Sexta-feira, 24 de Maio de 2019
Febre amarela

Buscas por vacina contra febre amarela aumentam na cidade de Manaus

Procura pela vacina nos postos de saúde da capital aumentou após Minas Gerais registrar surto da doença



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Evily Santos da Silva mal esperou a filha completar a idade indicada (nove meses) para levá-la para tomar a primeira dose da vacina contra a febre amarela (Foto: Winnetou Almeida)
27/01/2017 às 06:00

A preocupação com a febre amarela está provocando uma corrida aos postos de saúde em Manaus. A procura pela vacina aumentou significativamente nos últimos dias depois que as notícias sobre o surto da doença em Minas Gerais começaram a ser veiculadas na televisão. Há notificações também em Espírito Santo, Bahia, São Paulo e Distrito Federal. Até a última terça-feira, o Ministério da Saúde havia confirmado 70 casos da doença nesses Estados, com 40 mortes, sendo 37 só em Minas.

A professora Ana Kelly, 36, não pensou duas vezes ao levar o filho Guilherme, de 11 anos, para tomar a segunda dose da vacina ontem. O calendário de rotina prevê a aplicação de uma nova dose da vacina a cada 10 anos. Guilherme deveria ter sido imunizado no ano passado, mas por falta da vacina quando a mãe o levou a unidade de saúde ele acabou ficando sem atualizar o cartão de vacinação. “Mas de hoje (ontem) não passa. Com aumento da doença, se prevenir é importante”, afirmou Kelly.

A vacina contra a febre amarela está incluída no calendário de vacinação e pode ser administrada a partir dos 9 meses de idade. A mãe da pequena Ana Bela, Evily Santos da Silva, 28, mal esperou a filha completar a idade indicada para levá-la para tomar a primeira dose. A criança chorou na hora da aplicação, mas foi acalentada pela mãe. “Filha é para o seu bem, ta neném! Já passou, pronto!”, falou Evily. Após a vacinação, ela foi orientada a levar a criança para receber um segundo reforço aos 4 anos.

Evily Santos vacinou a filha e aproveitou para se imunizar também contra a febre amarela (Foto: Winnetou Almeida)

A preocupação também atinge as pessoas com mais de 60 anos. Mas, no caso delas, a vacina só pode ser administrada após avaliação médica. Foi o que fez as amigas Elenice Gomes de Oliveira, 61, e Maria Cavalcante, 64, que estiveram ontem na policlínica Castelo Branco, no bairro Parque Dez de Novembro, Zona Centro-Sul, para serem imunizadas contra a doença. “Vim porque fiquei com medo por causa das notícias que vi na TV”, revelou Maria. “É melhor prevenir do que remediar”, completou Elenice.

Mesmo tendo mais de 60 anos, as amigas Elenice e Maria (da esquerda para a direita) não deixaram de tomar a vacina também (Foto: Winnetou Almeida)

De acordo com a diretora da policlínica Castelo Branco, Sandra Paes Lemes, entre o dia 1º deste mês até as 9h de ontem, 891 pessoas tinham procurado a unidade para se vacinar contra a febre amarela. “Aumentou bastante a procura. A gente não fazia nunca esse número de atendimento no mês normal, não de vacina contra a febre amarela”, relatou. Ela destacou a importância de as pessoas guardarem a carteira de vacina para que não tomem superdosagem, ou seja, vacinação à toa.

Em número

438 casos suspeitos de febre amarela, sendo 89 mortes, foram Registrados pelo Ministério da Saúde até o último dia 24. Do total, 364 permanecem em investigação, 70 foram confirmados e quatro descartados. Das 89 mortes notificadas, 40 foram confirmadas e 49 permanecem em investigação.

Sintomas

Os sintomas iniciais da febre amarela incluem febre de início súbito calafrios, dor de cabeça, dores nas costas, dores no corpo em geral, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. Os meses de dezembro a maio são o período de maior número de casos com transmissão considerada possível em grande parte do Brasil.

Duas doses são suficientes

De acordo com o Ministério da Saúde, a vacina contra a febre amarela apresenta eficácia de aproximadamente 95%, além de ser reconhecidamente eficaz e segura. As duas doses são o suficiente para proteger durante toda a vida. Uma terceira dose não vai criar nenhuma proteção adicional. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda uma única dose para toda a vida. O Brasil, buscando uma maior segurança, adota o esquema de duas doses. 

‘Não há risco de surto’

Manaus não corre risco de surto de febre amarela, como vem acontecendo no Estado de Minas Gerais, de acordo com o secretário municipal de Saúde, Homero de Miranda Leão Neto. A garantia, segundo ele, está no trabalho de prevenção que é realizado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), principalmente com relação à vacinação, que é oferecida nas 182 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) localizadas em todas as zonas da cidade.

Conforme Homero, há 10 anos a capital amazonense não registra casos da doença. “A vacina é a forma mais eficaz de prevenir a febre amarela e o alerta é válido para todos, especialmente para os que se deslocam para regiões de mata”, destacou. Além das doses existentes nas UBSs, a Semsa tem um estoque extra de 30 mil doses. No período de 2013 a 2016 a secretaria aplicou 647.127 doses da vacina, entre doses únicas, doses iniciais e revacinação. A vacina está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde.

FVS-AM tem reserva de 55 mil doses​

A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) tem em torno de 55 mil doses de vacina contra a febre amarela em sua reserva técnica. De acordo com o diretor presidente do órgão, Bernardino Albuquerque, até o momento nenhum município do interior solicitou reforço. “Os municípios têm em seus programas municipais estoque de vacina. Até então não tivemos nenhuma demanda no sentido de envio de novas doses”, relatou

Agora sobre se houve ou não aumento de casos da doença no interior, Bernardino destacou que ainda não teve informação. A vacina contra a febre amarela é contraindicada para crianças menores de seis meses, idosos acima dos 60 anos, gestantes, mulheres que amamentam crianças de até seis meses, pacientes em tratamento de câncer e pessoas imunodeprimidas.

Em situações de emergência epidemiológica, vigência de surtos, epidemias ou viagem para área de risco, o médico deverá avaliar o benefício e o risco da vacinação para estes grupos, levando em conta o risco de eventos adversos. Conforme Bernardino, não há problema se uma pessoa tomar a dose mesmo ainda estando imunizado. “Mas é importante enfatizar que se tiver menos de 10 anos não há necessidade”, apontou.

A doença se classifica em “silvestre” e “urbana”. A febre amarela silvestre se mantém naturalmente em um ciclo de transmissão que envolve primatas não humanos (hospedeiros animais) e mosquitos silvestres dos gêneros Haemagogus e Sabethes. A febre amarela urbana, que não é registrada no país desde 1942, é causada pelo mesmo vírus e se manifesta da mesma forma, mas o mosquito transmissor é o Aedes aegypti.


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