Terça-feira, 21 de Maio de 2019
Manaus

De volta à ativa: Terminal hidroviário ganhou nova vida e é aprovada por usuários

Porto do São Raimundo, que antes estava “entregue às baratas”, servindo de abrigo para usuários de drogas e sendo administrado ilegalmente por um empresário do ramo de embarcações, agora tem um novo aspecto



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Sob administração do poder público, Terminal Hidroviário de São Raimundo ganhou novo fôlego e funciona normalmente com operações de carga e de passageiros .
03/07/2015 às 21:01

Depois de três anos de abandono e uma série de reportagens denunciando o descaso em relação à administração do Terminal Hidroviário do São Raimundo, a Administração das Hidrovias da Amazônia Ocidental (Ahimoc) finalmente está gerenciando o local e o movimento de embarcações melhorou desde fevereiro, de acordo com relatos de trabalhadores do porto.

O que antes estava “entregue às baratas”, servindo de abrigo para usuários de drogas e sendo administrado ilegalmente por um empresário do ramo de embarcações, agora tem um novo aspecto. Há funcionários na guarita, embarcações atracadas e quiosques ocupados.

Embora uma nova licitação para a concessão dos quiosques não tenha sido realizada, os espaços estão sendo ocupados provisoriamente por quem trabalhava nas bancas que antes ficavam instaladas à beira do rio.

“Essas pessoas ficavam debaixo de sol e trabalham há muitos anos como vendedores ambulantes. Como esses espaços estavam vazios, resolvemos realocá-los. A única contrapartida é que eles zelem pelo patrimônio. Os antigos permissionários estão inadimplentes”, informou o supervisor operacional do porto, Edimildo Chaves.

Um dos comerciantes, Francisco Antônio, 52, comentou que o movimento tem melhorado a cada dia. “O porto estava se acabando e sendo depredado. Conseguimos com a Ahimoc que ocupássemos os quiosques. Agora os passageiros têm onde fazer um lanche, almoçar e tomar café da manhã. Estamos cuidando do local”, relatou.

Novela

A CRÍTICA denunciou, no ano passado, o caso do empresário Pedro Paulo, que há pelo menos dois anos tomou irregularmente o porto do São Raimundo sem autorização para exploração enquanto o local estava sem órgão administrador operante. 

Na ocasião, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) deixou claro que a situação era irregular e notificou a Ahimoc, do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), para prestar esclarecimento sobre o fato.

O Terminal Hidroviário do São Raimundo, que foi reinaugurado há três anos pelo Governo do Estado em parceria com o Governo Federal, não funcionava como previsto no projeto por falta de equipamentos navais e balsas flutuantes em “T”, que custam aproximadamente R$ 17 milhões para serem implantadas.

Porém balsas particulares atracam no local e navegam para São Gabriel da Cachoeira, Tefé, Eirunepé, Santarém, Santa Isabel do Rio Negro, no Amazonas, e Óbidos, no Pará.

Embora nem todas as balsas possuam autorização da Capitania dos Portos, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), passageiros estão satisfeitos com o serviço oferecido.

“Muita coisa ainda deve estar irregular, mas pelo menos agora este porto está sendo usado. Era muito triste passar por aqui e ver tudo se acabando”, conta o almoxarife Júlio Vieira, 34.

Barcos recreio, que antes atracavam na orla do São Raimundo, onde recentemente foi inaugurado o parque Rio Negro, também passaram a operar com saída do terminal hidroviário.

Balsas estão abandonadas

As balsas Boto Navergador 1 e 2, que faziam a travessia entre Manaus e o Cacau Pirêra, estão abandonadas e sem previsão para entrarem em reforma. As embarcações pararam de operar  em 2011.

De acordo com o diretor-presidente da Superintendência Estadual de Navegação, Portos e Hidrovias (SNHPH), Walfrido de Oliveira, das seis balsas que antes faziam a travessia, quatro estão operando.

As outras duas estão paradas e sem condições para navegação.

Para a recuperação de cada uma seriam necessários R$ 4 milhões, segundo Walfrido.

“Temos que esperar uma determinação do Governo do Estado para saber como proceder com as balsas. Também podem ir a leilão. Mas por enquanto estamos cuidando do patrimônio”, ressaltou.

A balsa ‘Bacural’ está cedida para a Prefeitura de Autazes, onde faz a travessia para Nova Olinda do Norte. A ‘Cacau Pirêra’ está operando no Município de Novo Aripuanã. A ‘Iranduba’ está servindo para atender demandas governamentais e a ‘Solimões’ dá suporte às demais balsas.


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