Domingo, 23 de Fevereiro de 2020
FAKE NEWS

Delegada desmente ‘onda de sequestros’ divulgadas nas redes sociais no AM

Conforme a titular da Delegacia Especializada em Proteção a Criança e ao Adolescente (DEPCA), não há sequer um boletim de sequestro registrado. ‘Fake news sobre os casos atrapalham investigações’, disse



show_WhatsApp_Image_2020-01-23_at_11.38.20_97C196DF-A388-4092-96B1-CEED0DCDE932.jpeg Foto: Marcos Lima
13/02/2020 às 19:42

Não há sequer um boletim de sequestro de crianças ou adolescentes registrado na Delegacia Especializada em Proteção a Criança e ao Adolescente (Depca), conforme informou na tarde desta quinta-feira (13) a titular da especializada, Joyce Coelho, durante entrevista coletiva onde ela alertou a população que nos últimos dias vem divulgando pelas redes sociais notícias falsas, as chamadas ‘fake news’.

“Percebemos nos últimos dias uma crescente onda de fake news, uma espécie de terrorismo virtual que vem atrapalhando o foco da polícia que a busca pelo único desaparecido no momento, o menino Erlon Gabriel, de 2 anos de idade. Esse a gente ainda não conseguiu identificar se foi um sequestro ou não e não há nenhum indício nessa linha de investigação.”, disse a delegada Joyce.



Conforme a delegada, as notícias falsas só têm atrapalhado o trabalho da polícia e está espalhado o pânico entre a população que passa a acreditar nas mentiras como se fossem verdade.  De acordo com Joyce, há dois falsos sequestros em que os procedimentos realizados para resgatar essas crianças foram errados, por pessoas que não deveriam fazer.

De acordo com a delegada, nesses dois casos, o curioso é que não houve o registro de Boletim Ocorrência (BO) de sequestro em nenhuma delegacia. 

“E as pessoas acabaram, não sei por qual motivação, publicando em redes sociais que se tratava de um sequestro. Seqüestro é um crime grave que deve ser prisão em flagrante. Isso [fake news] só serve pra causar pânico população nos dois últimos dias”, afirmou.

Casos divulgados

Conforme a delegada, o primeiro caso é da menina de 9 anos de idade do bairro Colônia Antônio Aleixo, Zona Leste de Manaus. Ela já sofria abusos familiares, reincidentes passagens na delegacia e pelos abrigos e por conta disso vivia fugindo de casa, porque vivia em situação de exploração tanto sexual e de trabalho infantil.

Não pode mostrar imagem da criança, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) não permite que se mostre principalmente para fins que não sejam os investigativos. Essa criança foi entregue diretamente para a família, ela tinha sido retirada da família em dezembro e foi reintegrada porque a criança deve estar sempre com a família.

A jovem havia sido convidada por uma colega para ir para Iranduba, onde estava vivendo na casa de uma família. Ela foi entregue a sua família sem passar pelos procedimentos legais como examem que pudessem ajudar na averiguação. A delegada de Iranduba tomou as medidas necessárias e instaurou o inquérito policial sobre o caso.

De acordo com a delegada, a menina foi retirada da família e colocada em abrigo definitivo, porque a mesma não tem mais nenhuma condição de ficar na casa com os pais.

“Ela não sabe ler, aos 9 anos, e nos disse que estava no sinal pedindo dinheiro porque queria comprar material escolar e agora já estava encaminhada para começar os estudos”, informou Joice.

O outro caso é dos meninos que saíram de casa de espontânea vontade, por pura travessura, pediram dinheiro porque queriam merendar, foram ao shopping e à Ponta Negra e depois voltaram para casa, mas alguém resolveu divulgar pelas redes sociais como sequestro.

“As mães vieram a DEPCA e explicaram o que aconteceu”, disse a delegada.

Repórter de A Crítica

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