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Crianças que vivem em conjunto referência do Minha Casa, Minha Vida se sacrificam para poder estudar

Segundo a mãe das crianças, de 5 e 7 anos, não há escola próximo ao conjunto e por isso os filhos precisam ir para aula no ônibus cedido pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) 21/11/2013 às 08:32
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As crianças, com idade entre 5 e 7 anos, precisam “pegar a estrada” diariamente para ir à escola, que fica na rodovia AM-010. A viagem é feita sem a presença de um monitor para garantir, por exemplo, o uso do cinto de segurança
Jéssica Vasconcelos ---

No conjunto que deveria ser modelo de habitação, inaugurado há 11 meses como referência do programa do Governo Federal “Minha Casa, Minha Vida”, os problemas estruturais como infiltrações e rachaduras não são a única preocupação dos moradores.

As crianças que vivem nos apartamentos do conjunto Viver Melhor, na Zona Norte, precisam fazer um sacrifício diário para frequentar a escola. Tudo porque o conjunto foi entregue sem a estrutura prometida. De acordo com Kátia da Costa, 37, foi dito aos moradores que o conjunto seria entregue com escola, posto de saúde e área de lazer, dada a localização “isolada” dele, na extrema Zona Norte, porém nada foi cumprido.

A escola, que ainda está sendo construída, deveria ter sido entregue em fevereiro deste ano, mas continua em obras e não vai atender os alunos do ensino básico. As crianças continuarão tendo que deslocar paras às escolas localizadas na AM-010, como é o caso dos filhos da dona de casa Muriel da Silva Serrão, 31, que estudam nos quilômetros 2 e 4.

Segundo a mãe das crianças, de 5 e 7 anos, não há escola próximo ao conjunto e por isso os filhos precisam ir para aula no ônibus cedido pela Secretaria Municipal de Educação (Semed). A preocupação dos pais, além da distância, é a segurança, pois as crianças andam sem cinto de segurança e sem um monitor, contando apenas com apoio do motorista que, por sua vez, precisa dirigir e dar atenção aos alunos.

O motorista Pedro Silva* explica que a cada viagem leva cerca de 40 crianças e o que o trabalho é difícil, pois precisa ficar atento ao trânsito e aos alunos que, por serem pequenos, precisam de monitoramento constante.

A dona de casa Ana Silva, 32, relatou que o filho dela, de apenas 7 anos, já foi deixado pelo ônibus escolar, junto com outros dois colegas de 9 e 10 anos, na barreira policial, que fica na entrada da rodovia, e tiveram que andar quase dois quilômetros até a casa deles, sozinhos. “Nesse dia, passei mal com tanta preocupação. Não posso buscar meu filho na escola porque os pais não podem ir no ônibus e não tenho condições de pagar passagem e ir pra estrada todos os dias”, disse Ana.

Infiltrações
E as preocupações com a infraestrutura continuam. Os apartamentos da quadro 9 do conjunto apresentam problemas na estrutura que têm deixado os moradores preocupados. No bloco 115, todos os apartamentos estão com rachaduras e com infiltrações. Nas áreas comuns, há ferrugem e piso quebrado. “Me mudei no dia 8 de dezembro e na primeira chuva o apartamento alagou”, lembrou a moradora Muriel da Silva.

Cobranças abusivas sobre taxa de esgoto
A conta de água também tem sido grande motivo de reclamação entre os moradores do conjunto Viver Melhor. Segundo a dona de casa Katia da Costa, 37, algumas pessoas estão pagando valores abusivos. A conta do mês de novembro dela chegou no valor de R$ 4 mil, sendo R$1.186 somente de taxa de esgoto.

A taxa de esgoto voltou a ser cobrada desde setembro pela Manaus Ambiental e os moradores alegam não terem condições de pagar os valores cobrados. Segundo eles, o critério usado pela Caixa Econômica no contrato foi renda mensal de até R$ 1,6 mil, ou seja, 75% da renda seria comprometida somente com o pagamento da taxa de esgoto.

“Algumas pessoas aqui vivem somente com o Bolsa Família”, enfatizou Kátia. Além disso, os moradores alegam que o serviço de esgoto no local é precário.

A Manaus Ambiental informou que a tarifa cobrada no conjunto Viver Melhor e nas demais áreas atendidas pelo serviço de esgotamento sanitário na cidade atende aos padrões estabelecidos no Contrato de Concessão, que estipula a cobrança da tarifa de esgoto em 100% sobre o consumo de água.

De acordo assessoria, em visita in loco foram constatados muitos vazamentos e infiltrações nos imóveis. A Manaus Ambiental informa que está em contato com a Superintendência de Habitação do Amazonas (Suhab) para que a instituição solicite um parecer da construtora responsável pelo empreendimento e, ainda este mês, seja realizada uma reunião entre Manaus Ambiental, Suhab e a construtora responsável, para sanar esta questão.

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