Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019
Manaus

Delegacia de Crimes Cibernéticos continua somente no papel

Anunciada em 2012, a Delegacia continua na fase de projeto, o que facilita a vida dos fraudadores no Amazonas



1.jpg Pesquisa apontou que os 'fraudadores online' preferem os setores de telefonia, móveis, videogame e eletroeletrônicos
09/05/2015 às 11:35

Há cinco meses, a auxiliar de serviços gerais Jorgete Mendonça, 39, foi vítima de um furto no ônibus, mas ela só se deu conta quando chegou no trabalho e percebeu que a carteira com todos os documentos e cartões de crédito havia sumido. Imediatamente, ela ligou para as operadoras, na tentativa de cancelá-los, mas não obteve sucesso.

Dias depois, a surpresa: a fatura chegou com uma compra que ela não havia feito, no valor de R$ 270. A desconfiança dela é que os assaltantes tenham usado a internet para comprar, já que o cartão possui senha. “Só pode ter sido isso porque nem eu conseguia comprar nas lojas sem a senha. Fui à delegacia para registrar boletim de ocorrência, mas ficou por isso mesmo. Tive que tirar a segunda via de tudo e ainda tive que pagar a dívida que eles fizeram”, lamentou Jorgete.

Problemas como os de Jorgete poderiam ter soluções mais rápidas se a Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos, anunciada em 2012, tivesse saído do papel. Três anos depois, o projeto continua na fase de projeto e crimes que acontecem no mundo virtual dificilmente são investigados.

Mesmo assim, segundo o delegado da Delegacia Interativa da Polícia Civil, Irineu Brandão, eles podem ser registrados em qualquer Distrito Integrado de Polícia (DIP). “Não fazemos distinção se um crime de estelionato, por exemplo, acontece no físico ou no virtual, qualquer delegacia pode fazer o registro e investigar o caso”, afirmou Brandão.

O Diretor de Policiamento Metropolitano da Polícia Civil, Rozenildo Benedeto, confirmou que o projeto da Especializada existe, mas empecilhos como falta de estrutura, mão-de-obra especializada e servidores qualificados dificultaram a implantação da delegacia. No entanto, ele destacou a importância de vigorar um projeto como esse. “Hoje todo mundo tem acesso à internet e os crimes também acontecem no mundo virtual. Queremos dar um novo impulso ao projeto, mas ainda não podemos dizer quando ele sairá do papel”, afirmou o delegado. 

Levantamento

Embora a Polícia Civil do Estado não possua dados referentes a fraudes em transações ocorridas no universo online, uma pesquisa realizada recentemente por uma empresa especializada em transações comerciais de São Paulo apontou que a região Norte é a segunda menos segura do País para realização de compras no espaço digital. Em contrapartida, o Amazonas foi o único Estado que conseguiu diminuir os índices fraudes no comparativos 2013/2014. 

Segundo a pesquisa, de todas as transações financeiras feitas no Estado no ano passado, apenas 6,82% foram detectadas como fraudulentas, ou seja, não era o dono do cartão que estava fazendo a operação. Em 2013, as tentativas de fraudes representaram 7,51% de todas as transações.

Telefonia é o alvo favorito dos bandidos

De acordo com a pesquisa realizada por uma empresa especializada de São Paulo, os segmentos preferidos dos “fraudadores online” são os de aparelhos de telefonia celular (18,07%), móveis e itens para casa (15,49%), aparelhos e jogos de videogame (10,01%), eletroeletrônicos (8,99%) e produtos de informática (8,43%).

O estudo apontou que o campeão em fraudes em compras na internet é o Acre, com 8,54%. Em 2013, as tentativas de fraudes representaram 4,32% de todas as transações feitas online.

Em seguida vêm os Estados do Amapá, cujo índice passou de 6,56% para 7,03%; Pará, de 5,60% para 6,17%; Roraima, de 3,91% para 4,21%; Rondônia, de 3,27% para 4,99%; e o Tocantins, de 7,03% para 8,06%.

Para Omar Jarouche, gerente de inteligência da ClearSale, empresa que movimenta 80% das transações financeiras dos e-commerces do País, a dica para não cair na lábia do “estelionato virtual” é tomar cuidado com os cartões e sempre verificar a procedência do site. “A internet ainda é um ambiente seguro para fazer compras, desde que o cliente saiba como usar as ferramentas. Na dúvida, compre apenas em sites confiáveis”, advertiu.


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