Publicidade
Manaus
INTERNET

Crimes cibernéticos cresceram 300% e Amazonas teve 1,2 mil casos em 2018, diz PC

Entre os crimes mais comuns estão os de ódio ou de intolerância e os contra a honra. Maioria está relacionada às interações via Facebook 24/02/2019 às 02:52
Show crime cibernetico ea51e8a4 c996 45f3 b09c 5daf05d22354
Foto: Antônio Lima
acritica.com* Manaus (AM)

O número de crimes cibernéticos registrados na Delegacia Interativa da Polícia Civil do Amazonas no ano passado cresceu 300% em relação ao ano anterior, passando de um pouco mais de 300 em 2017 para mais de 1,2 mil em 2018. E, segundo o delegado da unidade especializada, Gesson Aguiar, a tendência é que continue a crescer: em janeiro de 2019, já foram 87 casos registrados. Entre os crimes mais comuns estão os de ódio ou de intolerância, contra a honra (calúnia, injúria e difamação), falsa identidade e estelionato.

O principal volume de crimes registrados pela delegacia está relacionado às interações via Facebook, seguido do Instagram e do WhatsApp, por conta da quantidade de pessoas interagindo simultaneamente. 

“Hoje, o número é exponencial. Em 2019, já começamos com um número muito grande desse tipo de ocorrência, mas não só de crimes de ódio como os golpes de estelionato, aqueles em que alguém sempre quer obter valor econômico das pessoas que estão na rede”, explicou o delegado Gesson Aguiar.

É o caso do servidor público Glauber Farias, 32, que teve a conta em uma rede de compra e venda hackeada. “Minha conta do PayPal foi hackeada e fizeram duas compras nela. Só percebi isso quando recebi o SMS do cartão sobre a compra. Imediatamente entrei em contato com o suporte do PayPal e informei o ocorrido. Eles analisaram e viram que se tratava mesmo de fraude e estornaram as compras”, relatou.

Vítima de um constrangimento nas redes sociais em setembro do ano passado, uma dona de casa de 30 anos que preferiu ter a identidade preservada contou à reportagem de A CRÍTICA que alguém criou um perfil falso com o seu nome e foto no Facebook, no qual informava que ela trabalha como garota de programa. Na conta falsa da rede social, havia o telefone pessoal dela e fotos pornográficas de outras pessoas.

“Eu soube por que homens começaram a ligar para o meu número, interessados no suposto programa e achei estranho. Foi quando descobri o perfil com fotos indecentes e a minha cara estampada na rede social com meu nome, fiquei com medo da minha família descobrir, passei dois dias sem dormir”, acrescentou a vítima. “Registrei o boletim, mas não levei adiante, mas ela foi notificada pela polícia. Eu já suspeitava de quem seria e quando soube, mesmo negando, a pessoa retirou o perfil do ar”, contou.

Dicas para não ser vítima

Para o delegado Gesson Aguiar, o cidadão pode minimizar a possibilidade de ser vítima de um crime cibernético ao utilizar um perfil privado nas redes sociais e só aceitar pessoas conhecidas, nunca utilizar um mesmo e-mail para todas as contas, sempre saber com quem está se relacionando, não ativar a webcam para conversar com desconhecidos, não informar os dados pessoais para desconhecidos, e, especialmente, não clicar em links desconhecidos recebidos, especialmente, por e-mail.

Os registros de boletim de ocorrência referentes aos crimes cibernéticos podem ser feitos no site da Delegacia Interativa ou na sede da unidade, localizada no interior da Delegacia Geral, na avenida Pedro Teixeira, bairro Dom Pedro, em frente ao Sambódromo.

Vítimas devem fazer prints

Começamos esse trabalho na Delegacia Interativa em janeiro de 2017. O trabalho ainda era pouco conhecido e tivemos pouco mais de 300 casos ao longo do ano. Evoluiu, em 2018, para mais de 1,2 mil casos especificamente desses crimes e, hoje, o número é exponencial”, explicou o delegado Gesson Aguiar.

Ele esclareceu que os casos investigados pela Delegacia Interativa se restringem aos fatos em que o autor é desconhecido. Nos demais casos, o crime deve ser registrado em qualquer Distrito Integrado de Polícia (DIP).

Além disso, para que o caso seja apurado, o cidadão precisa fazer imagens das conversas e interações que caracterizam o crime para que a polícia consiga dar início às investigações. “Todos os aplicativos e provedores de aplicação têm ferramentas para denúncia. Mas se a pessoa quiser que o crime seja apurado, deve fazer prints de tudo que está acontecendo, e aí podemos investigar”, ressaltou.

SaferNet registra alta de 109,5% nas denúncias

A quantidade de denúncias de crimes na Internet registrou uma alta de 109,5% em 2018, segundo a SaferNet Brasil. O principal aumento se deu nas queixas de crimes contra mulheres. A informação foi divulgada no último dia 5, Dia Mundial da Internet Segura. 

O levantamento foi feito em parceria com o Ministério Público Federal (MPF). Foram 133.732 queixas de crimes no ano passado, ante 63.698 em 2017. A SaferNet recebe as denúncias, que são anônimas, pelo site da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos.

Os principais crimes entre as denúncias são relacionados a pornografia infantil, conteúdos de apologia e incitação à violência e a crimes contra a vida e violência contra mulheres. O maior aumento, de 1639%, foi registrado nos crimes contra mulheres.

*Com colaboração de Karol Rocha.

Publicidade
Publicidade