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Manaus
FEIRAS FANTASMAS

Construídas para receber grande público, feiras cobertas de Manaus estão sem clientes

Apesar da grandeza dos espaços, boa estrutura e ventilação, comerciantes lamentam localizações das feiras fora dos bairros, sem atrair clientela 02/07/2018 às 04:10
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Feira do Coroado tem mais boxes fechados que funcionando. (Foto: Junio Matos/Freelancer)
Álik Menezes Manaus (AM)

Projetadas para receber grande público, as feiras cobertas dos bairros Santo Antônio, Coroado e Nova Cidade não tem fluxo de clientes e permissionários sofrem com a falta de ações da Prefeitura de Manaus. Na tentativa atrair a clientela, os próprios comerciantes realizam ações pontuais, que não são suficientes. 

Segundo os comerciantes, há tempos os clientes sumiram das feiras visitadas pela reportagem de A CRÍTICA. Fora a precariedade da estrutura de algumas dessas estruturas e a omissão do poder público, outros fatores dificultam que essas feiras tenham grande público ao longo dos dias. A feirante Olgarina Pereira Pinheiro, de 67 anos, que trabalha na Feira Coberta do Coroado, localizada na alameda Cosme Ferreira, na Zona Leste, há 22 anos, a feira foi construída em local inadequado. 

“Antes, logo no início, a feira era dentro do bairro, mas teve diversos episódios e fomos expulsos de dentro do bairro. O prefeito da época mandou construir essa aqui, grande e arejada, mas foi construída fora do bairro. Nossos clientes estão lá dentro e eles não vão sair da comodidade. Agora, o movimento é esse aqui: nenhum. Nós éramos 283 permissionários, agora, dos antigos, só tem cinco, a maioria desistiu porque aqui não consegue se sustentar”, lamentou. Olgarina defende que a prefeitura deveria desenvolver projetos e ações para incentivar a população de ir às feiras. 

Na Feira Coberta do Santo Antônio, em frente à Câmara Municipal de Manaus (CMM), na Zona Oeste, os feirantes também sofrem com ausência de clientes e relembram da época que conseguiam sustentar a família e fazer investimentos com o lucro das vendas. A situação piorou, segundo os permissionários, quando instalaram contêineres na lateral da feira, o que deixou os feirantes ainda mais escondidos. 

“A gente veio ali do antigo Vivaldo Lima. Lá sim a gente conseguia vender bem. Trouxeram a gente para cá, temos um bom espaço, que precisa de reforma, mas é um bom local. Mas é fechado demais, as bancas precisavam ficar na frente feira. Os caras passam lá fora e não entram aqui, nós estamos escondidos aqui dentro”, lamentou o feirante Gemilton Oliveira Souza, de 46, que trabalha na feira há 26 anos. 

“Feira Fantasma”. É assim que a permissionária Nailê Ferreira Aroucha, de 42 anos, apelida a Feira Livre do bairro Nova Cidade, na Zona Norte. Segundo ela, nos primeiros anos, o local era bem frequentado, mas com a inauguração de supermercados o movimento despencou. “Nós já tentamos vários coisas, a gente paga um carro de som para divulgar a feira dentro do conjunto e conseguimos até um caixa eletrônico, mas não adiantou de nada. Tem dias que o movimento é bom, mas na maioria é horrível. Esperamos alguma iniciativa da prefeitura, estamos esquecidos aqui”, disse Nailê. Ela também critica o local onde a feira foi erguida. “Estamos fora do conjunto, essa feira tinha que ser construída dentro do conjunto”, afirmou.

Localização é o segredo do sucesso

 Por outro lado, comerciantes e feirantes das feiras Modelo da Compensa, Coberta do Alvorada e Manaus Moderna não sofrem com a falta de clientes, apesar da estrutura carente de reforma.

Maria dos Santos, de 35 anos, disse que o fluxo de clientes é grande devido à localização da feira, que fica em uma das ruas principais e mais movimentadas do Alvorada. “Nós temos muitos clientes e clientes fiéis, mas a estrutura aqui não é tão boa. Precisamos de reforma, mas mesmo assim estamos arrecadando dinheiro para colocar azulejo e até climatizar essa primeira parte da feira”, disse. 

Há mais de 20 anos trabalhando na Feira Modelo da Compensa, a comerciante Valdiceia Maciel, de 55 anos, nunca sofreu com a falta de clientes. A localização privilegiada contribui com o grande movimento de cliente. “A feira é assim como você está vendo. Precisa de uma boa reforma, mas os clientes gostam de vir aqui. É bem localizada, arejada, grande e atrativa”, disse.

Revitalização em tramitação

Sobre a situação dos locais visitados pela reportagem, a Subsecretaria Municipal de Abastecimento, Feiras e Mercados (Subsempab) informou em nota que “está trabalhando em um projeto de revitalização das feiras de Manaus”. O processo ainda está em tramitação.

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