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Manaus
SEM ATENÇÃO

Dados da própria Prefeitura comprovam que zona Leste de Manaus está abandonada

A ferramenta Geo Obras, disponível no Portal da Transparência Municipal, aponta obras paralisadas na segunda zona mais populosa da capital 13/05/2018 às 06:00
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(Foto: Winnetou Almeida)
Larissa Cavalcante Manaus

Ferramenta da Prefeitura Municipal de Manaus revela o vazio de obras públicas na Zona Leste da cidade, área que concentra o segundo maior adensamento populacional da capital, perdendo apenas para a Zona Norte, segundos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A área também é reduto eleitoral e alvo de cobiça de políticos e pré-candidatos que buscam, ávidos, os votos dos 297.403 eleitores da região.

A ferramenta Geo Obras, disponível no Portal da Transparência Municipal, aponta obras paralisadas como a construção da segunda etapa do Micro Distrito Industrial de Manaus (Dimicro), no ramal do Brasileirinho, Distrito Industrial e a implantação do parque linear e corredor ecológico localizado no Igarapé do Mindú, no São José II.

Edificações em andamento, por exemplo, a construção do  complexo desportivo do São José Operário I e da academia ao ar livre no bairro Colônia Antônio Aleixo, além de obras concluídas como a reforma da Unidade Básica de Saúde Alfredo Campos Alameda Cosme Ferreira, no Zumbi II.

O Subsecretário Municipal de Obras Públicas, Madson Rodrigues, explicou que não há um critério determinado para distribuição das obras públicas pelas zonas da cidade. Ele afirmou que cada Secretária responde por um bem público, por exemplo, a pasta de Meio Ambiente e Sustentabilidade responsável pelas praças e parques da cidade, cabendo a Secretaria de Infraestrutura (Seminf) a elaboração dos projetos básicos e a fiscalização.

“Quem comanda a necessidade da obra é a ponte (bem público) que está em risco. Não tem muita lógica de zona e não importa onde esteja. Se está desmoronando, temos que construir. O número de obras varia de cada bairro. Um bairro oriundo de uma invasão apresenta mais demandas que bairros da áreas centrais”, disse.

Questionado sobre a carência de obras licitadas, o engenheiro civil esclareceu que uma das dificuldades é aquisição pela prefeitura de terrenos documentados. “Apresenta um número menor de unidades básicas de saúde e praças e consequentemente demanda menos obras públicas”, disse.

A pasta informou que a Zona Leste recebe ações de serviços básicos como obras de tapa-buracos, drenagens profundas, limpeza de área, terraplanagem e recapeamento.

O outro lado

A população que reside e trabalha na Zona Leste se ressente da ausência de obras públicas na área e reclama do tempo de espera. “Aqui é precário. Tem muita coisa para se ajeitar começando pelas ruas. É buraco, sarjeta, saneamento e quando se entra mais nos bairros só piora a buraqueira tornando mais arriscado por conta dos bueiros abertos. O poder precisar olhar um pouco mais para nós porque somos esquecidos”, afirmou a auxiliar de cozinha, Leidiane da Silva, 30.

Na opinião da estudante Beatriz Guimarães, 20, falta planejamento por parte do poder público na execução de obras na cidade. “Aqui na Zona Leste o poder público é negligente tanto em infraestrutura como segurança. O problema se alastra e virá uma situação de bagunça”, afirmou a jovem referindo-se ao ato de plantar árvores em buracos nas ruas.

Asfaltamento

A Seminf informou, por meio de nota, que nos dois primeiros meses de 2018, a prefeitura já recapeou mais de 20 quilômetros de vias. No entanto, as obras não alcançam a população da zona leste, com ações apenas nos bairros da União, Praça 14, Cachoeirinha, Aleixo e na Nova Cidade, conforme informou a Seminf. A pasta esclareceu que já executou, nos quatro primeiros meses do ano, serviços asfálticos em 2,6 mil vias.

Sistema dá localização

A Secretaria Municipal de Finanças (Semef) informou, por meio de nota, que realizou uma adaptação na base de georreferenciamento para publicação das obras gerando a ferramenta Geo obras, disponível no Portal da Transparência Municipal. A pasta não divulgou o valor do serviço.

A Semef esclareceu que as obras são cadastradas por meio de coordenadas, associadas a um cadastro de informações descritivas e métricas das obras. Entre as ações a ser implementadas está a inserção de fotos e documentos.

“Ao acessar aparece as obras concluídas, paradas e em andamento. As obras não terminam rápido. Então, vamos alimentamos conforme o andamento e modificando o status. O que consta são as obras públicas licitadas”, explicou o subsecretário municipal de obras públicas, Madson Rodrigues.

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