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Déficit habitacional em Manaus é um problema pertinente

Prédio inacabado, na rua Japurá,  foi invadido há 15 anos e é o exemplo do problema de déficit habitacional na capital amazonense 22/09/2014 às 22:08
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Déficit habitacional relativo no Amazonas é o pior do País
Rosiene Carvalho ---

Manaus exibe bem no Centro uma mostra da dura realidade da falta de moradias adequadas e do pior déficit habitacional do País. Aproximadamente cem família vivem num prédio público “improvisado” como apartamentos na rua Japurá, Praça 14 de Janeiro. O improviso dura 15 anos.

De acordo com estudos da Fundação João Pinheiro, o déficit habitacional relativo no Amazonas é o pior do País. E Manaus também está no topo do ranking quando se considera os números relativos (ao total de domicílios) por capitais.

O déficit de Manaus é de 22,9%, enquanto capitais mais populosas como São Paulo e Rio de Janeiro têm índice, respectivamente, índices de 13,3%  e 10,3%. A população de São Paulo é de 11, 8 milhões de  habitantes e do Rio de Janeiro de  6, 4 milhões. Manaus tem hoje  2 milhões. O estudo foi realizado quando os indicadores do IBGE apontavam população da cidade de 1,8 milhão. Segundo dados do Governo Federal, nos últimos quatro anos  foram entregues 14.335 moradias populares no Amazonas e outras 30.384 estão em construção.

A quantidade, no entanto, ficou abaixo da necessidade da população que engrossa as estatísticas do déficit habitacional. A dona de casa Rose Souza, 33, mora com o marido, que é ajudante de pedreiro, e duas filhas adolescentes numa das salas do prédio público na Japurá. Disse que já fez o cadastro para acesso às casas construídas pela Superintendência Estadual de Habitação e Assuntos Fundiários (Suhab) várias vezes, mas nunca foi contemplada. “Eles só dizem que nós não somos prioridade. Só quem mora em alagado”.

Segundo o estudo do Ministério das Cidades, o déficit habitacional em Manaus é evidenciado por meio das seguintes condições: 13.131 domicílios são considerados precários (rústicos ou improvisados); em outros 54.899 há situação de coabitação (famílias conviventes com intenção de se mudar ou residentes em cômodos); também evidenciou-se, no estudo, que 26.801 domicílios representam  valor do aluguel  superior a 30% da renda domiciliar total (excedente de aluguel); e 10.756 domicílios são alugados e tem mais de três habitantes utilizando o mesmo cômodo (adensamento excessivo).

Histórias em cada habitação

Sem dinheiro para pagar aluguel após chegarem do município de Codajás em busca de oportunidades de emprego e atendimento de saúde em Manaus, as irmãs Jane Rodrigues da Silva, 40, e Leonete  Rodrigues da Silva, 37, dividem  hoje uma sala do prédio da Japurá, que “funciona” como duas habitações.

Jane veio primeiro e morava numa das salas com o marido e filha. A irmã começou a enfrentar dificuldade de acesso a tratamento de saúde para o filho de 14 anos que é portador de deficiência mental. Jane, então, dividiu o cômodo com a irmã e fez do local duas habitações. Leonete, que está sem emprego, conta com a ajuda da irmã e dos vizinhos.

A dona de casa Rose Souza, 33, que é uma espécie de síndica do local, afirma que tem crianças que já nasceram no prédio e cresceram na condição de moradia de improviso. O local, embora invadido, é reconhecido por órgãos públicos. Os Correios, por exemplo, entregam correspondência nos endereços. Cada apartamento tem seu número.

Estratificação

No Amazonas, do total de déficit habitacional, 51.082 são de domicílios precários, 98.252 de coabitação, 31.102 com aluguéis que representam ônus de mais de 30% do orçamento mensal da família e 13.474 que são adensamento. Ou seja, mais de três pessoas por cômodo em moradia alugada.


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