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Manaus
ATENTADO

Delegado acusa policiais militares por atentando em município do AM

Após enquadrar policiais suspeitos tortura, corrupção, abuso de autoridade, o delegado Jardel Rodrigues foi alvo de atentado em Manicoré 02/08/2017 às 09:48 - Atualizado em 02/08/2017 às 09:50
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Placa da viatura incendiada por bandidos, que, diz o delegado, são policiais militares investigados por crimes (Foto: Divulgação)
Kelly Melo Manaus (AM)

Uma viatura descaracterizada da Polícia Civil foi incendiada em Manicoré (a 333 quilômetros) na manhã de ontem. O carro era usado pelo delegado do município, Jardel Rodrigues de Oliveira. O delegado acredita que o incêndio criminoso tinha o objetivo de matá-lo. Segundo o delegado, policiais militares podem ter sido os mandantes do atentado. Em menos de um mês, este é o segundo caso de atentado a delegados no interior do Amazonas.

Jardel Oliveira contou que estava dormindo quando ouviu o barulho do carro, uma Voyage de placas PHF 5346, incendiando, em frente ao hotel onde ele mora. Testemunhas também relataram que viram dois rapazes armados nas proximidades do local no início da manhã. “Eles colocaram fogo no carro e aguardavam que eu descesse para me matar”, disse Oliveira.

O delegado está no município desde janeiro e acredita no envolvimento de policiais militares no atentado contra ele. Segundo Jardel, recentemente cinco PMs foram indiciados e outros quatro devem ser indiciados até o fim da semana. “A gente vem trabalhando e descobrimos o envolvimento dessas pessoas em crimes de tortura, corrupção, abuso de autoridade e outros crimes. Além disso, já cheguei a pedir a prisão preventiva de três policiais, mas a Judiciário não acatou”, contou.

Jardel Oliveira também informou que nas duas últimas semanas recebeu bilhetes em tons de ameaças, o que preocupa ainda mais a estadia dele no município.

De acordo com o delegado, os dois homens vistos nas proximidades o hotel ainda não foram identificados. Hoje, uma equipe formada por um delegado, investigadores e um perito desembarca no município para investigar o caso. “Ainda não podemos adiantar nada porque a equipe ainda vai chegar no município para apurar os fatos”, informou o diretor do Departamento de Polícia do Interior (DPI), Mariolino Brito.

Situação preocupante

Para o secretário de Segurança Pública (SSP-AM), Sergio Fontes, a situação no interior do Estado é preocupante. Mas, de acordo com ele, todos os casos de ataques e atentados a policiais no interior têm sido esclarecidos e os responsáveis pelos crimes, presos. “O aumento de efetivo no interior seria medida recomendável nestes casos. Evitar a impunidade é o melhor remédio em qualquer caso”.

Segundo caso

No mês passado, o delegado de Guajará, Paulo Jorge Gadelha, também foi vítima de um atentado, no qual o veículo dele foi incendiado. Os criminosos ainda tentaram atear fogo na casa onde ele dormia com a esposa e filho, mas não conseguiram. Em menos de uma semana, quatro pessoas foram identificadas e presas por envolvimento no atentado. O mandante do crime foi identificado como José Vagner Silva de Souza, o “Pastor”, que contratou Francisco Silva Pinheiro, o “Nego”, Antônio Laene Silva do Vale, o “Laene”, e Jonatha da Silva e Silva para atear fogo no carro e na casa do delegado.

Em junho deste ano, um homem foi preso e um adolescente foi apreendido em Tapauá (a 449 quilômetros de Manaus) por atearem fogo em uma viatura da Polícia Militar. A ação teria sido executada por bandidos como forma de represália à prisão de traficantes.

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