Segunda-feira, 28 de Setembro de 2020
Projeto

Deputado do AM quer tratamento sem eficácia comprovada contra covid-19

Álvaro Campelo, que possui formação em direito, defende mesmo método polêmico de ozônio que, em algumas regiões do Brasil, foi aplicado por meio do ânus



WhatsApp-Image-2020-03-23-at-13.38.54_7E8E1D98-FC4C-45AD-A1F9-AC515A414C59.jpeg Foto: Reprodução/Internet
24/08/2020 às 17:40

O deputado estadual Álvaro Campelo (Progressistas) quer prescrever a ozonioterapia, tratamento sem comprovação científica, contra a COVID-19, para todos os casos do novo coronavírus no Amazonas. 

Por meio do projeto de lei n° 235/2020, o deputado propõe a prescrição da ozonioterapia como tratamento médico de caráter complementar em todo o Estado do Amazonas, para os casos em que for constatado o coronavírus. 



Álvaro que não possui nenhuma especialidade em medicina (o deputado é advogado), defende que os sujeitos ao tratamento "médico de caráter complementar" terão que obedecer às seguintes condições.

“O tratamento complementar de ozonioterapia só poderá ser aplicado através de equipamento de produção de ozônio medicinal devidamente certificado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA); o médico responsável deve informar ao paciente, ou, diante da impossibilidade, aos seus familiares os riscos da utilização do tratamento ser prescrito como tratamento complementar”, salienta o projeto.

Na justificativa do projeto, Álvaro Campelo escreve que a ozonioterapia é um procedimento de medicina complementar, incluído no Sistema Único de Saúde (SUS). 

A última movimentação do projeto foi em 10 de junho. O PL foi despachado para as Comissões de Constituição e Justiça (CCJ) de Saúde e Previdência. Na CCJ, a matéria aguarda a elaboração do parecer sobre a constitucionalidade.  

Sem comprovação

A ozonioterapia como tratamento contra o novo coronavírus, ficou conhecida depois que o prefeito de Itajaí (SC), Volnei Morastoni (MDB), sugeriu a aplicação de ozônio pelo ânus, em casos que tiveram diagnóstico positivo de COVID-19. 

Não há estudos científicos que comprovem a eficácia ou segurança desse tipo de terapia contra o coronavírus nem recomendação de autoridades de saúde. Segundo resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) de 2018, a ozonioterapia não tem comprovação científica e deve ser usada só em estudos experimentais, como protocolos aprovados por Comitê de Ética em Pesquisa.

Campelo apresentou o projeto de lei ainda em maio, antes do prefeito de Santa Catarina sugerir o tratamento.

Ozonioterapia 

O ozônio é um gás formado naturalmente a partir da radiação ultravioleta na atmosfera do planeta e em processos controlados em laboratório. O gás é microbicida – isto é, elimina bactérias, fungos e vírus em superfícies e líquidos. Por isso, é usado na desinfecção de ambientes hospitalares e no tratamento da água.

Segundo uma publicação de VejaSaúde, de fato, há muitos estudos in vitro (feitos em laboratório, fora de sistemas vivos) mostrando como o ozônio pode interagir com uma célula e interferir em mecanismos protetores, mas as investigações em seres humanos deixam a desejar.

Remédio político 

Não é a primeira vez que em meio à pandemia de covid-19, que políticos têm prescritos remédios ou tratamentos milagrosos que não são efetivos no combate ao novo vírus. Ainda no início da pandemia, o vereador Chico Preto (DC), receitou em uma rede social a cloroquina, ivermectina e azitromicina. Chico Preto entrou em discussão com internautas que lhe lembrava a falta de comprovação dos medicamentos e de o vereador não ser médico, enquanto o político perguntava “você tomaria”. 

No bojo de discussão do projeto de autoria de Chico Preto, que propunha redução de 50% dos salários dos vereadores, no período da pandemia, o vereador Sassá da Construção Civil (PT) disse que Chico Preto era "um vereador cloroquina" por fazer propaganda enganosa para a população.


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