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Manaus
INVESTIGAÇÃO

Delegada e marido libertavam presos após pagamento de valores, diz denuncia do MP

Segundo as denúncias recebidas pelo MP-AM, a delegada e seu marido, um agente penitenciário, libertavam pessoas presas sem audiência de custódia e mesmo sem registro em boletim de ocorrência das prisões 19/10/2018 às 16:53 - Atualizado em 19/10/2018 às 17:17
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Foto: Divulgação
acritica.com Manaus (AM)

O agente penitenciário Antônio Jorge de Albuquerque Santiago, marido da delegada Alessandra de Souza Braga, titular da Delegacia de Codajás, “conversava com pessoas presas no município e, após, elas eram libertadas e saíam da delegacia”. Esse depoimento de um denunciante está presente na representação do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) contra o casal. Alessandra foi presa nesta sexta-feira (19) durante a Operação Navalha, por suspeita de crimes de corrupção e tráfico de drogas. Também foi preso um traficante líder de uma organização criminosa.

Segundo as denúncias recebidas pelo MP-AM, a delegada e seu marido libertavam pessoas presas em flagrante após pagamento de valores sem que fossem lavrados flagrantes, sem audiência de custódia e mesmo sem registro em boletim de ocorrência das prisões. De acordo com as denúncias, mediante pagamento de autores de delitos, vítimas chegaram a ser detidas, também sem qualquer motivo aparente. Entre os presos liberados informalmente na delegacia, estavam traficantes presos pela Polícia Militar.

A representação foi ajuizada no dia 23 de setembro de 2018 e pediu a prisão preventiva, a suspensão do exercício das funções públicas e a quebra do sigilo bancário e fiscal dos dois. Nesta sexta-feira (19), a Secretaria de Segurança deflagrou a Operação Navalha e prendeu Alessandra e o marido dela.

“Desde o início da atuação deste membro do Ministério Público em Codajás, recebi informações de que servidores lotados na Polícia Civil do Estado do Amazonas, na Polícia Militar do Estado do Amazonas e na Guarda Municipal do Município de Codajás/AM na referida Comarca negligenciavam suas atribuições e, em algumas vezes, facilitavam, contribuíam e participavam de atividades criminosas”, relatou o Promotor de Justiça Weslei Machado, autor da representação.

Além da associação para o tráfico, o MP-AM obteve indícios de práticas de corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, abuso de poder, abuso de autoridade, fraude processual, concussão, dano qualificado e submissão de adolescente a situação constrangedora.  

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