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Manaus
COMUNIDADE SHARP

Crianças feridas em acidente com fios elétricos continuam em estado grave

Rompimento de cabo da rede elétrica matou casal e deixou 14 feridos no último dia 5. Laudo da Eletrobras Amazonas Energia apontou que fios foram cortados por linhas de papagaios 14/06/2016 às 12:26 - Atualizado em 14/06/2016 às 12:31
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Sobreviventes ainda tratam das queimaduras provocadas pelo acidente (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Luana Carvalho Manaus (AM)

Pouco mais de uma semana após o acidente que matou o casal Valdemir Rodrigues, 40, e Valdeana Nascimento, 28, mortos após o rompimento de um cabo da rede elétrica na comunidade da Sharp, Zona Leste, as duas filhas deles continuam internadas no Hospital Pronto Socorro Joãozinho. Ontem, a Eletrobras Amazonas Energia divulgou o laudo pericial sobre o acidente.

Larissa Emanuelle, de 11 meses, saiu da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e o estado clínico dela é considerado estável, assim como o da irmã, Lara Ester, 3. Das 16 pessoas que foram atingidas, duas morreram. Até ontem, além de Larissa e Lara, Pedro Ferreira Neto, 11, e o amigo dele, Vitor Matos, 14, continuavam internados com queimaduras graves, porém o estado de saúde deles também é estável, segundo informações da Secretaria de Estado de Saúde (Susam).

A cunhada de Valdemir, Raiane Silva, 25, contou que a família ainda está muito abalada e tentando resolver a situação das crianças que ficaram órfãs. Além das duas meninas, o casal deixou o filho mais velho, Irlan Nascimento, de 10 anos. “A avó materna deles (que mora no Maranhão) já manifestou o interesse de ficar com a guarda das crianças. Mas nós que estamos em Manaus também não queremos que eles cresçam longe da gente. Então a família ainda vai sentar para decidir isso”, contou Raiane Silva.

‘Não respondeu’

Na última entrevista com dois diretores da Eletrobrás Amazonas Energia, Andressa Oliveira e e Paulo Maciel, eles informaram que a empresa tinha um levantamento dos bairros que mais apresentavam riscos na fiação elétrica, com problemas de linha de papagaio na fiação, conforme foi apontado no laudo técnico da concessionária que investigou a causa do acidente. Prometeram, ainda, enviar o número de acidentes com a rede elétrica registrados em Manaus. Porém, uma semana depois, após diversas cobranças por parte de A CRÍTICA, a empresa não enviou os números solicitados.

Laudo responsabiliza linhas de papagaios

O laudo técnico sobre o rompimento de um cabo de média tensão no dia 5 de junho, na comunidade da Sharp, que feriu 14 pessoas e deixou dois mortos, foi divulgado ontem pela Eletrobrás Amazonas Energia.

A investigação confirmou o que a empresa já havia comunicado preliminarmente: o acidente foi causado por cortes feitos com linhas de papagaios de papel que ficam enganchados na rede elétrica.

Segundo a concessionária, foi constatado que cinco, dos sete fios que compõem o cabo, foram cortados, de forma que os dois fios restantes não suportaram a tensão do próprio cabo, causando o rompimento. Os técnicos chegaram a conclusão com base em fotografias e depoimentos de eletricistas que estiveram no local.

“Foram analisadas as fotos do campo posicionamento e o sentido da fonte carga para se avaliar as causas do rompimento. Também se considerou as informações repassadas pelas equipes técnicas que estiveram no local imediatamente após o acidente. Não foi possível realizar análise dos cabos, pois os mesmos estão de posse dos peritos da Polícia Civil”, informou, por meio de nota.

A empresa trabalhou com três hipóteses, e duas foram descartadas. A primeira seria de um ponto quente que poderia derreter os cabos e, consequentemente, reduzir sua resistência mecânica. A segunda hipótese seria “de um esforço mecânico atípico a qual o condutor possa ter sido exposto como galhos de árvore e/ou objetos estranhos”. Mas como o vão é livre de árvores e sem maiores edificações, também foi descartada.

A hipótese que valeu foi a de corte por linhas de papagaio de papel (pipas). “Esta hipótese explica os cortes no cabo, pois as linhas de papagaio, muitas do tipo chilenas ou com cerol, podem, através da fricção, cortar o alumínio e reduzir a sua resistência mecânica, até que os fios restantes do encordoamento não suportem o próprio peso do cabo”, disse a empresa.

‘No topo da lista’

Uma pesquisa da Associação Brasileira De Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), no entanto, aponta que Manaus está no topo do ranking das capitais brasileiras com o maior número de incêndios em acidentes envolvendo a rede elétrica.

A Abracopel avaliou que no ano de 2015, devido ao crescimento do número de incêndios por curto circuito. A campeã, Manaus, registrou 39 acidentes deste tipo. As instalações elétricas improvisadas também representam perigos dentro de casa. Os choques elétricos, causados por descuido ou descaso, deixando fios sem isolamento por exemplo, matou ao menos 590 pessoas em todo o País em 2015, segundo dados da associação. Na semana passada o órgão realizou o “Encontro de Profissionais Eletricistas” em Manaus, onde apresentou os dados.

A capital amazonense está na frente, inclusive, de capitais como São Paulo, que tem 10 vezes mais habitantes que Manaus. Salvador, Cuiabá e Recife também sucedem Manaus no ranking feito pela associação classista.

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