Sábado, 06 de Junho de 2020
FETO DESAPARECIDO

Corpo de bebê natimorto some de maternidade em Manaus; pais acionam a polícia

A suspeita dos responsáveis pela maternidade Moura Tapajós é de que o feto da pequena Ilana Leite tenha sido levado por engano pela empresa que recolhe resíduos sólidos da unidade hospitalar



maternidade2_D89E0F61-C78E-40CD-842F-15AA1A728146.jpg Foto: Reprodução/Internet
11/05/2020 às 14:11

Familiares de uma bebê natimorta denunciaram à Polícia Civil do Amazonas o desaparecimento do corpo da criança na maternidade Moura Tapajós, na Zoa Oeste de Manaus, enquanto o pai, Ronildo da Silva Leite, providenciava a documentação para o sepultamento. O caso aconteceu na tarde de sábado (9), e a suspeita dos responsáveis pela maternidade é de que o corpo da menina tenha sido levado por engano pela empresa que recolhe resíduos sólidos da unidade hospitalar.

O pai da bebê registrou boletim de ocorrência relatando o caso nesta segunda-feira (11), na Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), onde também foi ouvido em depoimento. As investigações para localizar o corpo da menina tiveram então início.



De acordo com o pai, a criança, que mesmo depois de morta recebeu o nome de Rakuielly Ilana de Souza Leite, era a sua primeira filha com a companheira Rebeca de Souza Ferreira. Segundo ele, a menina estava sendo muito esperada pela família.

Ainda segundo o pai, a gravidez foi tranquila, a mãe fez o pré-natal como deveria ser feito. Na sexta-feira (8), Rebeca amanheceu reclamando de dores abdominais e, à tarde, o casal foi até a maternidade Moura Tapajós, onde, de acordo com ele, foram bem atendidos. Rebeca foi então examinada e o médico notou a ausência das batidas cardíacas do bebê.

No mesmo dia, Rebeca foi submetida a uma ultrassonografia para ver o estado do bebê e o exame mostrou que a pequena Ilana já estava morta há dois dias.

O sumiço

Na noite de sexta-feira (8) pra sábado (9), ainda na maternidade, a mãe conseguiu, de forma espontânea, expelir o bebê. Rebeca disse que chegou a ter contato físico com o corpo da filha. Nesse mesmo dia ela teve alta médica, sendo informada  que o corpo da menina seria liberado para o sepultamento.

O pai foi ao cartório providenciar a certidão de óbito e voltou a maternidade, onde foi chamado por uma assistente social  que pediu que ele assinasse alguns documentos para a liberação do corpo da filha. No entanto, ela estava mais lá.

Depois de várias buscas, ele foi informado da possibilidade de Ilana ter sido levada junto com os demais fetos daquela maternidade.

Ronildo, que já havia pago pelo serviço funeral da filha, recorreu à polícia para que o corpo seja encontrado e que ele possa dar um enterro digno a Ilana.

Questionada pela reportagem de A Crítica sobre o caso, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) informou que os procedimentos realizados na maternidade referentes a membros do ser humano, entre eles fetos, que não tenham requisição feita pelos familiares seguem uma resolução da Anvisa, de 2004, que instrui o que deve ser feito com os bebês mortos.

A Semsa também informou que será aberta sindicância administrativa para apurar responsabilidades e adotar as medidas que forem cabíveis.

Confira a nota da Semsa na íntegra:

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) esclarece que os procedimentos realizados na Maternidade Municipal Dr. Moura Tapajóz referentes a peças anatômicas (membros) do ser humano; produto de fecundação sem sinais vitais, com peso menor que 500 gramas ou estatura menor que 25 centímetros ou idade gestacional menor que 20 semanas, que não tenham valor científico ou legal e não tenha havido requisição pelo paciente ou familiares observam o que estabelece a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa) N° 306, de 7 de dezembro de 2004.

Nesse sentido, a referida Resolução orienta que após o registro no local de geração, deve feito o encaminhamento para sepultamento em cemitério, desde que haja autorização do órgão competente do Município, do Estado ou do Distrito Federal ou; tratamento térmico por incineração ou cremação, em equipamento devidamente licenciado para esse fim.

Se forem encaminhados para sistema de tratamento, devem ser acondicionados conforme está descrito do “gerenciamento de resíduos de serviços de saúde”, em saco vermelho, que devem ser substituídos quando atingirem 2/3 de sua capacidade ou pelo menos 1 vez a cada 24 horas e identificados conforme mesmo documento e a inscrição “PEÇAS ANATÔMICAS”.

Os fetos mortos da Maternidade Municipal Dr. Moura Tapajóz são encaminhados através de ofício, com identificação e peso, para a empresa responsável pelo Tratamento de Resíduos Sólidos do Hospital e a destinação dos fetos.

A Semsa informa que será aberta sindicância administrativa para apurar responsabilidades e adotar as medidas que forem cabíveis.

Repórter de A Crítica

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