiro alerta de cheia, no fim de março.

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