Sexta-feira, 19 de Abril de 2019
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Manaus

Delegado vai ouvir agressor e vítima atingida por golpes de MMA em escola de Manaus

Agressão de adolescente a colega vira caso de polícia. Especialistas avaliam repercussão do caso


07/04/2015 às 10:12

Com mais de 1 milhão de visualizações, as imagens divulgadas nas redes sociais no último dia 3 de abril  mostrando um garoto de 16 anos agredindo um colega de 13 anos dentro da escola de idiomas Icbeu,  filmadas por outros adolescentes, causaram revolta na internet.

A exposição dos menores  preocupa especialistas que identificam as  ameaças ao agressor como um perigo à integridade física do garoto e alertam para a necessidade de discutir o assunto com cuidado.

Na próxima semana o delegado  da Especializada em Apuração de Atos Infracionais (Deaai), Nilson dos Santos, vai ouvir os dois adolescentes que aparecem no vídeo publicado nas redes sociais.

Tanto os adolescentes quanto os pais  foram chamados para a audiência. Por se tratar de menores, o delegado Nilson preferiu não divulgar a data em que todos os envolvidos irão à delegacia com o objetivo de esclarecer os fatos.

Para o conselheiro tutelar da Zona Centro-Sul, Carlos Duarte, a família do adolescente que aparece como agressor nas imagens também precisa registrar  a ocorrência policial, uma vez que as ameaças online podem se tornar perigos reais.

“Uma medida sócio-educativa, dependendo da investigação, deve ser aplicada nesse menino que aparece como agressor. É como se corrige erros de menores. As pessoas estão ameaçando como se esse tipo de conduta resolvesse algo”, adverte o conselheiro tutelar.

Segundo ele, tanto o agressor quando a vítima precisam de acompanhamento psicológico. “O mais velho precisa de suporte porque só vamos saber o motivo de tanta violência se soubermos o que está acontecendo com ele, com a família. Não há como julgar, ameaçar e ofender uma pessoa que ainda está formando a personalidade e que cometeu um erro”, ressalta.

Para o doutor em Linguística e aluno de Psicologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Sérgio Freire, os julgamentos e as ameaças na internet transformaram a ação em uma nova violência. “Da mesma forma que o garoto agredido sofreu, o outro rapaz, por cometer um erro, é vítima de uma nova  violência. Ao passo em que condenam a ação  intimidando e ofendendo o jovem, as pessoas praticam a mesma coisa”.

A psicóloga Iolete Ribeiro, professora doutora da Ufam, avalia que a exposição é consequência de uma geração cada vez mais informatizada. Para ela, a  escola deve tomar providências sem deixar a punição de lado, mas também dar oportunidades para que os alunos envolvidos pensem sobre o que aconteceu, chamando-os para um exercício de reflexão.

Porém, grande parte da responsabilidade da educação também parte da família, segundo a especialista. “A família muitas vezes colabora com essa violência quando não se posiciona, não interfere na medida em que as crianças e adolescentes demonstram esse comportamento. A criança não nasce com preconceito, ela aprende a ter preconceito”, ressalta.

Histórico

O vídeo mostra o estudante agressor aplicando golpes de jiu-jitsu e MMA ao tentar  estrangular um colega por causa de um pirulito. Outros alunos presenciavam a agressão e, apesar de pedirem para que o colega parasse, riram e filmaram todo o ato de violência. Desde  que as imagens tomaram o Facebook, vários internautas “juraram vingança”.

Uma campanha com o uso da hashtag #NãoéSóumPirulito também tomou grandes proporções nas redes sociais. Tanto o Instituto Cultural Brasil Estados Unidos (Icbeu) e a Escola Idaam informaram que estão apurando os fatos. Ontem o delegado da Deaai, Nilson Santos,  informou que vai ouvir os adolescentes e os envolvidos na próxima semana.

Lato Sensu calado

O Centro Educacional Lato Sensu, onde estudam o adolescente agressor e os colegas que observaram e gravaram a cena, não se manifestou sobre o assunto. Uma moça que se identificou como secretária da diretora informou que a ela está viajando e não há alguém que possa se pronunciar sobre o assunto e as providências tomadas no âmbito escolar.

A situação é tratada como espetáculo, avalia professor Sérgio Freire

"O que espanta  é a forma como a situação é tratada, como espetáculo. Quem grava o vídeo amplifica a questão, mas não se contenta apenas em vivenciar um fato, mas de torná-lo imagem e divulgar sem medir as consequências do ato. Tudo isso é fruto de um desrespeito constante com o outro que só cresce na nossa sociedade atual", observa Freire.

"Isso  não acontece só nas escolas, mas nos ambientes de trabalho e em outros espaços.  O que temos de fato é a mesma prática. Ela só é renomeada dependendo do cenário. E muitos dos que condenam o bullying escolar praticam abertamente outros tipos de violência simbólica. O mais grave: sequer se dão conta disso. Nos comentários sobre o vídeo, não foram poucos os que juraram dar no garoto agressor  uma boa surra", comenta.

"A diferença constitui nossa sociedade e nosso maior desafio neste início de século é encontrar um modo de conviver com a diferença que amplie a qualidade de vida de todos. Penso que a cada um de nós cabe combater a assimetria de poderes mal distribuídos, assimetria essa que leva às práticas abusivas vistas no vídeo”, conclui o professor.


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