Sexta-feira, 03 de Abril de 2020
SAÍDA

De forma pacífica, moradores do Monte Horebe começam a desocupar invasão

Conforme o titular da Secretaria de Segurança Pública do Estado durante toda a ação não foi registrado nenhum momento tenso



DESOCUPA__O_086324B3-38DD-447B-AD4D-A891363C367D.JPG Foto: Euzivaldo Queiroz
02/03/2020 às 22:07

Parte dos moradores da invasão Monte Horebe, na Zona Norte de Manaus, começaram, na tarde desta segunda-feira (02), a deixar os seus casebres depois das ações sociais do Governo do Estado.  De acordo com a titular da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e de Cidadania (Sejusc), Caroline Braz, até ao final do dia pelo menos 200 pessoas já haviam concordado em deixar a área de forma pacífica e mais de 70 assinaram o Termo de Acordo Individual junto à Defensoria Pública do Estado para receber o auxílio-aluguel no valor de R$ 600.

A dona de casa Beatriz Maia, 23, foi uma das primeiras a assinar o acordo. Ela disse que morava no local havia três anos e que aceitou sair porque foi informada que os que resistirem a permanecer no local ainda assim terão os casebres derrubados.



Beatriz inicialmente, enquanto o dinheiro do benefício não sai, vai morar com o marido e um filho na garagem de uma tia no bairro Grande Vitória, também na Zona Norte. “Preferi sair por bem para não perder o que já tinha construído”, disse.

Jasmini Marinho, 21, moradora há um ano da ocupação Monte Horebe, e estava se mudando para a casa da sogra. “Eu vou sair porque estou acreditando na possibilidade de ter uma moradia melhor”, disse a mulher. Ela está ciente que depois de ter assinado o contrato não poderá voltar a morar no local.

De acordo com o secretário de Segurança Pública, Louismar Bonates, durante o dia de hoje foram derrubados 300 casebres que foram identificadas como de especulação imobiliária, entre eles algumas igrejas, comércios e até um 'inferninho'.

O secretário destacou que nessa primeira fase somente as moradias vão ficar, enquanto as famílias estão sendo cadastradas. “Depois desta fase não ficará pedra sobre pedra, tudo será derrubado para o Estado entrar”, disse Bonates.

Conforme o secretário, uma parte da área da ocupação vai ser usada pela segurança pública. No local será construído o quartel do Batalhão de choque, uma área de treinamento para as policias, o Comando de Policiamento Área (CPA) Norte II, e um Distrito Integrado de Polícia.

“Vamos destinar essa área para a segurança porque o Viver Melhor foi construído sem nenhum aparato de segurança e por isso houve esse adentramento de criminosos”, frisou Bonates.

A operação

Louismar Bonates destacou que a ação de desocupação começou às 6h da manhã com todo sistema de segurança pública – com total de mil homens – fazendo a segurança da área, dos servidores e moradores.

A Polícia Civil realizou o trabalho dentro do Viver Melhor para evitar fugas de possíveis lideranças do tráficos de drogas, os Bombeiros entraram com maquinário para evitar incêndios e a Polícia Militar com a tropa especializada fazendo a desocupação do terreno.

Conforme Bonates durante toda a ação não foi registrado nenhum momento tenso. Inicialmente alguns moradores demonstraram nervosismo, pois estavam acostumados com a ação de desocupação com derrubadas e confrontos entre invasores e a polícia. Foram presos dois traficantes, já identificados, que estavam incitando a população a agir violentamente contra o Estado.

O secretário avaliou o resultado da ocupação como excelente. “Foi feita de forma mais ordeira possível, não tivemos incidente, foi uma ação inédita no Estado e no país a forma como foram conduzidos os trabalhos de hoje. Fizemos uma reunião de avaliação para que a manhã possamos agilizar ainda mais o atendimento no menor tempo possível e a gente possa dar o atendimento adequado às famílias e fazer o cadastramento da forma céleres possível”, destacou o secretário.

Para o secretário essa foi uma ação diferente, tranquila, foram demolidas apenas as casas que estavam vazias. Algumas famílias chegaram a tirar seus móveis achando que teriam os seus casebres derrubados, mas, ao comprovarem que moravam no local, foram orientados a permanecerem.

O pintor de paredes Alex Barbosa, 27, disse que passou a noite sem dormir, orando temendo que o pior acontecesse. Por volta das 4h de hoje ele retirou os seus móveis e colocou do outro lado da rua. Conforme o secretário Bonates, quando os policias chegaram, o encontraram de joelhos orando. Ele comprovou que realmente era morador do imóvel e foi autorizado a permanecer.

De acordo com o secretário, a ação social encerrou hoje às 17h, mas o policiamento vai permanecer no local por 24h. Amanhã os trabalhos reiniciam às 6h. A expectativa é que amanhã os trabalhos dobrem e que mais pessoas procurem a Defensoria para firmar o acordo.

Repórter de A Crítica

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