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Crianças que estudam em escolas próximas às avenidas Constantino e Djalma enfrentam problemas

Mais que uma pedra: é a lama nos dias de chuva e a poeira nos de sol que incomodam os alunos de duas escolas públicas situadas nas avenidas mais movimentadas da capital 18/02/2016 às 11:16
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Uma chuva rápida como a de ontem basta para transbordar o esgoto
marcela moraes ---

Imagine crianças com idade de 4 a 6 anos tendo que enfrentar, diariamente, muita lama nos dias de chuva e nuvens de poeira nos dias de sol para ir à escola. O cenário remete a um bairro distante na periferia, comunidades rurais ou mesmo municípios no interior do Estado, mas essa é a realidade dos alunos de duas escolas municipais localizadas a metros de duas das mais importantes -  e movimentadas -  avenidas da capital: Constantino Nery e Djalma Batista.

Poças de lama, esgoto a céu aberto e a poeira levantada pelos veículos - entre eles os de transporte escolar - são alguns dos obstáculos que esses “pequenos” precisam vencer todos os dias, para chegar à Escola Municipal Professor Waldir Garcia e ao Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Maria Mattias, localizados na mesma rua do bairro São Geraldo, Zona Centro-Sul.

Os transtornos, denunciam pais, alunos e professores, são reflexo das obras do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim) realizadas no local, que estão paradas. O problema, segundo os moradores, é que, com as obras  paradas, também não há previsão de quando esses problemas serão resolvidos. E não bastassem os transtornos aos alunos, a água acumulada no aterro já chegou a invadir a escola Waldir Garcia. “Na época de cheia a situação aqui fica horrível, a água invade tudo”, disse Leandro Rodrigues, 19, morador do bairro.

Ele cobra um posicionamento do poder público sobre quando a obra será concluída e os transtornos terão fim. “Os alunos sofrem de um jeito ou de outro. Quando chove a rua vira um lamaçal. Meu enteado tem oito anos e muitas vezes fica com os sapatos cheios de barro a farda cheia de lama. Sem falar quando escorregam na lama e se sujam antes de chegar an escola. Aí não tem jeito: tem que voltar para casa” reclamou.

Quando não é a lama, é a poeira que incomoda, contou João Carlos Nery, outro morador, ao ressaltar os problemas respiratórios que a “nuvem” de poeira pode causar nos adultos e, principalmente, nas crianças. “A dificuldade é grande em relação à acessibilidade. Quando chove fica inviável passar por aqui: o carro atola, é impossível se locomover. E quando está seco, o problema é a poeira. Esse problema se arrasta há uns dois anos e, até agora, nenhuma providência”, disse.

A diretora da escola Waldir Garcia, Lúcia Cristina Cortez, disse que o acesso é complicado tanto para as crianças e pais quanto para os funcionários e que o problema dificulta até a limpeza da escola. “O transtorno é generalizado nos dias de chuva: as crianças chegam aqui com a lama pelas canelas”, revelou.

Obras para minimizar transtornos

A Secretaria de Estado de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Manaus (SRMM) informou que, para amenizar os transtornos temporários no entorno das escolas, serão executadas melhorias no pavimento da rua Pico das Águas, no bairro São Geraldo, até o fim de fevereiro, por meio de uma parceria com a Prefeitura de Manaus.

A SRMM informou ainda que o Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim) prevê para esse trecho da obra a conclusão da infraestrutura composta pelos serviços de terraplenagem, macro e microdrenagem, contenções do solo e urbanização da margem do igarapé. Após essa etapa, serão implementadas unidades habitacionais pelo programa “Minha Casa Minha Vida”.

Também fazem parte do projeto a instalação de equipamentos comunitários, como creche, quadra de esporte, Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e Unidade Básica de Saúde (UBS).

Segundo a SRRM, o projeto está em fase de readequação para atender às exigências do órgão financiador e, somente após essa análise, as obras serão retomadas. O órgão não informou prazos.

Obra de aterro sob investigação

O Ministério Público Federal do Amazonas (MPF-AM) investiga a obra de aterro realizada no bairro São Geraldo para construção do projeto habitacional. No momento, dois inquéritos civis em tramitação estão sob análise do procurador da República responsável pelo caso. A investigação aborda os impactos ambientais, problemas ocasionados aos alunos, dentre outros. Em breve serão anunciadas quais medidas deverão ser adotadas pelo MPF.

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