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Crimes cometidos entre familiares alerta a sociedade

Delegados relatam que investigações em casos de crimes cometidos entre família podem produzir orientações de prevenção a futuras mortes 18/11/2013 às 08:41
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“Caso Belota”, cujo mentor é o publicitário Jimmy Robert, foi um dos crimes que mais chamaram atenção das equipes de investigação. Três familiares foram mortos
joana queiroz ---

Crimes de homicídios entre familiares normalmente são motivados por históricos de violência familiar, abuso físico ou sexual, inveja, razões financeiras e são praticados com extrema violência, segundo delegados de polícia especialistas em investigação de crimes contra a vida. Os homicídios em família, segundo os investigadores, sempre existiram desde o começo do mundo, a exemplo da história bíblica que relata a morte de Abel cometida pelo próprio irmão, motivado pela inveja. Para os assassinos, no momento que executam o crime estão colocando um fim no que os atormenta.

O delegado de Polícia Civil José Divanilson Cavalcanti que no início do ano comandou as investigações do tripulo homicídio de Maria Gracilene, 55, Gabriela Belota, 26, e de Roberval Roberto de Brito, 63, mortos em janeiro deste ano, caso que ficou conhecido como “Caso Belota”, cujo mentor é o publicitário Jimmy Robert, filho, sobrinho e primo das vítimas diz que essas características estavam presentes nesse caso.

O atual titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Antônio Rondon que presidiu e prendeu os irmãos Adriano, Luciano, Joseni Souza Mendes e mais uma adolescente de 17 anos que assassinaram a tia deles, a aposentada Ceci de Souza Aguiar, 66, depois a esquartejaram e colocaram os pedaços do corpo dentro de duas malas, com o objetivo de se desfazer delas jogando no rio, ressalta outra característica que é a fragilidade das provas construídas que são facilmente derrubadas pelas investigações e perícia.

Os delegados relatam que não encontraram muita dificuldade para elucidar crimes dessa natureza. A experiência adquirida e também com a ajuda indispensável da perícia são primordiais. O chegar ao local do crime o isolamento da área é a primeira medida que a polícia toma e depois a analise da vítima e das pessoas que moram na casa, o histórico de vida delas.

Os autores são dissimulados, planejam os crimes de forma a não serem descobertos, porém constroem provas frágeis que são facilmente derrubadas pelas investigações. Segundo os delegados essas características estavam presente como crime da menina Isabella Nardoni, 5 anos, ocorrido em 2010, cuja autoria foi atribuída ao pai Alexandre Nardoni e a madrasta Anna Carolina Jatobá foram.

O casal foi apontado como responsável por agredir, estrangular e jogar a menina do sexto andar do edifício London, na zona norte de São Paulo, em 29 de março de 2008. Inicialmente o casal disse que a menina teria sido vítima de um assaltante o que foi logo derrubado com os exames periciais feitos no local.

Elucidações com técnica psicológica

No caso Belota a autoria do crime foi identificada em menos de 24 horas. Segundo Divanilson, a suspeita de que Jimmy estava envolvido no crime apareceu logo no início das investigações. Ele (Jimmy) foi a única pessoa que foi visto entrando no apartamento das vítimas e também pelo histórico de atritos que ele tinha com o pai que não aceitava a sua condição de homossexual. No dia do crime, Jimmy voltou ao local e tentou convencer a polícia que estava surpreso, simulou um desmaio, chorou e ainda se colocou a disposição para colaborar com a polícia, porém tinha sido ele quem teria planejado o crime. Segundo a polícia, Jimmy foi o responsável por toda logística do crime.

O escrivão e psicólogo da PC, Mauro Negreiros, experiente em analisar o comportamento e crimes em família, diz que estes criminosos são agressores progressivos, começam agredindo os familiares com palavras, depois fisicamente e finalmente acabam assassinando-os.

Blog: Antônio Rondon - delegado de Polícia Civil no Amazonas

“Embora os assassinos de familiares tentem de todo jeito não serem descobertos, não há nada que possa ser feito contra a perícia técnica e outros exames que são fortes aliados na elucidação dos crimes. Muitos criminosos criam uma realidade ilusória, fantasiosa e provas fraudulentas, porém de caráter totalmente frágil. São crimes planejados para não deixar pistas. O comportamento desses assassinos diante da polícia é de um verdadeiro ator. Quando estão sendo confrontados não olham no olho de quem está confrontando, o corpo se contrai e o movimento do corpo não mente. Outra coisa bem freqüente é que ele (criminoso) pede pra você repetir várias vezes a mesma pergunta e ainda se contradiz nas respostas. A maioria, ou quase todos, os crimes praticados em família são movidos por sentimentos como a inveja, o ódio, a ganância e pelo fato de não se sentirem amados pela família, ou ainda para resolver um problema.

Saiba mais - Carta de Jimmy

As vésperas de ser julgado em Júri Popular, o publicitário Jimmy Robert de Queiroz Brito, acusado de ser o mandante do triplo homicídio do “Caso Belota”, ainda não conversou reservadamente com os novos advogados defesa, que entraram no caso no fim do mês passado. Neste fim de semana, a defesa esteve na unidade prisional onde Jimmy está desde janeiro deste ano. O réu aproveitou a oportunidade e escreveu um bilhete à imprensa, onde voltou a afirmar que a verdadeira mentora do triplo homicídio foi a esposa do avô dele, aposentada Olga Matos Marinho. “Ainda que não tenha sujado suas mãos, a verdadeira assassina do caso Belota se chama Olga Matos Marinho Roberto”, diz o bilhete, assinado por ele. O Júri Popular está marcado para quinta-feira (21).

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