Terça-feira, 16 de Julho de 2019
CULTIVO

Cultivadores esperam retomar produção de margaridas em Manaus

Produção teve queda por causa da crise econômica, mas empresário espera retomá-la



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30/01/2018 às 14:16

Cerca de dois anos depois de começar uma inédita produção de margaridas na capital manauara, o empresário Mikio Kubo ainda não sabe se conseguirá abastecer as floriculturas de Manaus como fez na maior parte de 2017. Apesar dos resultados positivos nas festas de final de ano, ele precisou diminuir a produção em 40% nos meses anteriores. “Eu estava começando a jogar algumas flores no lixo”, comenta.

Em 2015, ele e o técnico agrícola Paulo Rufino investiram cerca de R$ 140 mil para começar a produzir margaridas em Iranduba, a 27 quilômetros de Manaus. Até então, todas as flores que a cidade consumia vinham de São Paulo - estado que produz 60% de tudo o que o Brasil exporta - e de outros países.

No início, o negócio cresceu rapidamente impulsionado pela novidade. As margaridas chegaram a ser as flores mais vendidas da cidade, de acordo com uma das floriculturas online que atuam na região, mas não durou. Segundo Kubo, as oito mudas semanais que eram cortadas foram reduzidas para quatro mil no meio do ano passado. “Eu preciso produzir apenas o que vou vender, senão só tenho prejuízo. Comecei a perceber que os custos do cultivo estavam maiores do que a receita, então precisei diminuir”, revela.

Kubo, porém, espera voltar a produzir as oito mil mudas semanas depois do terceiro trimestre. “Vou analisar o mercado de Manaus em breve, mas espero poder voltar ao normal em breve”, conta.

Segundo o produtor rural Edenilson Nunes, conhecido como “Galego”, também parceiro de Kubo no negócio, o investimento inicial foi feito para combater o calor e a luz - elementos que sempre impediram que o estado produzisse flores. Manaus tem uma média de 27ºC de temperatura durante o ano, segundo instituições internacionais. No verão, no entanto, os dias oscilam ao redor dos 35ºC, segundo o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam).

“Cultivar espécies novas funciona na base da tentativa e do erro. No início, gastamos uma quantia representativa de dinheiro em estratégias que não deram certo até adquirirmos alguma experiência em relação ao plantio na região amazônica. Algumas variedades ainda não se adaptaram enquanto outras já são comercializadas com um bom padrão de qualidade”, avalia “Galego”.

Hoje, existem cerca de dez variedades de flores cultivadas no Amazonas - entre elas, as margaridas e as gérberas, cujas sementes ainda chegam de São Paulo. Ao contrário dos centros produtores, em que as hastes são colhidas após cerca de 90 dias, em Iranduba, elas chegam a demorar até 130 para chegar ao ponto de corte.

 “O clima aqui é difícil. É um desafio. Estamos testando até a gente acertar”, finaliza.

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