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Convivendo entre 110 animais: empresário retira cães e gatos das ruas para cuidar deles em casa

Voluntário que já gastou R$ 12 mil por mês com animais diz que agrada Deus fazendo isso. São 25 quilos de ração de cães por dia e 150 quilos de ração de gato por mês  25/09/2015 às 09:45
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Empresário adota como filhos cães e gatos retirados das ruas de Manaus
Vanessa Marques Manaus

São mais de 60 cachorros e 50 gatos convivendo harmoniosamente no mesmo ambiente, mantido pelo empresário Francisco Alves, o Peninha. “Os animais são comparados a uma criança que precisa de cuidados e respeito”.

Ele recolhe cães e gatos da rua e os leva para casa, onde dá abrigo e comida, além de atenção médica, tudo por conta própria. “Eu não sou protetor ou responsável por nenhuma ONG, nunca pedi nada para ajudar esses animais”, afirma o empresário, que faz duras críticas às ONG’s  que usam a internet para pedir doações para cuidar apenas de animais acidentados e esquecem dos cachorros e gatos que vivem na rua. “Ninguém tá pegando o animal para cuidar, só pegam para fazer o jogo de chantagem à custa de animais e arrecadar dinheiro”, desabafa.

Peninha e a esposa, Suellem Pessoa, lembram como o cuidado com os animais abandonados começou. De acordo com eles, um rapaz apareceu na empresa do casal oferecendo um filhote de pitbull - ele criava os animais para procriarem e vender os filhotes - caso não conseguisse a venda ia sacrificar o filhote. “Ele estava irredutível, ou vendia ou matava, mesmo a gente insistindo muito ele não cedeu, então com pena acabamos comprando para não deixar o animal morrer. Depois deter um cão em casa, todos os outros que encontrávamos trazíamos pra dentro de casa, porque nos apaixonamos de verdade por eles”, lembra Suellem. A pitbull, recebeu o nome de ‘Panda’ e viveu por dez anos com o casal, até falecer em 2013.


Todos os 110 animais tem nome, são vacinados e castrados. Todos vivem soltos no pátio e quintal da casa que tem 1.600 metros quadrados. “Às vezes precisamos colocar eles separados, por acontecer alguma briga como qualquer família em que irmãos brigam, porque são todos da minha família”, diz o empresário, que muito religioso, conta que cuidar dos animais é agradar a Deus.

Peninha conta ainda que  o trabalho realizado por pessoas como ele, que recolhem os animais da rua e oferecem cuidados, são de total utilidade pública. “Imagine todos esses animais soltos por aí procriando pela cidade, a gestão municipal deveria olhar com mais carinho e responsabilidade”, apela. 

Juntos do dono até depois da morte

Apaixonado pelos animais que cria, mesmo em dificuldade financeira, Peninha e Suellem não abrem mão de nenhum gato ou cachorro, eles se recusam a fazer doações dos animais. “Eles são meus filhos e pais de verdade não abandonam os seus”, diz o empresário. Ele revela que mesmo depois de mortos os animais não saem do local, todos são enterrados num espaço no quintal destinado a eles. Peninha diz que consegue identificar cada um dos “filhos” e que todos atendem pelo nome. O empresário dedica o tempo livre para fazer poemas e músicas para os animais.

Um abalo financeiro na empresa de Peninha faz o empresário fazer um apelo a todos aqueles que gostam de animais e queiram ajudar “Eu não vou pedir dinheiro, por minha preocupação é com eles, por isso coloquei minha casa à venda para comprar um novo lugar com mais espaço, com mais adequações para que eles possam viver melhor e estabilizados até o final da vida deles”.

O empresário abre temporariamente a casa para receber doações de ração, para cães e gatos, remédios, materiais de limpeza e jornais para forrar as gaiolas dos gatos. A todos que quiserem ajudar podem entrar em contato pele telefone 99969-6846 ou ir pessoalmente a avenida Noel Nutels 3862, Cidade Nova, em frente ao Instituto Médico Legal.

Em números

O casal já chegou a gastar R$ 12 mil por mês com os cuidados dos cães e gatos, em alimentação e remédios. São 25 quilos de ração de cães por dia e 150 quilos de ração de gato por mês.

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