Sexta-feira, 24 de Maio de 2019
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Curiosidade: nos primeiros anos, jornal A Crítica foi ‘onzeorino’

Nos seus primórdios, o jornal circulava diariamente às 11h para ganhar público entre os grandes da época



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O fundador de A CRÍTICA em frente à imagem do jornal, em foto do ano de 1966. Fotos: Arquivo AC
19/04/2019 às 10:33

Antes de se tornar o jornal mais lido de Manaus e do Amazonas, A CRÍTICA não era um matutino e nem vespertino, e sim “onzeorino”, ou seja, chegava ao leitor às 11h, diferentemente  dos tempos atuais. A estratégia foi criada pelo seu fundador, o jornalista Umberto Calderaro Filho (1927-1995) para enfrentar os grandes jornais da época, sair primeiro que os concorrentes da tarde e mais “quente” que  os da manhã e, assim, conquistar um nicho de leitores.

Um relógio, marcando 11h, vinha estampado na capa do jornal, próximo à logomarca criada por Ritta Calderaro, esposa e companheira de luta de Umberto. Por circular a essa hora alternativa, o jornal ganhou um apelido à época, “onzeorino”, que foi ficando no passado quando A CRÍTICA mudou para ser matutino.

“Calderaro era um gênio, um homem muito à frente de seu tempo, homem de jornal e de marketing. Em Manaus, na década de 40, circulavam vários jornais, matutinos e vespertinos, dentre eles os gigantes O Jornal, o Diário da Tarde, o Jornal do Commercio e A Tarde, que não deixavam espaço para mais ninguém nos respectivos turnos”, observa o advogado e jornalista Júlio Antônio Lopes, articulista de A CRÍTICA há mais de 30 anos e autor do obra “A Crítica de Umberto Calderaro Filho”.


O casal Ritta e Umberto Calderaro: exemplo de amor e dedicação à toda prova

A grande sacada

“Foi aí que ele [Calderaro] teve a ideia de circular num horário intermediário, às 11h. Criou um diferencial e abriu um nicho, naquele instante, de mercado, que o tornou conhecido e procurado. Quem já havia lido os matutinos, recebia informações que julgava mais quentes e Calderaro se esforçava para inserir novidades o seu noticiário; e quem ainda ia ler os vespertinos, tinha a impressão de que, lendo A CRÍTICA, não precisariam ler o que viria depois. Logo que a marca se consolidou, em meados dos anos 50, o jornal passou a circular pela manhã”,  explica  ele.

“Eu tenho um estudo, com provas documentais, que atestam que o jornal circulou pela primeira vez em 08/05/1946 e aí, de maneira assistemática, por três anos, com várias interrupções, por conta de não possuir maquinário próprio. Essa primeira fase foi ‘Onzeorino’. Umberto escolheu 19/04/1949, contudo, porque foi aí que passou a ter uma sede e uma máquina impressora da marca Marinoni, que lhe foi cedida pela Arquidiocese de Manaus. É daí que se contam os 70 anos”, ressalta Júlio Antônio Lopes.

Neologismo

O neologismo “Onzeorino” foi cunhado por um grande amigo de Umberto Calderaro Filho chamado Áureo Mello.

Ele foi o primeiro secretário de redação do jornal A CRÍTICA e que, anos depois, na década de 1980, assumiu como senador da República em substituição a Fábio Lucena (1940-1987).

Legado de resistência

Hoje, o legado do fundador é perpetuado pela família, tendo na linha de frente sua filha, Tereza Cristina Calderaro Corrêa, como presidente da Rede Calderaro de Comunicação (RCC).

E três dos netos do saudoso jornalista empreendedor ocupam posição de destaque na hierarquia administrativa da RCC: Dissica Tomaz e Umberto Tomaz, são os vice-presidentes da rede, enquanto que Tatiana Calderaro é vice do Conselho Administrativo da RCC.

“O jornal A CRÍTICA foi fundado de um sonho do meu avô de defender esse Estado. A coisa mais valiosa que herdamos do nosso fundador foi o dever e a vontade de lutar pelo povo do Estado. Já nascemos com o slogan ‘De Mãos Dadas com o Povo’, que não é apenas um slogan, mas um ideal, um estilo de vida de vida da família e extensivo a colaboradores e apoiadores que compreendem que A CRÍTICA é uma ferramenta do povo do nosso Estado, um patrimônio moral”, afirma Dissica Calderaro.

“Só existimos porque as pessoas entendem que temos credibilidade e seriedade e compram os jornais todos os dias”, acrescenta o neto de Umberto e Ritta.

Ele destaca que A CRÍTICA é “uma trincheira de defesa” em prol dos interesses do Estado, e o “povo do Amazonas retribui o que o jornal coloca de energia e amor para ele”.

Blog: Júlio Antônio Lopes, advogado e escritor

Escrevi meu 1º artigo semanal em A CRÍTICA em 1989 e, até hoje, nunca deixei de publicá-lo. Na forma concebida pelo seu criador, com quem tive a honra de trabalhar e conviver, A CRÍTICA, como os seus nome e slogan sugerem, surgiu para ser uma tribuna permanente em defesa do interesse público, um contraponto à versão oficial dos fatos. Cumpriu muito bem este papel. A maior prova são os ataques que sempre sofreu dos ‘poderosos de plantão’. E, aqui, parafraseando Thomas Jefferson eu diria que, quando as pessoas temem os governos, isso é tirania; quando os governos temem as pessoas ( representados pela imprensa livre) isso é liberdade. A CRÍTICA, por tudo o que fez, por todas as lutas que encampou, tornou-se, por merecimento, um patrimônio imaterial do povo amazonense, parte integrante e incindível de sua história.

Super edição dos 70 anos circulará no sábado, às 11h

E em referência a esse fato pouco conhecido da história do periódico, a super edição especial  dos 70 anos do Jornal A CRÍTICA (edição única do fim semana)  circulará  às 11h de amanhã, dia 20. A edição terá um mote especial intitulado “Uma viagem para o futuro”, que aborda grandes temas noticiados pelo jornal nessas sete décadas, na perspectiva de futuro apontada por especialistas.

Repórter de A Crítica

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