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Manaus
MAUS CAMINHOS

Segundo depoimentos, Mouhamad tinha intenção de obter o INC para benefícios próprios

O instituto foi usado pela organização criminosa para desviar mais de R$ 110 milhões do sistema público de saúde do Amazonas 04/05/2017 às 05:00
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Mouhamad Moustafa, que está preso desde o ano passado, prestou depoimento à Justiça Federal na semana passada. Foto: Márcio Silva
Silane Souza Manaus (AM)

O médico Mouhamad Moustafa, por meio de Paulo Roberto Bernardi Galacio, se aproximou da fundadora do Instituto Novos Caminhos (INC), Rosângela Garcia Escridelli, com a intenção de obter a instituição para benefícios próprios. Isso ficou evidente com o depoimento de Rosângela à Justiça Federal no Amazonas, de acordo com o procurador da República Alexandre Jabur.

Rosângela foi uma das sete testemunhas de acusação ouvidas, ontem, na denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM), na qual 16 pessoas são acusadas de desviar mais de R$ 110 milhões do sistema público de saúde do Estado. O esquema criminoso foi descoberto em setembro de 2016 pela operação “Maus Caminhos”.

Conforme Jabur, ficou claro que o instituto foi criado em São Paulo de forma totalmente dissociada de qualquer intenção por parte das pessoas que foram denunciadas pelo MPF/AM acusadas de integrar a organização criminosa. Só não ficou evidente até o momento se houve uma retribuição especificamente para a troca de membros societários.

Embora se tenha comprovantes de extratos de transferências bancárias em que a beneficiária seria a própria Rosângela. “Mas ficou muito claro pela forma que ela se expressou de que havia sim o interesse por parte dessas pessoas em obter o instituto para finalidades próprias tanto que ela foi escanteada (posto de lado) no momento posterior a essa aquisição”, apontou.

Rosângela disse em depoimento que tentou se desassociar quando o grupo de Mouhamad Moustafa assumiu o instituto. Mas eles queriam que ela permanecesse. O que, para Alexandre Jabur, mostra que existia uma tentativa de dá uma aparência de que o INC tinha uma origem remota, era um desempenho normal, para camuflar essa ideia de obtenção do instituto, ou seja, essa mudança de comando.

“O relato dela foi bem claro no sentido de que o grupo criminoso tinha um projeto que passar por obter uma ONG (organização não governamental) já existente. E que essa instituição, posteriormente, veio para Manaus também com certa finalidade, a qual Rosângela não tinha uma participação direta”.

 O INC é uma uma Organização Social (OS) de direito privado, sem finalidade lucrativa. As OSs são criadas criadas para prestar serviços sociais. 

O advogado Josenir Teixeira, outra testemunha de acusação ouvida ontem, disse que teve contato com Mouhamad Moustafa durante uma reunião em julho de 2014. E dois a três meses depois foi convidado para prestar assessoria na área social do INC. Mas só demandava sobre essas questões e nunca desconfiou que a instituição estivesse sendo usada para desviar recursos da saúde do Amazonas.

O controlador de frota da Salvare em São Paulo, Adilson Netto da Silva, outro ouvido pela manhã na Justiça Federal, disse que Mouhamad transferiu por um ano dinheiro para sua conta para ele pagar o advogado Josenir Teixeira, a arquiteta e comprar os móveis para a casa dele na capital paulista. Os depósitos feitos quase todos os meses giravam em torno de R$ 30 a 50 mil, mas teve um que chegou a R$ 150 mil. “Eles disseram que não tinham conta e pediram para usar minha, eu aceitei. Não estranhava porque achava que era normal. E que eles estavam ganhando bem em Manaus”, afirmou.

Outros depoimentos
Além destas três testemunhas, outras quatro foram ouvidas na tarde de ontem: Fabíola Cardoso, funcionária do INC que atuava na UPA Campos Salles; Flávia Ferreira  e Jackson Aguiar, funcionários da Salvare que atuavam no CD da empresa; e Paulo César Almeida, ex-gerente administrativo do CRDQ.

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