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Crianças de Manaus correm risco de contrair vírus que pode causar paralísia de membros inferiores

Em 500 amostras de crianças com diarréias em Manaus, pelo menos 6% apresentaram a presença do vírus denominado como Gemycircularvirus, que após 5 dias de infecção, ocasiona a paralisia dos membros inferiores  15/02/2016 às 18:06
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Mais de 85% de casos da doença está relacionado a falta do saneamento básico
Isabelle Valois Manaus (AM)

Cinquenta anos morando no beco Santa Terezinha, localizado ao lado do igarapé do Mindú, bairro São Jorge, Zona Oeste, a aposentada Anésia Santana Martins, 73, relatou que desde a primeira invasão do local a doença mais comum principalmente nas crianças é a diarréia. Assim como no beco Santa Terezinha, em outras locais de Manaus, até mesmo em área de classe média, um dos principais problemas relacionados a doença  criança também é a diarréia.

De acordo com a pesquisadora da Fiocruz Amazônia (Fundação Oswaldo Cruz), pós-doutora em microbiologia, Patrícia Puccinelli Orlandi, dos casos de diarréias infantis registrados no serviço público de saúde, mais de 85% está relacionado a falta de saneamento básico. Com base na pesquisa de Orlandi, o pesquisador da Universidade da Califórnia (EUA), Tung Gian Phan, descobriu que em 500 amostras de crianças com diarréias em Manaus, pelo menos 6% apresentaram a presença de um novo vírus denominado como Gemycircularvirus, que após cinco dias da diarréia e vômito ele ocasiona a paralisia dos membros inferiores e pode atingir o sistema neuro central.

O novo vírus que foi divulgado no A CRÍTICA na última sexta-feira, também foi encontrado nas amostras além de crianças como também em adultos em países sem saneamento básico como a Sri Lanka e Cambodia.

Até o momento a saúde pública não tem como identificar se a criança está infectada com o vírus, pois é necessário criar um kit do diagnóstico para os prontos-socorros. “Hoje o que acontece é que quando essas crianças dão entrada nos hospitais, passam por um exame de rotavírus. Dando o resultado negativo, os médicos aplicam ampicilina(antibiótico) para o combate de bactéria, mas na verdade é um vírus, por isso que há casos que mesmo após a medicação a criança continua com a diarréia e o vômito”, explicou Orlandi.

Paralisia

Após cinco dias de diarréia, o vírus ocasiona a paralisia. “Até o momento não tivemos nenhum caso de morte, mas no Pará houve registro de crianças que tiveram os cinco dias de diarréia e em seguida a paralisia, depois deu entrada ao óbito, mas não confirmamos se o caso foi ocasionado pelo Gemycircularvirus, pois seria necessário verificar as amostras dos envolvidos”, disse.

Campanha da Fraternidade

A Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) de 2016 trata sobre o cuidado com a “Casa Comum, nossa responsabilidade”, e para ir fundo neste assunto, dedicam o tema voltado para o saneamento básico.

BLOG

Um dos melhores meios de combate do Gemycircularvirus é a cidade de Manaus ter realmente um serviço de saneamento básico. O problema está no consumo da água. O vírus ele é transmitido por via fecal e oral e como não temos o saneamento básico, há essa contaminação. A água da torneira é contaminhada, por isso que há tantos casos de diarréia em crianças. Nos países mais desenvolvidos, o número de caso de diarréia é bem inferior, chega a ser 30% por rotavírus. Se tivessemos o saneamento básico não teríamos tanto gasto na saúde. Como não há esse processo de saneamento básico, oriento as pessoas a consumirem a água mineral. Quem não tem como consumir este tipo de água, pode consumir a água da torneira, mas é necessário ferver, pois esse é o único jeito de eliminar o vírus. Precisamos de uma vigilância epidemiológica em todo o Amazonas, pois se a situação do saneamento básico é complicado em Manaus, no interior é considerado pior.

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