Publicidade
Manaus
Sugado por bueiro

Corpo de criança em igarapé no Parque do Mindu pode ser de menino desaparecido

Cadáver encontrado sob lixo pode ser do garoto André Pereira, de 6 anos, que desapareceu no domingo (24) após cair em bueiro no bairro Amazonino Mendes 26/04/2016 às 13:37 - Atualizado em 26/04/2016 às 15:28
Show 20160426103627
Os pais da criança, outros familiares e vizinhos estão no Instituto Médico Legal à espera da chegada do corpo para fazer reconhecimento (Foto: Antônio Menezes)
Vinicius Leal e Silane Souza Manaus

Um corpo de uma criança que foi encontrado no início da tarde desta terça-feira (26) no igarapé do Mindu, em Manaus, pode ser do menino André Pereira, de 6 anos, que desapareceu no último domingo (24) após cair em um bueiro no bairro Amazonino Mendes, Zona Norte. O cadáver foi encontrado durante buscas do Corpo de Bombeiros dentro do Parque do Mindu e estava debaixo de muito lixo.

O corpo foi encontrado pelo instrutor de academias André Walace de Lima Colares, 26. Ele não conhecia a criança, mas ficou sabendo do caso e resolveu ajudar na procura realizada pelos bombeiros. “O corpo estava imprensado no monte de lixo. Quando vi que era ele, chamei o coronel Rodrigues, do Corpo de Bombeiros, que confirmou. O corpo estava inchado e sangrando pelo ouvido, mas em perfeito estado”, disse.

Os pais da criança, outros familiares e vizinhos foram ao Instituto Médico Legal à espera da chegada do corpo para fazer reconhecimento. As buscas pelo corpo de André iniciaram ainda no domingo, após ele ter sido sugado pelo bueiro sem proteção enquanto jogava bola na rua Penetração 4, bairro Amazonino Mendes, na companhia do pai. O pai foi em casa e quando retornou a criança já não estava lá. Durante o desaparecimento, chovia naquela região. 

O bueiro em que o garoto caiu deságua no igarapé do bairro Novo Aleixo, onde as buscas foram feitas no domingo e na segunda-feira. Hoje, terça-feira (26), o trabalho de buscas foi feito em quatro pontos: ainda no igarapé Novo Aleixo em direção ao Parque do Mindu, bairro Parque Dez, Zona Centro-Sul; nas imediações da ponte do bairro São Raimundo, Zona Oeste; no trecho do igarapé do Mindu próximo à sede do Detran, na av. Mário Ypiranga, Zona Centro-Sul; e no igarapé que corta o bairro São Jorge, no sentido Rio Negro, Zona Oeste. Ao todo, 18 bombeiros trabalharam no caso.

Sem documentos

Segundo familiares, o pai do menino André não tinha com ele, em casa, a certidão de nascimento do filho, já que tudo estava com a mãe biológica – de pais separados, o pequeno André vivia com o pai e a madrasta. Devido a falta de documentação, o garoto de 6 anos não estudava e nem recebia vacinas no sistema público de saúde.

“O pai nunca conseguiu pegÁ-lo (o documento) porque ela (a mãe) não dava”, segundo o avô de Andre, Antônio Pereira de Lima, de 54 anos. “Uma (outra) filha dela (mãe biológica) viu a reportagem e veio aqui. Ela foi pegar os documentos. Meu filho não tinha uma boa relação com a mãe do André. Mas não sei os motivos e nunca nos metemos nessa história”, contou o avô.

De acordo com a tia do menino André, Ana Maria Pereira, de 49 anos, a mãe do pequeno André sumiu há seis anos, dificultando a posse do documento. “Disseram que tem que procurar a mãe dele, mas se a mãe dele sumiu há seis anos como vai aparecer agora”, desabafou.

Até então, a falta de documentos de identidade da criança poderia atrapalhar a liberação do corpo no IML, o que irritou a tia de Ana Maria, que reclamou da possibilidade do ver o sobrinho sendo enterrado como indigente. “Isso é um absurdo. Só pode ser para maltratar mais os parentes”, disse.

Publicidade
Publicidade