Publicidade
Manaus
Manaus

Das casas mais humildes aos restaurantes mais sofisticados, farinha é indispensável no prato dos manauenses

A mandioca espremida, passada na peneira e depois torrada ganha um tom amarelado, com  cheiro e sabor inigualáveis, que só se encontra aqui. É o “carro-chefe” nos mercados e feiras da cidade. 23/10/2015 às 15:50
Show 1
Na banca do feirante Raimundo Alves, no Mercado Adolpho Lisboa, a especialidade é a farinha, que trouxe a família dele do Pará para Manaus
Luana Carvalho Manaus (AM)

Indiscutivelmente, a farinha é a “rainha” da culinária amazonense, complemento “número 1” e indispensável no prato do manauense.  A mandioca espremida, passada na peneira e depois torrada ganha um tom amarelado, com  cheiro e sabor inigualáveis, que só se encontra aqui. É o “carro-chefe” nos mercados e feiras da cidade. Se for da “ovinha” então, o caboclo “se derrete”. 

Pode ser servida como acompanhamento para tudo, mas o que agrada mesmo o paladar do caboclo é a combinação da farinha com os peixes amazônicos, conhecidos por serem os mais saborosos entre os de água doce. O tradicional pirão, feito com a farinha de mandioca, também é pedida certa no cardápio regional, das casas mais simples aos restaurantes mais refinados. 

“Os visitantes saem de Manaus encantados depois de comerem um tambaquizinho com farinha”, atesta o feirante Raimundo Alves Feitosa, 72, que trabalha com a iguaria há 52 anos. “Os manauaras comem farinha com tudo, até na sopa. Mas também tenho muitos clientes turistas, que experimentam, gostam e querem levar para as suas cidades”, revela.

Sustento da família

Vendendo grãos, principalmente a famosa farinha do Uarini, Raimundo criou 11 filhos, sendo que quatro deles também seguiram a mesma profissão de feirante. “Eu morava em Santarém e já trabalhava com esse produto, exportando para Manaus. Em 1991, eu e meu filho mais velho conseguimos uma banca na feira, que não era nem parecida com esta que temos hoje”, disse, referindo-se à Feira Municipal Coronel Jorge Teixeira, muito mais conhecida como feira da Manaus Moderna, no Centro, Zona Sul, onde ele trabalha há 25 anos. 

Ele relembra o quão caótico era trabalhar no local. “Não tinha essa estrutura e trabalhávamos, durante o período da cheia, em meio às águas do rio Negro. Isso aqui era muito horrível e melhorou muito depois da reforma que fizeram em 1994, mas ainda é preciso melhorar mais”, pontua.

Um dos filhos dele, Junior Feitosa, 35, também encontrou na venda de farinha uma boa opção para trabalhar e lembra, com orgulho, da saga enfrentada pela família. “Vim para Manaus com meu pai para trabalhar na feira. Houve dificuldades, como sempre tem, mas essa foi a cidade que nos acolheu e é daqui que tiramos nosso sustento”. 

Raimundo admite que viveu os melhores anos de sua vida na cidade de Manaus. “Desde que botei o pé nesta terra, os dias foram prósperos. Até este ano, não teve um que não tenha sido especial. Agora estamos sentindo um pouco o efeito da crise, mas essa terra é de oportunidades e espero que essa fase passe logo”.




Publicidade
Publicidade