Quinta-feira, 02 de Abril de 2020
COMPLEXO TURÍSTICO

Custos para vendas na orla da Ponta Negra incomodam permissionários

Permissionários criticam valor do aluguel dos pontos de containers cobrado pelo Implurb e a falta de segurança. Valores podem chegar a R$ 12 mil



ponta_negra_B07A3B04-9E4D-4A7D-8EBC-2734F05E7ED0.JPG Foto: Sandro Pereira
03/01/2020 às 19:56

Um dos pontos turísticos mais conhecidos de Manaus, a orla da praia da Ponta Negra, na Zona Oeste da cidade, também é um dos passeios mais caros para se aproveitar. Mas isso tem justificativa: o valor cobrado pela Prefeitura de Manaus no aluguel dos pontos de containers e carrinhos de alimentação podem chegar até a R$ 12 mil. O Complexo Turístico, atualmente, conta com 60 permissionários gerenciados pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb).

Mas um dos maiores problemas é a divisão de logística da própria orla da Ponta Negra. As áreas mais movimentadas são aquelas próximas ao anfiteatro e que dão acesso a praia. Já no início da praça há pouca circulação, o que resulta em baixas vendas e menos segurança para os comerciantes.



“Nós só alugamos o ponto, que custa uma média de R$ 1.800, fora o carrinho padrão que deve ser pago para a Prefeitura e que custa em torno de R$ 6 mil. E tudo isso para os eventos grandes, como Samba Manaus, serem feitos somente do outro lado. Quando colocaram uma exposição no estacionamento, impediu os carros de estacionarem e diminuiu muito nossas vendas. Estamos quase entrando em meses de chuva e a nossa preocupação está muito maior”, declarou o proprietário de um ponto de milho cozido, Emerson Soeiro.

Ele afirmou ainda que pelo período da manhã o movimento é quase nulo na Ponta Negra e tem dias que é “quase impossível” alcançar a meta de venda, mas que para os colegas que estão alojados após as quadras esportivas o resultado é diferente. “Aqui a gente ainda compete com os ambulantes. Não há fiscalização, principalmente, em dia de evento. Se eu quiser vender lá dentro, preciso pagar e mesmo assim há comerciantes de caxinhas rondando”, disse.

Segurança e Energia

Outra reclamação do empresário Emerson Soeiro é a quantidade de assaltos e furtos que ocorrem aos proprietários dos pontos de venda, causando grandes prejuízos aos comerciantes. Há ainda os containers na área que por estarem sem cadeado se tornam o abrigo de muitos moradores de rua.

Mas a situação não é muito diferente para quem fica próximo da área de grande movimentação no Complexo Turístico da Ponta Negra. “Tem dia que tem fluxo e dias que não. Normalmente, o movimento só é mesmo aos sábados e domingos, o restante deixa muito a desejar. Fora a quantidade de pedintes, somos ameaçados constantemente”, afirmou o supervisor de uma barraca de tacacá, Alessandro Almeida.

Ele relatou ainda a frequência da falta de energia do local, onde não há gerador. “Já trabalho aqui há meses e a impressão que tenho é que toda a vez que ligam o chafariz, por exemplo, puxa muita energia e chega até a queimar nosso aparelhos. Teve um domingo recente ao qual faltou energia o dia inteiro e normalmente o faturamento é bastante alto, para mais de R$ 1 mil. E nesse dia fizemos apenas R$ 250”, reclamou Almeida.

Resposta

Em nota, o Implurb ressaltou que “é importante destacar que o preço pago pela outorga de uso oneroso do espaço público foi ofertado durante o processo de concorrência pública, realizado com pessoa jurídica. O preço pago é o que foi apresentado pela própria cooperativa/associados, em razão da concorrência na modalidade maior oferta.  Todos os comerciantes e empresários que atuam na Ponta Negra o fazem via contrato, no qual estão celebradas responsabilidades de ambas as partes, o que inclui energia, infraestrutura e investimento por parte dos licitantes”.

O órgão municipal garantiu que uma nova licitação será lançada em breve, em razão da proximidade do fim do prazo dos contratos anteriores. E o Implurb também afirmou que o metro quadrado da Ponta Negra tem valores diferenciados, conforme avaliações de mercado realizadas no lançamento da licitação e com base em dados fornecidos pela Procuradoria Geral do Município (PGM).

Quando questionados sobre o alto valor dos pontos, explicou que os recursos arrecadados são investidos na manutenção, melhorias e gestão do parque turístico e de lazer. E em relação à segurança pública, o Implurb explicou que o parque é atendido pela Guarda Municipal, que tem ação direta quanto à proteção do patrimônio público, e pela Polícia Militar, sendo um dos lugares pioneiros a contar com rondas de cicopatrulha (PMs de bikes).


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