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De pescador a feirante, há 30 anos, é do mais popular peixe regional que José 'tira o sustento'

O cinza do jaraqui, que pescava no passado e que hoje vende na feira, permitiu ao feirante José Pereira investir na educação dos três filhos, o maior legado dele 23/10/2015 às 15:40
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Da dura rotina de pescador até a venda do produto na feira, José Pereira sempre viveu da venda do jaraqui
Omar Gusmão ---

O cinza do jaraqui representa o que prende as pessoas por aqui, segundo reza o dito. E, verdade seja dita, a degustação do jaraqui frito com baião de dois e farinha do uarini é um costume dos manauaras que realmente encanta os visitantes. É também a cor que garante boa parte do sustento de José Pereira, 54, que há 30 anos trabalha com peixe. “O frequês compra tudo que é tipo de peixe, mas uma ‘enfiada’ de jaraqui tem que ir no meio”, ensina.

Hoje vendedor em um boxe no porto da Ceasa, no bairro do Mauazinho, Zona Leste, “seu” José entrou no ramo como pescador. “O pescador sofre muito. É o que mais sofre. Não dorme direito. É 90% melhor  vender do que estar no meio do mato, em igapós e lagos”, relata o, hoje, feirante.

Nova missão

Desde que decidiu parar de pescar e passou a vender o peixe para o consumidor final, José Pereira já trabalhou em diversas feiras da cidade. Desde a feira do produtor, que acontecia na área externa do estádio Vivaldo Lima (hoje Arena da Amazônia), até a atual feira do produtor existente na Zona Leste da cidade.

Morador do conjunto Nova Cidade, José Pereira é pai de oito filhos que são fruto de três casamentos diferentes. Um dos orgulhos dele são os filhos, que conseguiram chegar ao ensino superior. “Tenho uma filha formada em biologia e dois filhos que estão se formando: um em engenharia civil e outro em arquitetura. Todos criados com o dinheiro do peixe”, faz questão de frisar.

Transformações

Além de comprar o jaraqui de pescadores, o feirante também trata o peixe e o deixa pronto para ser consumido pelos clientes. Segundo ele, os anos 80 e 90 foram os melhores para quem vive de vender peixe.

“Naquele tempo vendia muito. Parece que as pessoas comiam mais peixe. Além disso, não precisava tratar o peixe. As pessoas compravam e tratavam em casa. Do meio dos anos 90 pra cá é que começou esse negócio de tratar. Dá mais trabalho e precisa de mais gente pra trabalhar”, afirma, lembrando que houve um tempo em que se embrulhava os peixes na folha de jornal, mas sem saudosismos desnecessários. “Embalava no jornal e colocava na bolsa. Mas é assim mesmo. Tudo evolui e a gente tem que evoluir junto”, conforma-se.

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