Publicidade
Manaus
Protesto

Após paralisação de cozinheiros, pacientes ficam sem comida no João Lúcio e Joãozinho

A paralisação iniciou na manhã desta segunda-feira (17) por conta dos constantes atrasos salariais e para reivindicar o cumprimento de direitos trabalhistas 17/10/2016 às 10:20 - Atualizado em 17/10/2016 às 13:02
Show cozinheiros
A paralisação é por tempo indeterminado. Somente pacientes em estado grave, que se alimentam por sonda, serão alimentados. Fotos: Rafael Seixas
Rafael Seixas Manaus (AM)

Cerca de 30 funcionários entre copeiros, nutricionistas e cozinheiros da empresa terceirizada M.L Alimentos, que presta serviços de alimentação aos pacientes e funcionários do Hospital João Lúcio e Pronto-Socorro da Criança (Joãozinho), na Zona Leste de Manaus, paralisaram suas atividades em ambas as unidades na manhã desta segunda-feira (17), por volta das 7h, após mais um atraso no pagamento dos salários.

De acordo com uma funcionária que não quis se identificar, frequentemente os colaboradores têm seus pagamentos atrasados e mesmo após 11 meses de atividades não tiveram suas Carteiras de Trabalho assinadas.

“Todo mês nossos salários são atrasados, nossas carteiras não estão assinadas e estamos aqui reivindicando os nossos direitos. Há muitos funcionários passando dificuldade financeira. A justificativa da empresa é que estão esperando o repasse das verbas do governo para poder nos pagar”, declarou, complementando que somente os pacientes graves, que se alimentam por via de sonda, serão alimentados.

“Não estão cumprindo as Leis Trabalhistas. O empresário também justifica dizendo que ainda não há contrato vinculado com o hospital e mediante isso não assinou a carteira dos funcionários”, complementou.

Segundo outra funcionária, que também não quis se identificar por medo de represália, mesmo com os constantes atrasos, todos os pacientes e funcionários dos hospitais vinham sendo alimentados, mas agora medidas tiveram que ser tomadas para que haja uma resposta por parte do Estado.

O diretor financeiro do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Refeições Coletivas (Sinterc-AM), Antônio Alexandre, disse que as denúncias contra as condições de trabalho da M.L Alimentos, do João Lúcio e do Joãozinho foram feitas ao Ministério do Trabalho há meses.

“Pedimos uma fiscalização e até hoje isso não foi feito. Se foi, está camuflada e não tivemos uma resposta. Há 11 meses os funcionários estão trabalhando sem terem assinado suas carteiras. Pior é que descontam no contracheque o INSS e o FGTS, mas não é feito depósito em nenhuma agência bancária. É uma fraude muito grande contra o trabalhador”, afirmou.

Reclamações

Acompanhantes de pacientes que estão internados no João Lúcio relataram à reportagem que a situação está crítica no local. A dona de casa Perpétua Souza de Oliveira está com o marido internado desde o dia 26 de setembro, mas, conforme ela, seu esposo sofre constantemente para conseguir remédios e agora foi informada que não haverá alimentação.

“Meu marido está gritando para eu pegar uma faca e matar ele porque não aguenta mais tanta dor. Quando você vê um homem chorar é porque o negócio não está fácil. Aqui não tem remédio e agora fomos informados que não haverá alimentação”, contou.

“Aqui não tem medicação, alimentação e os banheiros estão todos sujos, não há nem cadeiras para os acompanhantes sentarem”, acrescentou a dona de casa Audilene Pereira, 26, que está com a mãe internada desde o dia 13 no local.

Enfermeiros

A técnica de enfermagem Dorisnei Bezerra, 45, disse que apesar de está com os salários em dias, apoia a iniciativa dos colegas. “Nós os apoiamos. Por mim o hospital inteiro já teria parado. O hospital não funciona somente com enfermeiro e médico. Todo mundo está sofrendo aqui, há muita coisa errada, como falta de material, falta de funcionários, a gente trabalha sobrecarregados e no calor. Agora as exigências são terríveis!”, afirmou.

Ainda de acordo com outra técnica em enfermagem, que não quis se identificar, a comida servida aos profissionais e aos pacientes é horrível. “É difícil trabalhar aqui. Os cozinheiros não têm culpa, mas muitas vezes a comida não é de qualidade e é velha. Muitos vezes só tem sopa”.

A Secretaria Estadual de Saúde (Susam) informou, por meio de nota, que liberou na última sexta-feira (14) uma parte do pagamento devido à empresa que fornece alimentação no Hospital e Pronto Socorro João Lúcio Machado, sendo que o mesmo só foi compensado nesta segunda-feira, devido aos trâmites bancários. A outra parte está sendo negociada para ser paga o mais rápido possível. Após ser informada da liberação do pagamento, a empresa comprometeu-se a regularizar o fornecimento dos serviços ainda hoje, a partir do almoço.

Publicidade
Publicidade