Terça-feira, 24 de Novembro de 2020
PRATELEIRAS VAZIAS

Corrida às compras faz os preços dispararem em mercados de Manaus

Consumidores observaram nos últimos dias o aumento nos itens de alimentação no comércio da capital amazonense. Procon registrou mais de mil denúncias durante a última semana



unnamed_D2FCBDC3-CEAC-4C7D-996E-5AC419A7E9E7.jpg Foto: Divulgação
30/03/2020 às 07:55

Com o avanço da pandemia de coronavírus no Brasil, a determinação para manter isolamento social gerou uma corrida aos supermercados e mercadinhos na busca por alimentos essenciais. A alta da demanda e a demora na entrega de alguns fornecedores, ocasionou a disparada de preços de alguns produtos básicos consumidos na mesa dos amazonenses.

Na última semana, o Instituto Estadual de Defesa do Consumidor (Procon-AM) registrou 1.158 denúncias sobre estabelecimentos que comercializam produtos alimentícios e de higiene pessoal com grande procura durante a pandemia de coronavírus. Neste mês, a Secretaria Municipal de Defesa do Consumidor e Ouvidoria recebeu mais de 800 denúncias de preços abusivos de álcool em gel, máscara e medicamentos em Manaus.



A empreendedora Elaine Marques faz compras mensais em distribuidoras localizadas na Zona Norte e Leste de Manaus. Ela comprava 15 quilos de feijão, açúcar, arroz e 10 pacotes de macarrão com R$ 150, mas na última sexta-feira voltou para casa com apenas metade da lista.

“Tá tudo muito caro. Um absurdo. Só comprei meio fardo de feijão e de arroz. O fardo do feijão carioca está R$ 230 mais que o dobro o preço. O fardo do arroz está custando R$ 90 e um pacote de macarrão com 10 unidades R$ 45, antes era R$ 19. A pandemia mudou a rotina da casa, estamos economizando ao máximo. Tudo é muito regrado”, disse a autônoma.

O aumento não foi identificado apenas na última semana. No dia 14 de março, a  servidora pública Vanessa Leocádio percorreu diversos supermercados da Zona Centro-Sul e relatou alta no preço do feijão, café e de proteínas. “Já dava para perceber o aumento. O tomate subiu muito, a cartela com 20 ovos já estava R$ 14,90. A bandeja de frango que comprávamos a R$ 9,90 já está R$ 14,90. A diferença foi bem grande em algumas coisas e também não vi promoção”, contou.

Etiene Martins disse que fez pesquisa de preço, pela manhã, em supermercados da Zona Norte e à tarde quando foi às compras encontrou produtos mais caros nas prateleiras.

“Aumentaram de preços absurdamente: o arroz e o feijão que estão com limite de unidades para compra. O pacote de leite com 400 gramas que era na faixa de R$ 7, agora é R$ 9. A sexta do café e outros dias de promoção não se vê mais”, afirmou a desempregada, acrescentando que a alternativa encontrada diante da subida do preço do café é combinar o pó de boa qualidade com o inferior que caiba no bolso.

A autônoma Danniella Miranda contou que identificou em grandes supermercados e comércios de bairros o aumento no quilo do arroz e no pacote de macarrão vendidos a partir de R$ 3 e na cartela com 30 ovos comercializada a R$ 15.

“Começamos a comer menos carne vermelha, priorizamos feijão, ovo e frango que ainda estão em conta e reduzimos a comida nas refeições para evitar sobras. Também não encontramos álcool em gel, máscara e luva na zona norte”, frisou.

Prateleiras vazias

Desde a semana passada, as cestas básicas  foram reajustadas em 15% pela falta de alguns produtos essenciais, segundo o empresário Wilbert Silva. “Os fornecedores começaram a reter alguns pedidos porque as pessoas estavam estocando e até para evitar o desabastecimento. Ficou mais difícil de conseguir itens de primeira necessidade. Esse reajuste é menor que o aumento real do produto e foi apenas para suprir os custos a mais que tivemos”, explicou, acrescentando que o preço das cestas variam de R$ 63 a R$ 170.

Ele citou que alguns itens tiveram alta de até 50%, por exemplo, o pacote de macarrão. Açúcar, feijão e óleo estão entre os o produtos mais inflacionados.

O empresário disse ainda que os mais afetados serão os pequenos comerciantes que dependem do fornecimento interno gerenciado pelas grandes redes de supermercados. “São eles que abastecem os bairros. É natural o aumento no varejo e vai ficar mais evidente porque quem trabalha aqui compra dos mesmos fornecedores. Os mercadinhos de bairro compram do Nova Era, Assaí e jogam o custo deles no preço da prateleira. O aumento no final é de no mínimo 50%”, disse.

A indústria de alimentos que está mais concentrada no Centro-Oeste, Sul e Sudeste tem intensificado a produção para atender a alta demanda em todo o País. Até dependem da pouca frequência de voos e viagens por estrada com a atividade econômica paralisada.

Análise de André Torbey - Economista e educador financeiro

“Do ponto de vista econômico é natural que quanto maior a demanda e menor a oferta maior sejam os preços. Em 2019, no período de crise de abastecimento dos postos de combustíveis vimos muita gente correndo para encher os tanques e os postos aumentando os preços antes desse custo ter chegado a eles. Acaba sendo um comportamento humano que já vimos em outras crises. Reforço a importância de pesquisar preços, planejar as despesas porque a tendência é dobrar os custos de alimentação agora que as famílias estão fazendo todas as refeições em casa. Por não ter esse hábito, às vezes, há o aumento em despesas que nem sempre são facilmente absorvidas no orçamento. Mantenha uma hierarquia de prioridades para se preocupar primeiro com aquilo que é mais importante, que tende a ser alimentação, e não é recomendável ter hábitos e comportamentos financeiros como se estivesse tudo bem e tudo seguro. Impactos ainda devem continuar e para muitas pessoas ainda nem chegaram. Por isso é importante ter essa visão, manter o dinheiro guardado e evitar decisões precipitadas”.

Comentário por Alexandre Zuqui - Superintendente da Associação Amazonense de Supermercados (Amase)

Somos vinculados a ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados) e tem trabalhado junto aos fornecedores e indústrias para que isso não aconteça. Pode retardar o volume de compra e algum item chegar depois. Em isolamento social as pessoas tiverem que abastecer a dispensa, que era mais para o final de semana, pois muita gente almoçava fora e não jantava em casa.  Com o aumento do consumo, as empresas começaram a fazer pedidos nos fornecedores e estão a caminho. Temos muitas distribuidoras de gêneros alimentícios que atende Manaus garantindo o abastecimento. A orientação da Amase é que as margens aplicadas nos produtos permaneçam sem alterações. Pode ter algum supermercadista aumentando preço pode. Nós não apoiamos qualquer tipo de aumento de preço que venha ser abusivo  ao consumidor. Tem aumento de preço pelo fabricante, esse não temos como controlar, e estamos trabalhando junto com a ABRAS para que isso não aconteça”

Blog de Jalil Fraxe - Diretor-presidente do Procon-AM

O Procon continuará intensificando   as fiscalizações. Começamos a identificar que, “ além dos produtos destinados à prevenção, os de gênero alimentício e de limpeza estão tendo aumento. Aplicaremos o mesmo rigor, se configurada a abusividade no preço. As denúncias começaram a chegar na última semana e estão sendo atendidas por ordem de chegada. O Procon-AM já visitou alguns fornecedores, por exemplo, uma granja e verificou que não houve aumento significativo. Os supermercados que forem flagrados aplicando aumento injustificado serão devidamente punidos. Lembrando que é uma infração gravíssima haja vista o estado de calamidade em virtude da pandemia do Covid-19. Aqueles produtos que tiverem aumento fora do índice de reajuste legal estará configurada a prática abusiva. Portanto, os estabelecimentos tenham as notas fiscais em mãos para comprovação. Não iremos permitir que nesse momento de crise os consumidores sejam ainda mais prejudicados com práticas abusivas”.

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