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Manaus
Problemas psicológicos

Crianças que presenciam atos de violência extrema são mais vulneráveis

No mês passado em Manaus, duas crianças viram os pais serem assassinados. Vítimas indiretas, elas precisam de atenção especializada 01/07/2017 às 17:56 - Atualizado em 01/07/2017 às 17:57
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Quando não são as vítimas, crianças acabam sendo testemunhas dos crimes. Foto: Arquivo/AC
Kelly Melo Manaus (AM)

Se para adultos presenciar cenas de violência pode ser traumático, para crianças o reflexo de uma experiência dessas pode ser ainda mais perigoso, alertam especialistas. 

Em Manaus, se tornou comum crianças testemunharem crimes, principalmente homicídios. Muitos deles ocorridos em ambiente familiar, como o que ocorreu com a dona de casa Janaíne Bueno Soares, 25, morta há duas semanas, pelo próprio companheiro, no bairro Monte Sinai, na Zona Norte da cidade.  A filha da vítima, de apenas quatro anos, assistiu o assassinato da mãe. 

No último dia 19, uma criança de dois anos também viu o pai ser assassinado por bandidos no bairro João Paulo, na Zona Leste.  Ela estava no colo do pai quando o atirador acertou em Bruno dos Santos Januário, 26. Por pouco, ela também não foi baleada. 

O conselheiro tutelar Márcio Dias afirma que são comuns, em todos os conselhos, registros de violência doméstica em que crianças e adolescentes testemunham cenas de brutalidade diariamente. Na opinião dele, essa exposição à violência pode predispor a criança a desenvolver um comportamento violento ou mesmo depressivo. 

“Recentemente nós atendemos um caso em que os filhos, todos menores, viam a mãe ser agredida pelo pai. Elas relatavam com riqueza de detalhes como essas agressões aconteciam e, nesse caso, o nosso papel também de oferecer um acompanhamento para evitar que essas crianças sigam por outros caminhos, que não os mesmos vistos dentro da casa”, destacou o conselheiro. 

“A família é uma composição. E tudo o que acontece em seu seio vai refletir na vida dos filhos”, afirmou Márcio Dias. 

Superação

Conforme a psicóloga clínica Aline Félix, há uma banalização da violência na atualidade, mas os traumas sofridos podem ser superados, dependendo da forma que cada pessoa lida com a experiência traumática.

“O trauma acontece quando determinado episódio causa um dano emocional como consequência de um acontecimento inesperado. Cada pessoa reage de uma forma diferente para a mesma situação e, no caso de crianças, o reflexo disso vai depender do acompanhamento e da assistência que essa pessoa vai ter no seu dia-a-dia”, explicou a psicóloga. 

Para Aline Félix, uma criança que não tem um acompanhamento adequado  se tornará mais vulnerável e poderá desenvolver problemas, como estresse pós-traumático. “Não podemos dizer que, ao presenciar cenas de violência, toda criança vai desenvolver um trauma.  Há pessoas que superam isso de forma surpreendente e outras demoram mais”, afirmou. “Não é só um episódio que vai influenciar, mas um conjunto de relações. Isso  porque todos nós recebemos influências de vários lados”, completou   a especialista.

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