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Manaus
Transporte Coletivo

Contrato entre banco que financiou a compra de ônibus e Prefeitura pode ser quebrado

Em uma carta endereçada à Prefeitura de Manaus, o banco sueco EKN lamenta e diz que não viu nenhuma melhoria 'para que as empresas tenham capacidade de pagar o débito' 02/04/2016 às 10:40 - Atualizado em 02/04/2016 às 12:12
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Empréstimo feito pelas empresas no banco sueco teve aval informou da gestão do ex-prefeito Amazonino Mendes (Foto: Arquivo/AC)
Luana Carvalho Manaus (AM)

O contrato das empresas Global GNZ e Integração Transportes com o banco sueco EKN, que financiou, em 2011, a compra de veículos que serão usados no sistema Bus Rapid Transit (BRT), pode ser quebrado pelo não cumprimento “das condições do empréstimo”. Em uma carta endereçada à Prefeitura de Manaus, o banco lamenta  e diz que não viu nenhuma melhoria “para que as empresas tenham capacidade de pagar o débito”.

A carta em atenção ao prefeito Arthur  Neto (PSDB) é do  dia 18 de fevereiro deste ano e explica que o banco alertou inúmeras vezes sobre o problema. “Lamentamos informar que apesar de numerosos  pedidos para remediar a situação, os operadores do BRT em Manaus, com empréstimos garantidos pelo EKN, ainda não cumprem integralmente as condições dos seus contratos”.

O texto afirma, ainda, que durante uma reunião entre o banco e o prefeito, em julho de 2015, a urgência da situação foi informada. No entanto, o banco alega não ter visto qualquer tipo de melhorias que  possibilitem as empresas de pagar o empréstimo. O EKN finaliza dizendo que é “lamentável ter chegado a este ponto” , que tem sido muito paciente e tentou dar muitas oportunidades para remediar a quebra de contrato com as empresas.

As empresas venceram a licitação de transporte coletivo em 2011 e precisaram de linhas de crédito para comprarem novos ônibus, que era uma das exigências da licitação. Na ocasião, a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) informou que a frota de articulados garantiria o funcionamento do sistema Bus Rapid Transit (BRT). No site da SMTU, consta que a frota atual da Global GNZ Transporte é de 315 ônibus. Enquanto a Integração Transportes possui uma fruta de 199 ônibus.

‘Providências’

O gestor da Global GNZ Transportes, Wanderley Mendonça, informou que o banco está cobrando a prefeitura por não ter tomado as providências combinadas. “Eles se reuniram com o prefeito, inclusive teve a presença do embaixador da Suécia, e o prefeito se comprometeu que faria melhorias estruturais e comerciais, como a concessão de reajuste de tarifa”.

Ainda segundo o empresário, a dívida existe e ficou quase “impagável” por conta da alta do dólar. No entanto, ele afirmou que a Global está “pagando os juros do financiamento religiosamente em dia”. “Fomos a EKN no dia 14 de julho e fizemos uma proposta de repactuação da dívida e o banco está analisando”. O valor do contrato foi questionado, mas ele preferiu não comentar. A equipe de A CRÍTICA tentou contato com a empresa Integração Transportes, também citada na carta, tanto por telefone, quanto por e-mail, mas não recebeu resposta.

Carvalho evita fazer comentários

O titular da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) Pedro Carvalho,  preferiu não comentar sobre a carta ao ser questionado se a possível quebra de contrato afetaria o serviço de transporte público na capital. Segundo o órgão,  o contrato não tem influência sob a proposta do BRT, pois o serviço  ainda não opera na capital. “Essa questão da quebra de contrato é uma suposição e eu não tenho uma afirmação do que vai acontecer. É, no mínimo, estranho”, disse.

A equipe de reportagem também solicitou um posicionamento da Prefeitura de Manaus, que encaminhou a demanda à SMTU. Questionou-se quantos ônibus dos que foram comprados em 2011 por meio do financiamento continuam circulando e o valor do contrato, mas não houve resposta até o fechamento desta edição.

A carta endereçada ao prefeito Arthur Neto, escrita em inglês, está assinada por Liliana Rizopulos e David Lindberg, ambos do banco sueco EKN, com cópia para o embaixador da Suécia Per-Arne Hjelmborn e ao banco HSBC, de Londres. 

Blog: Waldemir José, vereador (PT)

Esta situação pode ser um interesse para que se faça o aumento da tarifa ônibus. Na cabeça dos empresários, todo ano tem que ter um aumento. Efetivamente se os empresários fizeram um contrato nestes termos, com base no dólar, eu penso que ou é falta de responsabilidade ou é não conhecer a história do País, porque isso já se repetiu outras vezes na história. Na hipótese de que essa forma de fazer levaria em consideração ter que aumentar a tarifa anual, é no mínimo absurdo, ninguém pode ficar aumentando a tarifa para efetivamente pagar o transporte. O transporte é de responsabilidade da empresa, você paga como se fosse um aluguel desse serviço. No meu entendimento isso é uma pressão para querer justificar um aumento da tarifa nesse momento”.

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