Sábado, 20 de Julho de 2019
CIDADANIA

DPE adota programa de ressocialização para jovens e adolescentes em Manaus

O projeto "Ensina-me a Sonhar', que foi lançado no ano passado, conta com mais de 200 participantes com acompanhamento psicológico, social e capacitação profissional



SELE__O_DE_EST_GIO_DO_ENSINA_ME_A_SONHAR_8BE173DE-FC92-4C0B-8A95-DF8614CEA509.jpeg Foto: Divulgação
06/01/2019 às 19:21

“Muita gente não acreditou na gente, mas vocês acreditaram. E nós só temos a agradecer, porque a nossa vida mudou muito e ainda está mudando”. É com esse agradecimento que o adolescente João (nome fictício), 17, diz muito sobre como o projeto Ensina-me a Sonhar tem transformado a realidade de adolescentes que cumpriram medidas socioeducativas. Por isso, em 2019, o projeto passará a ser um programa institucional da Defensoria Pública.

Com uma série de apresentações de profissionais de diversas áreas de carreira em formato de bate-papo e oferecendo a oportunidade de estágio na Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), o projeto tem o objetivo de combater a reincidência, promovendo a ressocialização dos jovens por meio da capacitação e acompanhamento psicossocial.

O agradecimento de João veio no encerramento das atividades do projeto em 2018, quando o Ensina-me a Sonhar expandiu suas atividades para mais dois centros socioeducativos, além do Dagmar Feitosa.

Coordenado pelas defensoras públicas Juliana Lopes, Dâmea Mourão e Monique Cruz, o projeto já atendeu, de abril de 2017 até dezembro de 2018, mais de 200 adolescentes que estão cumprindo medidas socioeducativas. Neste período, 12 jovens, entre meninos e meninas, foram selecionados para estágio na DPE-AM.

“É muito gratificante ver a mudança de perspectiva desses adolescentes. Muitas vezes chegamos nas unidades e os vemos apáticos, sem esperança, e através do projeto eles passam a conhecer outras histórias de superação e percebem que podem continuar a sonhar com um futuro”, afirma a defensora Juliana Lopes.

Ao longo dos dois primeiros anos, passaram pelo projeto mais de 20 palestrantes de diversas áreas de carreira, que compartilharam com os adolescentes suas histórias de vida e de superação de dificuldades. Em janeiro de 2018, o projeto expandiu suas atividades para a unidade de internação Senador Raimundo Parente, levando uma Oficina de Redação com o professor Tenório Telles. Em fevereiro, foi oferecida aos jovens uma oficina de produção de textos no Dagmar Feitosa, também com o professor, com o objetivo de produzir textos para um livro do Ensina-me a Sonhar (em processo de edição).

O projeto também expandiu suas atividades para a unidade de internação e semiliberdade feminina, levando palestrantes para falar da sua história de superação para as meninas do Centro Socioeducativo Marise Mendes, de onde quatro meninas foram selecionadas para iniciar o estágio na Defensoria Pública.

“Este projeto teve a ideia de apresentar aos jovens novas referências, histórias de superação, a fim de semear neles a possibilidade do sonho, de um destino diferente. O ser humano precisa acreditar em si, para vencer diariamente os medos, as inseguranças e poder, assim, traçar metas para o futuro e acreditar na realização de seus projetos”, avalia a defensora Dâmea Mourão, que afirma ser gratificante acompanhar a evolução dos adolescentes.

Em 2018, o Ensina-me a Sonhar foi inscrito no Prêmio Innovare, em maio, sendo qualificado entre os semifinalistas. O projeto recebeu a visita do representante do Innovare para conhecimento in loco.

O projeto tem atualmente nove adolescentes que foram selecionados para estágio na Defensoria Pública. Os meninos e meninas cumpriram medidas socioeducativas nos centros Dagmar Feitosa e Marise Mendes e tiveram bom desempenho nas atividades do projeto. E um deles foi aprovado no curso de Direito da Fametro e do Ciesa.

Mudança de vida

Entre os estagiários do projeto está também Ana (nome fictício), 17, que está há um mês estagiando na unidade da DPE da Infância e Juventude Cível, fazendo a triagem dos assistidos que buscam atendimento.

Ana conta que estava cumprindo sua medida no Marise Mendes e, como estava prestes a ganhar a liberdade, estava preocupada pensando sobre o que faria de sua vida, principalmente porque agora é mãe e tem uma filha de apenas 11 meses.“O projeto abriu um caminho para mim. É bem legal trabalhar lá. Estou aprendendo muitas coisas e gosto de trabalhar com crianças, que são pessoas indefesas e que lá muitas vezes estão em situação de risco”, afirmou. As defensoras públicas Juliana Lopes, Monique Cruz e Dâmea Mourão fazem um balanço positivo sobre os resultados obtidos neste ano.

A assistente social da DPE, Paullette de Oliveira, que faz visitas periódicas às famílias dos adolescentes, também observa mudanças positivas nos adolescentes atendidos pelo projeto. Segundo ela, as famílias têm relatado melhoras no comportamento dos jovens, que têm se tornado mais responsáveis e atenciosos.

A defensora Carol Rocha, que atua na unidade de DPE do Shopping Sumaúma, onde João está estagiando, afirma que o mais importante é a integração que o projeto Ensina-me a Sonhar proporciona aos adolescentes.“Observo uma evolução muito grande nele. Ele faz a triagem dos assistidos, que é uma função fundamental, e a gente nota a mudança de postura dele, como é educado com as pessoas, como é proativo. A gente espera que ele leve isso para além da Defensoria”, concluiu.

*Com informações da assessoria de imprensa

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