Quarta-feira, 20 de Novembro de 2019
POLÍCIA FEDERAL

Delegado da PF é investigado por 'vazar' informações da operação Maus Caminhos

Rosinaldo dos Santos Wanderley repassava informações por meio dos advogados dos primeiros investigados na operação



delegado_B9C89310-5F29-4ACC-BE19-9D402298833D.JPG Foto: Reprodução
21/05/2019 às 21:42

O delegado de Polícia Federal Rosinaldo dos Santos Wanderley está sendo investigado acusado de ter passado informações privilegiadas sobre as investigações da operação Maus Caminhos cujo objetivo é desarticular uma organização criminosa especializada no desvio de recursos públicos do Fundo Estadual de Saúde do Amazonas.

Rosinaldo Wanderley está afastado das suas funções de delegado, teve a arma e a carteira de delegado retidas e está proibido de entrar na sede da Superintendência da Polícia Federal, localizada na rua Domingos Jorge Velho, 40, conjunto D. Pedro II, Zona Centro-Oeste de Manaus, a não ser se for intimado para depor.



No mês passado, policiais federais deram cumprimento a mandado de busca e apreensão no gabinete de Rosinaldo Wanderley, na superintendência e na casa onde ele mora alugada no condomínio de luxo Jardim das Américas.

O imóvel, de acordo com o que foi apurado, pertence a um empresário que é conhecido pela polícia como um grande agiota. O delegado está sendo investigado desde o ano passado, quando foi descoberto, com provas robustas, que ele repassava informações por meio dos advogados dos primeiros investigados presos na operação. Ele corre o risco de ser demitido.

Antes de ser afastado o delegado Wanderley não chefiava nenhuma delegacia, apenas cuidava de alguns inquéritos e era subordinado ao delegado regional.Wanderley tem 77 anos de idade, já deveria estar aposentado aos 65, mas preferiu entrar na Justiça para continuar trabalhando.

Durante as fases da operação Maus Caminhos surgiram suspeitas de vazamento de informações. Uma delas, que era para ser surpresa, foi a operação “Cash Back, deflagrada em outubro do ano passado pela Polícia Federal: ela “vazou” e muitos que seriam presos já sabiam que seriam alvos da ação que era um desdobramento da “Maus Caminhos”.

Conforme A CRÍTICA apurou, um dos 16 mandados de prisão seria cumprido no Edifício Mediterraneé, na Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus. O alvo seria um advogado. Quando os agentes chegaram ao condomínio, o advogado não estava em casa. Os policiais federais ouviram que ele havia “viajado” para São Paulo.

Motivos

Há outros motivos para atestar que informações da operação se espalharam antes do “timing” oficial estabelecido pela Polícia Federal. Equipes da imprensa se posicionaram em frente à PF e próximo à casa de investigados da operação ainda na madrugada.

Alvo da operação Cash Back, o empresário Murad Abdel Aziz, irmão do senador Omar Aziz (PSD), decidiu coincidentemente, no dia da operação, não abrir sua academia da qual é dono, a AZ Fitness, que funciona no Parque das Laranjeiras.

Um aviso postado nas redes sociais da AZ Fitness, informava que a academia não funcionaria no dia da operação da PF, devido a “diversos picos de energia” que o estabelecimento estaria sofrendo, forçando reparos na “subestação e gerador”.

Milionária

A Operação Maus Caminhos é a investigação de corrupção com maior volume de recursos públicos, agentes públicos da alta cúpula envolvidos e número de fases de desdobramentos já conduzida pelos órgãos de fiscalização e controle no Estado.  O valor preciso dos desvios praticados pela organização criminosa ainda não foi definido, devido ao fato de que há frentes da investigação ainda em aberto, mas estima-se que ultrapasse a casa dos R$ 50 milhões.

Fases

A 1ª fase da Maus Caminhos ocorreu em setembro de 2016, quando o médico Mouhamad Moustafa foi preso apontado como chefe do esquema de desvio de verbas na saúde pública no Amazonas. A 2ª fase ocorreu no início de outubro de 2018. A ação foi intitulada operação “Custo Político” e resultou na prisão de ex-integrantes do governo:  Pedro Elias, ex-secretário de Saúde e diretor do Hospital Francisca Mendes (prisão preventiva); Wilson Alecrim, ex-secretário de Saúde (prisão preventiva) e; Aroldo Pinheiro, ex-subcomandante da Polícia Militar (preventiva).

Também foram presos Raul Zaidan, ex-chefe da Casa Civil (temporária); Evandro Melo, ex-secretário de Administração do Amazonas (preventiva); Afonso Lobo, ex-secretaria de Fazenda (preventiva); e de dois ex-secretários executivos da Susam que não tiveram as identidades reveladas.

A participação do ex-governador José Melo no esquema foi identificada na 3ª fase, por meio de conversas telefônicas interceptadas entre o irmão dele e Mouhamad Moustafa. Há indícios que a movimentação financeira do ex-governador é incompatível com sua renda.

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