Sábado, 25 de Maio de 2019
ESTUDANTE PREMIADA

Corte de verba da Capes afeta pesquisadora amazonense

Premiada nacionalmente por pesquisa de mestrado, Érica Siqueira teme ser prejudicada, no doutorado, pelo corte de verbas anunciado pelo Governo Federal



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Foto: Divulgação
12/05/2019 às 17:29

A amazonense Erica Siqueira, de 27 anos, ganhou o prêmio "Inovação em Cidadania Empresarial", fruto da dissertação do mestrado em Política Científica e Tecnológica, cursado na Unicamp, em São Paulo. "É o maior prêmio da área e reconhece os trabalhos acadêmicos que mais contribuíram com a temática no Brasil", explica a agora doutoranda.

“É a primeira vez que a Unicamp ganha e a primeira vez do Amazonas também. Só é um prêmio desses por ano e, geralmente, quem ganha é o eixo sul-sudeste”, diz a estudante. O prêmio é um dos mais relevantes do empreendedorismo social e negócios de impacto. O ICE reconhece e premia trabalhos acadêmicos nas categorias de graduação, mestrado e doutorado.

O trabalho de Erica analisou as práticas de metodologia e avaliação de impacto aplicadas no empreendedorismo social e foi desenvolvido durante o mestrado. Ela ressalta que a bolsa recebida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) não teria conseguido dedicar-se à pesquisa.

Durante o mestrado, a doutoranda recebia bolsa no valor de R$ 1,2 mil e assim conseguia arcar com os custos. Agora, que ela passou para o doutorado  tem um auxílio de uma bolsa emergencial com duração de 11 meses concedida pela Unicamp, até que obtenha o auxílio da Capes ou Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), de R$ 2,2 mil.

Entretanto, Erica e centenas de pesquisadores do Brasil correm o risco de não conseguirem mais avançar com mestrados e doutorados, já que nesta semana o governo federal anunciou a suspensão da concessão de novas bolsas pela Capes, uma das principais organizações ligadas ao Ministério da Educação (MEC), que fomenta a pesquisa em nível de pós graduação no País. A medida foi anunciada uma semana após o ministro da Educação, Abraham Weintraub, informar o contingenciamento de 30% das verbas das universidades federais.

“A Capes esclarece que a economia racional de recursos, a melhoria do sistema de pós-graduação e a parceria com o setor empresarial são as diretrizes adotadas para superar os desafios apresentados pela necessidade de contingenciamento de recursos na administração pública federal”, informou o órgão por meio de nota.

Congelamento

Na semana passada, 4.798 bolsas que não estavam sendo utilizadas no mês de abril foram congeladas como medida de cumprir o contingenciamento. Em entrevista na quinta-feira, o diretor de gestão da Capes, Anderson Lozzi disse que o número de bolsas congeladas vai ficar em torno de 3,5 mil. “Essas ações poderão ser revertidas mais à frente caso haja descontingenciamento em função da melhoria da economia do País”, argumentou.

“Nenhum país do mundo consegue se desenvolver sem investir em educação, ciência e tecnologia. Existem números que mostram de que a pesquisa e o desenvolvimento no Brasil acontece dentro das universidades e, a partir do momento que se tira o investimento, se cria um desastre para o futuro e o impacto será grandioso, porque o país não vai ter como se desenvolver”, opina a doutoranda premiada.

Greve na Ufam

Professores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) aderiram ao movimento nacional de paralisação marcado para a quarta-feira (15). O ato foi marcado depois do bloqueio de R$ 38 milhões da Ufam, devido ao corte de 30% anunciado pelo MEC.

Repórter de A Crítica

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