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Manaus
ZONA CENTRO-SUL

Controversa, obra da Bola do Mindu está virando ruínas no bairro Parque 10

Manutenção da rotatória inaugurada há cinco anos é feita apenas no jardim, e pela boa vontade de empresários. Chafariz não funciona e a "piscina" só tem lodo e poças de água parada 30/04/2018 às 03:26
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Foto: Winnetou Almeida
Nelson Brilhante Manaus (AM)

Uma das obras mais polêmicas dos últimos anos, a Bola do Mindu só não está totalmente abandonada graças à manutenção feita por uma empresa de material de construção. Mesmo assim, a rotatória localizada no bairro Parque 10 apresenta sinais de abandono e risco de proliferação de insetos transmissores de doenças.

Até 2012 o local era ocupado por pequenos estabelecimentos comerciais. O projeto da prefeitura  era transformar a área num um espaço turístico, tendo como principal atração um monumento que pudesse refletir a imagem de um arco-íris.

Entretanto, o projeto se perdeu na execução e o que seria para atrair admiração acabou provocando gozação. Motivo: aqueles que não têm conhecimento do ocorrido continuam sem entender a razão de um grande tubo de aço se sobrepondo a uma piscina cheia de chafarizes.

A piscina artificial onde fica o complexo de chafarizes (que já não funcionam) hoje só tem água das chuvas e muito lodo, um cenário perfeito para a proliferação de insetos.

Procurada, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) informou que a prefeitura fez um acordo com os comerciantes e empresários do bairro da Zona Centro-Sul,  que ficaram responsáveis pela manutenção e limpeza da rotatória, com apoio do poder público. Na prática, a manutenção é feita, mas somente ao redor da piscina, onde fica o jardim.

Água cortada

Consultado sobre o assunto, Cristian Passos, 33, gerente operacional de uma rede de lojas de material de construção que fica no entorno da rotatória, a Constrói, disse não saber de nenhuma parceria formalizada para a manutenção.

Segundo ele, a decisão da empresa em manter a praça limpa era para não tirar a visibilidade dos condutores de veículos e, automaticamente, ofuscar a fachada das lojas. “A praça ficou uns seis meses sem manutenção. O mato cresceu e a água da piscina virou lodo. Foi quando a gente se propôs a ajudar”, concluiu Cristian Passos.

“Além do jardim, a gente cuidava da piscina e dos chafarizes, mas o pessoal do Implurb (Instituto Municipal de Planejamento Urbano) veio aqui e proibiu”, revelou o gerente.

A reportagem do Portal A Crítica consultou a assessoria de comunicação do Implurb sobre a afirmação do gerente, mas até o fechamento desta edição não obteve resposta.

Planejamento  frustrado

A obra até hoje deixa muitas dúvidas em relação ao seu significado e utilidade. A execução do projeto não saiu como planejada. A ideia  era que jatos d’água atingissem o monumento de aço e, com iluminação especial, formassem uma cortina parecendo um arco-íris. Os jatos d’água não atingiram o nível desejado e a estrutura de aço ficou sem função.

R$ 1,4 milhão

Foi o valor da obra, segundo informado à época pela Prefeitura de Manaus, valor oriundo de medida compensatória de empresas privadas. Já o  custo de desapropriações dos comércios  ficou em R$ 1,8 milhão.

Blog: Cristian Passos, gerente operacional

“A praça ficou uns seis meses sem manutenção. O mato cresceu e a água da piscina virou lodo. Foi quando a gente se propôs a ajudar. Sobre se houve acordo de parceria formal, não posso falar porque não sei. Me passaram a responsabilidade de fazer a manutenção da praça. A gente cuidava da piscina e dos chafarizes, mas o pessoal do Implurb (Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano) veio aqui e proibiu. Cortaram a água porque, segundo eles, estávamos gastando muito, e até colocaram cadeado na bomba para que ninguém mexesse. Por isso a recuperação da piscina deixou de ser com a gente”.

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