Quarta-feira, 03 de Junho de 2020
ESTRATÉGIA

Cota de atenção, alerta e emergência dos rios é definida em Manaus

Objetivo do seminário é validar os resultados parciais do “Relatório para Estabelecimento de Cotas de Referência para Alerta Hidrológico em Municípios da Amazônia Ocidental”



defesacivil_036198EF-BF78-4BF3-A704-A9061C6BC76C.JPG Foto: Junio Matos
10/03/2020 às 13:11

Está acontecendo até às 17h desta terça-feira o 1º Seminário de Definição de Cotas de Referência para Alerta Hidrológico da Amazônia Ocidental. O evento está sendo realizado no auditório da Superintendência Regional do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), na avenida André Araújo, Aleixo, Zona Sul.

O objetivo do seminário é validar os resultados parciais do “Relatório para Estabelecimento de Cotas de Referência para Alerta Hidrológico em Municípios da Amazônia Ocidental”, desenvolvido através de uma parceira entre Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e Defesa Civil do Estado do Amazonas, com participação também do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) e Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Amazonas (Sema).

Em princípio foram apresentadas as cotas de referência para nove municípios contemplados pelo trabalho que vai gerar a informação para que os atores envolvidos entendam, dentro dessas cotas, quais as áreas suscetíceis a desastres, bem como áreas de risco e locais onde deverão ser direcionadas decisões. São eles: Manaus, Anamã (a 166 quilômetros da capital), Berurí (a 178km), Careiro (124km), Codajás (244km), Manacapuru (68km),  Coari (363km), Iranduba (27km) e Itacoatiara (a 110km).   

Manaus, por exemplo, apresenta a definição de Cota de Atenção em 27 metros a aproximadamente um mês da Cota de Alerta, que é de 27m50. Já a Cota de Emergência é de 29 metros, informa boletim divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil. Ontem, a cota do rio Negro era de 24m65 segundo o site oficial do Porto de Manaus (portodemanaus.com.br).

Identificação

Com o estudo, pode-se, de acordo com a Defesa Civil do Estado, identificar dentro de determinado município qual a área passível de inundações, por exemplo, demandando, ou não, um trabalho de infra-estrutura maior. Ou, ainda, evitando a ocupação de áreas de risco. 

Os levantamentos de campo foram iniciados no ano de 2018, tendo a participação efetiva das Defesas Civis locais na identificação dos pontos críticos ao processo de inundação, que resultaram na definição de cotas de Atenção, Alerta e Emergência. 

Drones, equipamentos de sondagem e que conseguem visualizar, dentro da altimetria, uma comparação com o nível do mar, foram utilizados no serviço. 
 Ao final dos procedimentos de campo e dos processamentos dos dados em escritório, mostra-se agora essencial a participação dos agentes locais na validação final das informações obtidas, o que está ocorrendo neste dia no auditório da CPRM.

Importância

De acordo com o secretário-executivo da Defesa Civil do Amazonas, coronel Francisco Máximo, o evento é importante “pois vai de encontro ao que estamos diariamente trabalhando no sentido da preocupação das Defesas Civis, que são órgãos que cuidam diretamente da proteção têm; este trabalho é extremamente importante porque, se considerarmos que o Brasil vem a cada ano sofrendo mais impactos e desastres recorrentes de eventos extremos, isso nos traz ou nos remete a necessidade de ficarmos atentos a climatologia, à parte hidrológica, para que possamos nos antecipar aos desastres causados pelos eventos extremos”.

Segundo o representante da Defesa Civil estadual, embora já existam cotas padronizadas, quer seja de Atenção, Alerta ou Emergência, ainda faltava riqueza de detalhamentos como foi feito, agora, pelo Serviço Geológico do Brasil.  “São muitos os benefícios que teremos e sem contar com a padronização. Quando se padronizam as cotas passamos, todos nós, Defeas Civil do Estado e Município, e a União, a trabalharmos com uma única referência. E isso é muito bom e importante pois a linguagem é única”, comentou Francisco Máximo. 

Etapa

A pesquisadora em Geociência e responsável pelo Sistema de Alerta Hidrológico regional do Serviço Geológico do Brasil, Luna Gripp Simões Alves, ressalta que o seminário é a etapa final de um estudo que começou em 2018 com as primeiras etapas de campo, onde o principal objetivo é definir cotas de referência de Atenção, Alerta e de Emergência para os municípios da Amazônia Ocidental.

Conforme explica a especialista, é importante que os municípios e todos os atores envolvidos entendam que nível o rio precisa atingir para alcançar um certo prejuízo àquela população, até que ponto aquele município perde a capacidade de resposta em relação àquele evento de inundação que é quando temos a subida gradual dos rios da Amazônia. “Então, por mais que alguns municípios tivessem essa informação muito dispersa, é importante padronizar toda essa metodologia e estabalecer essas cotas de única maneira única e padronizada para esses municípios.

Apresentamos hoje um resultado prévio de apenas oito municípios, mas 11 outros cidades já estão sendo realizados levantamentos de campo, com os processamentos de resultados já sendo ocorridos e a idéia é apresentar essa informação para todos os municípios contemplados pelo nosso boletim de monitoramento que é divulgado todas as sextas-feiras pela CPRM em parceria com o Sipam



Repórter de A Crítica

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