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Manaus
DISCURSO DE ÓDIO

Criador de grupo que combinava agredir LGBTs diz que tudo foi uma brincadeira

Comunistas também eram alvos de integrantes do grupo no WhatsApp formado por universitários da UEA 27/07/2017 às 20:16 - Atualizado em 28/07/2017 às 00:58
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Segundo criador, integrantes violentos foram excluídos, assim como o próprio grupo (Foto: Reprodução/TV A Crítica)
acritica.com Manaus (AM)

O criador do grupo de WhatsApp, "Juventude Conservadora UEA/ESA", que estava sendo investigado por combinar de agredir pessoas da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) e comunistas em Manaus, declarou na tarde desta quinta-feira (27), em entrevista à TV A Crítica, que o objetivo não era cometer atos de violência, mas sim discutir política de forma "saudável" entre jovens conservadores de direita. O jovem, que é universitário da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESA) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), não quis se identificar.

"O nome da UEA era apenas pra dizer que os integrantes faziam parte de lá, não queríamos nos passar pela instituição", disse o estudante. Sobre as mensagens de ódio e intolerância, incitando a violência, ele informou que tudo começou com uma brincadeira de um único indivíduo e que o mesmo não representava as ideologias do grupo.

"Fizeram essa brincadeira, mas mesmo assim não concordamos. Logo em seguida ao comentário, falamos repetidamente para o autor não fazer esse tipo de coisa. Como ele não parou, nós o excluímos do grupo. Assim que ele foi excluído, outras pessoas fizeram comentários semelhantes por ironia", explicou o jovem.

Para ele, essas pessoas queriam apenas desvirtuar o grupo, cujo objetivo principal era "promover debates políticos e mostrar propostas que mudassem a sociedade".

"Eram em sua maioria homossexuais se passando por de direita, que faziam comentários homofóbicos para tumultuar apenas. Se fosse ver a conversa inteira, iria ver que esses comentários não representavam a mensagem que queríamos passar", concluiu o criador do grupo "Juventude Conservadora UEA/ESA".

Resposta da UEA    

O reitor da UEA, Cleinaldo Costa, informou que uma sindicância foi aberta e que todos os envolvidos serão ouvidos. "Não faremos pré-julgamento, mas é importante marcar posição: a universidade não é espaço para preconceito sob nenhum aspecto", disse o gestor, ressaltando que o respeito às diferenças é fundamental ao convívio humano e que o uso indevido do nome da instituição é "inaceitável".

Segundo ele, todos os envolvidos serão convocados a partir de amanhã (28) para serem ouvidos. O prazo para a conclusão dos trabalhos é de trinta dias. "A depender dos desdobramentos, que serão comunicados à sociedade de forma ampla, tomaremos todas as providências administrativas cabíveis", concluiu o reitor.

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