Terça-feira, 19 de Novembro de 2019
COMPENSAÇÃO AMBIENTAL

Corredor Ecológico do Ipiranga ofertará aulas de educação ambiental

Resultado de uma provocação do MPF-AM, o Corredor visa diminuir os impactos ambientais do Anel Leste, novo sistema viário com inauguração prevista para 2021



corredor_A1BB1B25-1CA0-424F-8500-4F1E83DDEDC1.JPG Foto: Antônio Lima
24/09/2019 às 07:11

Criado oficialmente no último dia 11, o Corredor Ecológico da Área de Preservação Permanente (APP) do Igarapé do Ipiranga - que visa diminuir os impactos ambientais do Anel Leste, novo sistema viário com inauguração prevista para 2021 – deve levar uma série de atividades aos moradores da Zona Leste, a partir da sua implementação.

O trabalho será realizado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), por meio de sua equipe de Coordenação de Educação Ambiental e Assistência Técnica e, coordenado em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) para tratar questões relacionadas a saneamento básico, por exemplo.



A criação do Corredor Ecológico do Ipiranga é resultado de uma solicitação do Ministério Público Federal do Amazonas (MPF-AM) e abrange uma área de ligação com a Reserva Ducke, permitindo o fluxo de animais e a preservação das nascentes dos igarapés que nascem ali.

O decreto foi assinado pelo governador do Amazonas, Wilson Lima, pelo secretário-chefe da Casa Civil, vice-governador Carlos Almeida Filho, e pelo secretário estadual de Meio Ambiente, Eduardo Taveira, e publicado no Diário Oficial do Estado, no último dia 10.

“O Anel Leste é extremamente importante para solucionar a questão da mobilidade urbana. Em contrapartida, ele promove a redução dos impactos por meio da ação do corredor ecológico. É uma forma de equilibrar crescimento urbano e conservação ambiental”, explica Taveira.

Os corredores são importantes conexões de grandes espaços que estão sofrendo o impacto do aumento da população, possibilitando uma conservação mais efetiva das espécies, principalmente em ambientes urbanos.

De acordo com o secretário, há uma visão que considera áreas de preservação como locais onde pessoas não são bem-vindas. “Ao contrário: o corredor integra as atividades das populações e ambientes urbanos numa forma de ordenamento da paisagem, viabilizando o desenvolvimento sustentável”, explica.

No local, também estão previstas ações de educação ambiental. “É importante envolver nessa discussão indivíduos cuja consciência está em formação, como crianças e adolescentes. Eles são cruciais para a agenda ecológica, principalmente no Amazonas, que mantém um histórico de rentabilizar a floresta e seus recursos”, avalia Kleber Bechara, chefe do Departamento de Mudanças Climáticas (Demuc) e Gestão das Unidades de Conservação da Sema.

O planejamento do Corredor envolveu consultas prévias à população, que foi informada da instalação de uma Área de Preservação Permanente (APP). “É um território de uso não-restritivo, com autorização para a circulação de pessoas e atividades econômicas, que precisam ser feitas de maneira coordenada para evitar impactos”, diz Taveira.

Avanço

Sobre a continuidade desse tipo de ação, o secretário informou que está em fase de planejamento um corredor de maior extensão, que deve incorporar a região metropolitana (parte de Rio Preto da Eva, Itacoatiara e Manaus), ainda sem data de criação definida.

A coordenadora de extensão do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Rita Mesquita, considera que a iniciativa representa um avanço para mitigar o impacto do Rodoanel e contribuir com a preservação dos territórios do sauim de coleira em Manaus. No entanto, tais medidas não podem ser consideradas uma solução definitiva para a ameaça à espécie.

“O sauim precisa de áreas maiores de conservação. Até o momento, esses locais não foram criados. O animal só vive no Município de Manaus, tem uma distribuição muito restrita. Não é possível protegê-lo em outro lugar”, reflete Mesquita, que participou da revisão do Estudo de Impacto Ambiental do Corredor Ecológico, elaborado pelo governo do Estado.

“No começo da análise, percebemos uma série de questões relacionadas às salvaguardas ambientais que não haviam sido consideradas. Dentre estas, uma estava inserida no projeto de engenharia, relacionada ao igarapé do Ipiranga, que seria colocado dentro de uma tubulação e receberia processo semelhante a um aterramento parcial. Isso ia gerar um grande impacto”, lembra a coordenadora. A solução foi projetar uma ponte, sob a qual passaria o Corredor Ecológico, assegurando que o igarapé não fosse aterrado.

News d amorim 845c88c9 db97 48fa b585 f1c0cb967022
Repórter de Cidades
Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Além de A Crítica, já atuou em uma variedade de assessorias de imprensa e jornais, com ênfase na cobertura de Cidades e Cultura.

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.