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Conversas interceptadas revelam perfil violento e mortes planejadas por Mouhamad

Análises dos materiais apreendidos na operação “Custo Político” da Polícia Federal reúnem diversos elementos de prova que demonstram a violência de Mouhamad 24/01/2018 às 15:50 - Atualizado em 24/01/2018 às 16:00
Show mouhamad
Foto: Jander Robson/Arquivo AC
Janaína Andrade Manaus (AM)

Resolver brigas em festas com agressões físicas sob o respaldo de coronel da Polícia Militar (PM), tramar a morte de uma viúva e até de esposa e filho de um desafeto. Esses são alguns dos episódios narrados em representação da Polícia Federal (PF), que relata a personalidade violenta do médico e empresário, Mouhamad Moustafa, suspeito de chefiar uma organização criminosa que desviou R$ 110 milhões da saúde pública no Amazonas.

Análises dos materiais apreendidos na operação “Custo Político” da Polícia Federal reúnem diversos elementos de prova que demonstram a violência de Mouhamad. Em conversa por meio de aplicativo, o empresário fala com Priscila Marcolino, coordenadora financeira do esquema e seu braço direito, a respeito de um processo por assédio moral que uma mulher identificada como “Karen”, estaria movendo. “Ela vai mover por tortura agora”, diz Mouhamad.

Entretanto, apesar da recomendação de Priscila para tomar cuidado, diante do fato de que “os parentes dela (Karen) são barra pesada”, o empresário revela que não se intimida e diz: “quero ver se são pior que eu” e que não chegaria aonde chegou se tivesse medo de “bandido grande”. Para a PF, isso demonstra que ele certamente se sentia protegido pela estrutura policial e pelos agentes públicos, por ele corrompidos, que lhe garantiam privilégios.

Em outro episódio, ocorrido em 9 de julho de 2015, Priscila envia uma mensagem de áudio a Mouhamad informando a respeito do fato de que a empresa Salvare teria que indenizar uma viúva em razão de falha no serviço. “A viúva a gente acha quem é e mata ela e fica tudo resolvido, não vai ter que pagar po*** nenhuma, entendeu? Aí não sobra mais nada pra ninguém”.

Em março de 2016, Priscila conversa com Mouhamad sobre uma confusão em um camarote de uma festa. O empresário ordena então que Priscila  mande o “coronel” para tirar o envolvido na “porrada”. “Coronel” para a PF, se trata de Aroldo da Silva Ribeiro, que trabalhava como segurança pessoal de Mouhamad.

“Manda o coronel tirar na porrada e ver quem é o cara”, diz o médico. Meia hora depois Mouhamad manda nova mensagem para Priscila: “Já dei porrada no cara aqui na delegacia. Bati nele e vazei, pra não dar nada pra mim”.

Noutra ocasião, a PF destaca um vídeo que Mouhamad manda da casa de Gilmar. Na conversa, o empresário afirma que a casa logo será deles e faz ameaça de matar a mulher e filha de Gilmar.

Por fim, a informação policial coletou mais um evento de interesse da investigação, que torna explícita detalhes da personalidade de Mouhamad. No dia 1° de janeiro de 2016, o empresário envia um vídeo para Priscila, onde aparece o então deputado estadual, Chico Preto (PMN), fazendo críticas à saúde do Estado do Amazonas e cita a empresa Salvare, controlada por Mouhamad. Na sequência da conversa o empresário conta que alguém matou o segurança do Chico Preto e sugere que deveriam ter matado o próprio Chico preto.

“Tais eventos revelam o desprezo de Mouhamad pela vida não só de seus desafetos como outras pessoas por quaisquer razões que o incomodem”, finaliza o delegado da PF e responsável pelas investigações da operação “Custo Político”, Alexandre Teixeira. A representação por medida cautelar de sequestro de bens e valores, que inclui trecho que narra a personalidade de Mouhamad, foi encaminhado à Justiça Federal no dia 10 de novembro de 2017.

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