Sábado, 25 de Maio de 2019
POLÍCIA

Cubanos denunciam policiais do AM de os torturarem e ‘plantarem’ drogas em casa

Caso já foi apresentado ao Consulado de Cuba, de acordo com o advogado das vítimas. Os policiais militares denunciados negam



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Foto: Divulgação
31/03/2019 às 07:15

Dois cubanos de 21 e 22 anos e a esposa de um deles, também de 21, denunciaram terem sido torturados por um grupo de seis policiais, alguns militares, no dia 18 deste mês na comunidade Paraíso Verde, localizada no quilômetro 37 da AM-010. Os três alegam ainda que os policiais “plantaram” drogas na casa deles para simular um flagrante.

O caso já foi apresentado ao Consulado de Cuba, de acordo com o advogado das vítimas, Hernandes Machado.

Conforme os cubanos, os policiais chegaram na comunidade em uma picape branca e em dois carros Voyage de cor verde clara, dizendo que eram da Secretaria de Segurança Pública (SSP). Eles procuravam por droga, armas de fogo e pela presidente da comunidade, sob a acusação de que ela havia torturado e matado um adolescente.

A esposa de um dos cubanos contou que os policiais invadiram a casa e fizeram uma revista geral no local, sempre perguntando onde estava o suposto corpo do adolescente, mas nada foi encontrado. Por isso, os dois estrangeiros começaram a ser espancados. Um deles teria sido levado para os fundos do terreno, onde foi agredido até sangrar.

Um dos cubanos também contou que os policiais estavam com sacos plásticos com a finalidade de sufocá-lo até que confessasse os crimes, que ele nega ter cometido. A sessão de tortura durou, segundo as vítimas, aproximadamente 40 minutos. Depois disso, apesar de terem sido abordados por homens da SSP, os três foram conduzidos ao 26º Distrito Integrado de Polícia (DIP) por policiais da Ronda Ostensivas Cândido Mariano (Rocam). Eles foram acusados por tráfico e drogas, porém, afirmam que o flagrante foi forjado.

No 26º DIP, os dois cubanos e a esposa de um deles foram apresentados por dois policiais militares da Rocam.

De acordo com o que foi registrado na delegacia, os policiais informaram que receberam uma denúncia anônima de que no local duas pessoas estavam sendo espancadas e que o endereço se tratava de um ponto de venda de drogas.

“Eu vi quando um dos homens foi até um dos carros, pegou um saco plástico e voltou para dentro da casa dizendo que havia achado droga”, contou a jovem de 21 anos.

Outro lado

A SSP do Amazonas informou que a Corregedoria Geral do Sistema de Segurança Pública recebeu a denúncia relatando agressão contra dois homens de nacionalidade cubana e acompanha o caso.

Policiais negam

Na casa dos cubanos que denunciaram a agressão, os policiais informaram que não havia ninguém sendo espancado e que encontraram a referida droga no interior de um balde.

Eles disseram, ainda, que a mulher teria confessado que a droga era deles e que na ausência do esposo e do amigo, ela mesmo era quem vendia.

Os policiais negaram qualquer agressão ao trio de cubanos.

O comandante do Comando de Policiamento Especial (CPE), tenente-coronel PM Bruno Azevedo, disse que caso haja alguma denúncia formalizada contra os policiais que apresentaram as vítimas no 26º Distrito Integrado de Polícia (DIP), eles serão responsabilizados.


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