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CIDADANIA

Defensoria Pública lança projeto de ressocialização para adolescentes infratores

Projeto 'Ensina-me a Sonhar', lançado hoje no Centro Socioeducativo Dagmar Feitosa, vai oferecer palestras motivacionais e bolsas de estágio no órgão 27/04/2017 às 15:33 - Atualizado em 27/04/2017 às 15:34
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Projeto foi lançado nesta quinta-feira (Foto: Valdo Leão / Secom)
acritica.com* Manaus (AM)

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) lançou, nesta quinta-feira, dia 27 de abril, o projeto “Ensina-me a Sonhar”, voltado à ressocialização de adolescentes que cumprem medidas socioeducativas em Manaus. O Centro Socioeducativo Dagmar Feitosa, que fica no bairro Alvorada, zona centro-oeste de Manaus, é o primeiro a receber o projeto, que vai oferecer, além de palestras motivacionais, bolsas de estágio na Defensoria Pública. A iniciativa conta com a parceria da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc).

O Centro Socioeducativo Dagmar Feitosa mantém atualmente 61 adolescentes cumprindo medidas socioeducativas por infrações como roubo e tráfico de drogas, principalmente. Por meio do “Ensina-me a Sonhar”, profissionais de diversas áreas de carreira que enfrentaram dificuldades em suas vidas serão convidados para entrevistas mediadas por defensores públicos e acompanhadas pelos adolescentes, que poderão fazer perguntas. Além das entrevistas motivacionais, realizadas a cada 15 dias, a Defensoria selecionará 10 adolescentes para estágio na instituição.

O defensor público geral do Amazonas, Rafael Barbosa, afirmou que o projeto é uma forma da Defensoria Pública contribuir para reduzir a incidência em atos infracionais e oferecer uma nova perspectiva de vida aos jovens que cumprem medidas socioeducativas. A expectativa, ao longo do projeto, é ampliar parcerias para que outros órgãos do sistema de justiça também acolham esses jovens, oferecendo alternativas de futuro.

Para a Sejusc, o projeto “Ensina-me a Sonhar” se soma a outras iniciativas para ressocialização dos jovens que cumprem medidas socioeducativas em Manaus. DFe acordo com o secretário executivo da Sejusc, Nildo Melo, as iniciativas têm como objetivo inserir os jovens no mercado de trabalho e combater a reincidência em atos infracionais.

A defensora pública Juliana Lopes, titular da Defensoria Especializada na Execução de Medidas Socioeducativas, afirmou que muitos dos jovens atendidos pela instituição no Dagmar Feitosa demonstram estar desmotivados e sem esperança de seguir uma trajetória longe do crime. “Queremos mostrar que existe alternativa, não é o fim da história desses adolescentes”, afirmou a defensora pública, ao destacar que há Estados do país em que 80% dos adolescentes que não voltaram a praticar atos infracionais passaram por projetos de ressocialização fora das unidades de internação.

Inicialmente, serão oferecidas dez bolsas de estágio aos internos do Dagmar Feitosa, que serão selecionados mediante critérios como assiduidade e interesse nas atividades do projeto, bem como bom desempenho no projeto “Teens ao Máximo”, desenvolvido pela Sejusc nas unidades socioeducativas de Manaus a partir da oferta de cursos de capacitação, em parceria com o Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam).

Palestras – No “Ensina-me a Sonhar”, as palestras abertas a perguntas servirão para que os profissionais convidados mostrem aos adolescentes que é possível superar as adversidades para obter êxito em suas vidas particulares e em suas carreiras de trabalho. “Queremos mostrar aos adolescentes que é possível, mesmo que seja difícil. A ideia é que abandonem a ideia de que estão estigmatizados”, explica a defensora pública titular da 7ª Defensoria Pública Criminal de 1º Grau, Monique Rodrigues da Cruz, que também coordena o projeto, juntamente com Juliana Lopes e a defensora pública Dâmea Mourão Telles, titular da 6ª Defensoria Pública de Atendimento Cível.

O primeiro palestrante foi o defensor público Everton Sarraff, que contou sua trajetória desde a vida humilde no município de Parintins até tornar-se defensor público, o primeiro do Brasil vindo do interior do Amazonas, com formação em escola pública. Entre os próximos convidados estão Mestre Marcinho, lutador de Jiu-Jítsu que treinou o lutador José Aldo em Manaus, e o escritor Tenório Telles.

A seleção dos adolescentes para estágio na Defensoria Pública será feita a cada três meses, até que se alcance o número total de 10. O estágio terá duração de um ano e os adolescentes receberão uma bolsa, cujo valor ainda será definido, além de vale transporte.

 “Esta é uma forma de a Defensoria contribuir para proporcionar uma experiência profissional aos adolescentes e também recursos para que estes jovens ajudem suas famílias”, comenta a defensora Monique Rodrigues. O estágio é possibilitado pela legislação que trata das medidas socioeducativas, que permite que o adolescente interno de Centro Socioeducativo saia para esta finalidade, desde que tenha autorização da direção da instituição e cumpra o dever de retornar.

*Com informações de assessoria
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