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Manaus
ABUSO SEXUAL

Denúncia é vingança da ex-mulher, diz filho do ex-juiz acusado de abuso sexual

Pai da vítima também lamentou que conversas de WhatsApp com a filha tenham vazado. O desembargador aposentado Rafael Romano foi denunciado pela ex-nora de abusar sexualmente da própria neta 24/02/2018 às 10:44
Show romano
Em troca de mensagens com a filha, pelo WhatsApp, advogado chegou a dizer que colocaria fim a sua própria vida. Foto: Divulgação
Joana Queiroz Manaus (AM)

“Vou aguardar que a justiça seja feita. Uma mentira não dura para sempre”.  Essa afirmação é do advogado Rafael Romano Júnior com relação à denúncia contra o pai dele, o desembargador aposentado Rafael Romano, que está sendo investigado pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM) por ter abusado sexualmente da neta de 15 anos. O caso foi denunciado pela ex-esposa do advogado, Luciana Pires.

Ao Portal A Crítica, Rafael Júnior disse que está bem e confirmou ter falado em pôr fim à própria vida. De acordo com ele, isso ocorreu assim que ficou sabendo da denúncia.

O pai da vítima reconhece que a situação é complicada porque envolve as pessoas que mais ama: os pais e os filhos. Ele também lamentou o fato de as conversas (que eram particulares) entre ele e a filha por meio de mensagens do Whatsapp, acabarem vindo a público.

“Eu fiquei abalado, cheguei a falar algumas coisas, mas já passou, estou bem. Voltei a trabalhar e sei que tudo vai passar”, disse ele.

Nessa sexta-feira (23), a mãe da adolescente chegou a publicar um trecho da conversa entre o ex-marido e a filha em uma rede social. Rafael Júnior disse: “Oi filha, o papai vai se matar amanhã quero dizer a vc que eu não sou culpado disso... eu não quero mais viver, assim que eu chegar em Manaus vou me suicidar”.

Luciana Pires também tornou público, por meio das redes sociais, a cópia do depoimento que prestou no Ministério Público na última quarta-feira (21), que apresenta detalhes de como a filha era abusada pelo avô. Para o pai da vítima, a denúncia foi usada como objeto de vingança da ex-esposa e pela fragilidade emocional da menina em face do processo conturbado de separação do casal.

Conforme a denúncia, a adolescente passou a ser abusada pelo avô, desembargador aposentado Rafael Romano, quando estava prestes a completar oito anos de idade. Os abusos, segundo o relato, duraram até a menina completar 14.

A vítima relatou, segundo a denúncia, que precisou passar uma temporada na casa dos avós paternos porque a mãe havia viajado para cuidar da avó materna, que estava em tratamento de saúde. O último abuso teria ocorrido quando a menina tinha 14 anos.

Segredo de justiça

Na tarde dessa sexta-feira, o promotor Leonardo Tupinambá, que vai atuar no caso, disse que a investigação vai ocorrer em segredo de justiça, conforme manda a lei, mesmo depois do caso ter se tornado público.

O procurador-geral de Justiça, Fábio Monteiro, esclareceu que a mãe da vítima usou a sua cópia do depoimento para divulgar o caso e que não houve nenhuma interferência de servidores do MP-AM na divulgação.

Luciana Pires disse que tomou a decisão de expor o caso porque quer justiça. “O homem que se acha acima da lei precisa pagar pela monstruosidade que fez com a minha filha”, afirmou a advogada.

Perfil

O desembargador aposentado Rafael Romano entrou para a Magistratura em 1977 e dedicou 30 anos da carreira ao juizado da Infância e Juventude, se destacando por uma atuação rigorosa contra crimes sexuais, até ser promovido a desembargador, em 2008, pelo critério de antiguidade.

Rafael de Araújo Romano sempre foi considerado um magistrado exemplar e não recai sobre ele nenhuma acusação anterior de crimes de qualquer natureza.

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