Terça-feira, 03 de Agosto de 2021
CRÍTICAS

Deputados do AM 'bombardeiam' Paulo Guedes após novo ataque à Zona Franca de Manaus

Redução dos impostos para importação de eletroeletrônicos, que afetaria de maneira brutal o Amazonas, dominou os debates na Assembleia Legislativa nesta quinta-feira



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18/03/2021 às 11:37

Após novo ataque do Ministro da Economia, Paulo Guedes, contra Zona Franca de Manaus (ZFM), deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) pediram a saída de Guedes do ministério e repudiaram nesta quinta-feira (18) a redução em  10% da alíquota de importação sobre eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos. Os deputados também propuseram um manifesto contra o ministro. 

A medida foi anunciada pela bancada parlamentar federal do Amazonas no Congresso Nacional, ontem, e surge após os parlamentares reverterem outra redução gradual de 20% a 35% da alíquota do imposto de importação de bicicleta, que também seria prejudicial à indústria amazonense. Para o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, a medida é perversa e parece ser uma provocação por parte do Governo Federal.



Para o deputado Álvaro Campelo (Progressistas), com esta atitude, o ministro da economia colabora com a geração de emprego em outros países. Álvaro reclamou que a equipe econômica tem tomado medidas de redução de tributos que prejudicam as empresas instaladas na ZFM "sem diálogo com o setor das indústrias".

“Acho que é insustentável a manutenção do ministro Paulo Guedes no comando do Ministério da Economia. Ele pode ter todos os seus predicados. Ele pode ser um mestre na economia, mas como ministro, que deve prezar pelo desenvolvimento de um modelo que já se mostrou um sucesso absoluto de sustentabilidade, geração de emprego e preservação ambiental, ele mais uma vez tentando prejudicar a nossa indústria, não podemos permitir”, criticou.

O líder do Partido Social Brasileiro (PSB), deputado Serafim Corrêa, disse que Paulo Guedes atendeu o pedido do Amazonas ao desistir da redução gradual do imposto de importação de bicicletas, no entanto, quando o “pessoal virou a costa, ele meteu o punhal naquele polo que é responsável por 40% do modelo''. 

Serafim chamou Guedes de “mal caráter” e "bricante". “Isso é mau caratismo e de pessoas ruins que não têm ideia do que é o Brasil. Eles só pensam no Brasil da Bolsa de Valores, só. Ele é operador do mercado financeiro. Isso é o que ele é”, comentou Corrêa que lembrou que o preconceito do ministro dura trinta anos.

Os deputados Dermilson Chagas e Wilker Barreto, ambos do Podemos, que concordam com algumas pautas do governo Bolsonaro, criticaram o movimento da Economia. Dermilson Chagas provocou o apoiador do presidente na Casa, deputado Delegado Péricles (PSL), afirmando que os defensores do governo federal "devem começar a refletir” sobre as atitudes do presidente que prejudicam a economia do estado.

"Tem deputados aqui no plenário que são bolsonaristas. Qual foi a política de desenvolvimento do governo federal? Combate à corrupção é dever, não favor. Fazemos isso aqui no Amazonas. É um presidente que uma hora quer ser idealista, quer ser médico, para receitar hidroxicloroquina  e ivermectina, e outra hora ele quer ser o dono do mundo”, provocou Chagas.

O deputado Delegado Péricles ainda não se manifestou sobre as declarações dos colegas, além de não ter se posicionado sobre a medida do presidente Bolsonaro. Péricles foi eleito pelo PSL, mesmo partido pelo qual Jair Bolsonaro disputou as eleições. 

Wilker Barreto propôs que a Assembleia faça campanhas de conscientização a respeito da ZFM pelos parlamentos estaduais do País e sugeriu um manifesto contra Guedes que o responsabiliza pela derrocada da Zona Franca. O deputado lembrou que o Pará acabou com 50% da sua mata nativa com um modelo econômico extrativista. 

Em apartes no discurso de Barreto, o deputado Fausto Júnior disse estar confiante que os parlamentares amazonenses vão outra vez conseguir derrubar a medida. O deputado petista Sinésio Campos declarou que as medidas forçam o Amazonas a pensar num modelo econômico com as “nossas características". 

O novo indicativo da Câmara do Comércio Exterior (Camex), órgão subordinado ao Ministério da Economia, vai ser confirmado com a publicação do ato no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira.

 


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