Terça-feira, 23 de Abril de 2019
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JULGAMENTO

‘Demorou, mas eu te peguei’, disse atirador do delegado Oscar, segundo testemunha

Um vizinho do delegado morto a tiros em 2014 presenciou o crime. Ele falou na manhã de hoje durante julgamento do caso, em Manaus


25/08/2017 às 15:48

Duas testemunhas foram ouvidas na manhã desta sexta-feira (25) no primeiro dia de julgamento do caso “Oscar Cardoso”, no Fórum Ministro Henoch Reis, em Manaus. Uma delas foi um vizinho do delegado Oscar, morto com 18 tiros no dia 9 de março de 2014 em frente à casa dele, no bairro São Francisco. Ao todo, cinco réus são acusados de participar do assassinato, incluindo o narcotraficante “João Branco”, apontado como mandante do crime.

O vizinho foi a primeira testemunha a falar. Usando uma balachava para esconder a identidade, ele disse no plenário do fórum que presenciou todo o crime. Segundo ele, o delegado Oscar estava sentado em uma cadeira na frente da casa dele, e há duas casas dali estava o vizinho. O homem narrou cada detalhe do que viu e confirmou que o delegado estava carregando o neto dele, uma criança de 1 ano e 6 meses.

Segundo o vizinho, Oscar estava no local quando, de repente, chegou um carro. O veículo fez retorno no final da rua Negreiros Ferreira, no São Francisco, e parou derrapando em frente ao delegado. Os ocupados saíram do carro e um deles falou: “Não falei que ia te pegar, demorou, mas eu te peguei”. A partir daí, conforme a testemunha, os disparos começaram.

“No meu ver, o Oscar era uma ótima pessoa. Conversava com os vizinhos. (...) No dia fiquei olhando o crime, pois queria ver o que iria acontecer com a criança. (...) Não tinha telefone para ligar para polícia”, afirmou a testemunha.

O vizinho de Oscar disse ainda que no dia do crime foi levado por investigadores da Polícia Civil para depor como testemunha no inquérito policial. O homem também comentou que conhecia Oscar Cardoso e que o via como uma pessoa boa e que sempre conversava com ele.

Todos fizeram perguntas à testemunha, menos a defesa de “Mário Tabatinga”. Um dos questionamentos feitos pelos advogados dos réus foi a distância exata do vizinho para o local do crime, cerca de dez metros. O homem relatou estar distante cerca de “duas casas” e que não lembrava a distância exata.

Os advogados de defesa perguntaram ainda se o vizinho sabia reconhecer a diferença de uma pistola para revólver e a testemunha respondeu positivamente, que sabia a diferença e que os tiros que mataram Oscar Cardoso foram de pistola

Impasse

A segunda testemunha foi William Rocha Bezerra, que não escondeu o rosto. Ele afirmou durante o julgamento que não conhecia o narcotraficante João Pinto Carioca, o “João Branco”, apontado como mandante do crime. No início do processo, o rapaz solicitou sigilo da identificação, mas depois preferiu ser ouvido sem balaclava.

Conforme o inquérito policial, a testemunha teria fornecido o carro usado no crime, um Fiat Siena, de cor branca, para Tabatinga. Durante o julgamento, o promotor Edinaldo Aquino Medeiros perguntou de William quando era a sua relação com um dos réus, “Mário Tabatinga”, mas o rapaz acrescentou que era apenas conhecido.

Esta parte do julgamento foi marcada por impasse entre o Ministério Público e a testemunha. Willian afirmou que foi coagido em todos os depoimentos que participou antes dos julgamentos.

Nestas ocasiões, segundo o Ministério Público, o rapaz teria afirmando que a loja de carros Shopping dos Carros, de propriedade de “Mário Tabatinga”, era utilizada para lavagem de dinheiro pelo narcotraficante “João Branco”. Ele negou perante o júri a veracidade das informações. “O Ministério Público me usou, me usou, e acabou de jogando fora. Não lembro desses depoimentos. Só conhecia o João Branco pela TV, por conta desse julgamento", disse a testemunha.                      

A promotoria questionou a testemunha sobre outra informação repassada por William em um dos depoimentos. O rapaz teria afirmado que um sítio pertencente a “Mário Tabatinga”, no município de Rio Preto da Eva, era utilizado por João Branco para tráfico de drogas. “Eu não lembro de ter falado isso”, disse a testemunha, que chegou a ser advertida pelo juiz Anésio Rocha Pinheiro, pois não estava sendo objetivas na resposta.

Banco de réus

Ao todo, cinco réus são julgados: o principal deles é o narcotraficante João Pinto Carioca, o “João Branco”, que está preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, e será julgado por videoconferência. Os outros réus são Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará” – que estava preso na Penitenciária Federal de Mossoró, em RN, e foi trazido a Manaus para ser julgado presencialmente – e também Messias Maia Sodré, Diego Bruno de Souza Moldes e Mário Jorge Nobre de Albuquerque, o “Mário Tabatinga”.

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