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Deputados estaduais engordam fortunas em até 171%

Declarações de bens de seis deputados estaduais mostram que, em um semestre, eles ampliaram seus patrimônios entre 1% e 171% 28/03/2015 às 18:37
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Assembleia Legislativa do Amazonas
Janaína Andrade Manaus (AM)

Dos 24 deputados da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM), 12 são milionários. E em um semestre, seis deles aumentaram suas fortunas em R$ 1,7 milhão. Ocupando uma cadeira no parlamento pela primeira vez, o empresário Augusto Ferraz (DEM) foi o que mais prosperou nesse período. De outubro de 2014 a março deste ano, o parlamentar aumentou em 171% o seu patrimônio.

A reportagem comparou a declaração de bens que os deputados apresentaram ao assumir o mandato, em fevereiro deste ano, com a que eles informaram  à Justiça Eleitoral.

Augusto Ferraz declarou ao Tribunal Superior Eleitoral, em outubro do ano passado, possuir R$ 30 mil em capital da firma Distribuidora Ferraz, que tem como principal atividade econômica, de acordo com a Receita Federal, o comércio atacadista de cosméticos e produtos de perfumaria; R$ 15 mil em cotas do capital social da empresa Ferraz Cred; um veículo Toyota Hilux no valor de R$ 134.390 mil; R$ 1.288.999,62  de plano VGBL, totalizando R$ 1.468.389,62 milhão. 

Seis meses depois, Ferraz informou à ALE-AM possuir um patrimônio estimado em 3.986.559 milhões. Nessa nova declaração, o político acrescentou aos seus rendimento um plano “Bradesco Vida”; dois prédios, sendo um no valor de R$ 300 mil e outro por R$ 200 mil, e ainda duas casas - uma no valor de R$ 200 mil e a outra por R$ 150 mil. O político declarou agora também R$ 964.800 mil em espécie. 

Ano passado, os 24 deputados estaduais possuiam R$ 29.588.124,14 milhões em bens segundo o que foi declarado à Justiça Eleitoral. Já à ALE-AM esse valor subiu para R$ 31.348.618,60 milhões, um acréscimo de R$ 1.760.494,46 milhão.

Além de Ferraz, engordaram suas fortunas em seis meses outros cinco parlamentares: Bi Garcia (PSDB) - cresceu 30%; Sinésio Campos (PT) - cresceu 23%; Sidney Leite (Pros) - cresceu 9%; Sabá Reis (PR) - cresceu em 6%; e Adjuto Afonso (DEM) - cresceu em 1%.

Bi Garcia declarou à Justiça Eleitoral possuir dois veículos que custaram R$ 214 mil - um avaliado em R$ 50 mil e o outro em R$ 164.400 mil. Já na declaração de bens divulgada pela ALE-AM, o valor dos automóveis salta para R$ 326 mil, uma diferença de R$ 112 mil. 

O deputado declarou ao TSE um apartamento no bairro Ponta Negra, área nobre de Manaus, no valor de R$ 31.254 mil, mas à ALE-AM informou que o imóvel vale R$ 194 mil.

O parlamentar deixou de incluir na declaração de bens repassada à ALE-AM, ainda, três contas bancárias que, somadas possuem R$ 4.165,56. 
O patrimônio de Bi Garcia declarou à Justiça, em 2014, era de R$ 890.882,95. Já à ALE-AM informou ter R$ 1.161.061, uma diferença de R$ 270.178,08 mil.

Sinésio declarou à Justiça Eleitoral possuir um patrimônio de R$ 883.320,05 em bens. Para a ALE-AM, o petista informou ser milionário – R$ 1.084.814,37. Além dos bens que informou ao TSE, o parlamentar, de acordo com a Assembleia, adquiriu um apartamento no bairro Adrianópolis no valor de R$ 119 mil e mais um terreno no valor de R$ 50 mil. O petista deixou de declarar à ALE-AM, também, R$ 97.505,68 mil de plano de previdência privado “Bradesco Vida e Previdência”.

O ex-líder do governo na ALE-AM, deputado licenciado Sidney Leite, declarou à Justiça Eleitoral possuir um patrimônio de R$ 1.493.774,79. Para a ALE-AM, o político, que agora é secretário de Estado de Produção Rural, disse possuir R$ 1.626.774,79. O aumento de sua fortuna em R$ 133 mil é referente a uma conta bancária na Caixa Econômica, que não constou na declaração feita ao TSE.

O deputado Sabá Reis, que volta ao parlamento para cumprir o segundo mandato de deputado, declarou à Justiça Eleitoral possuir R$ 1.415.000 em bens, e a ALE-AM informou ter R$ 1.495.000 em bens. Um imóvel no valor de R$ 80 mil não constava na declaração feita em outubro.

No quarto mandato como deputado estadual, Adjuto Afonso declarou à Justiça Eleitoral possuir R$ 1.542.607,62 em bens, já à ALE-AM disse possuir R$ 1.561.703,22. A diferença de R$ 19.095,60 é referente a um apartamento localizado no bairro da Raiz, que não foi declarado em outubro.

Deputados se explicam

À reportagem, o deputado Bi Garcia (PSDB) declarou que o automóvel declarado à Justiça Eleitoral no valor de R$ 50 mil foi vendido, e que o veículo que aparece na declaração de bens da Assembleia Legislativa, no valor de R$ 146 mil, é referente a uma caminhonete da marca Toyota, que adquiriu após a eleição.

Em relação à diferença do valor do segundo automóvel declarado, onde na Justiça Eleitoral aparece no valor de R$ 164,4 mil, e na ALE-AM salta para R$ 180 mil, o deputado admitiu o erro. “Não sei porque aparece essa diferença, realmente foi um erro, pois as duas declarações são baseadas no meu imposto de renda”, disse Bi Garcia.

Sobre a declaração de bens apresentadas à ALE-AM, onde quatro contas bancárias no valor de R$ 4.165,56, que foram informadas à Justiça Eleitoral deixaram de ser informadas à Casa Legislativa, o deputado disse que não há mais dinheiro nas contas. “Por isso não informei, as contas estão zeradas, então não vi motivo para declarar à ALE-AM”, justificou o deputado.

O ex-líder do governo na ALE-AM e agora secretário de Estado de Produção Rural (Sepror), Sidney Leite, classificou a diferença de R$ 133 mil na declaração de bens da ALE-AM,  quando comparada à apresentada à Justiça Eleitoral como “um detalhe burocrático”. 

O valor é referente a uma conta bancária na Caixa Econômica. “O valor dessa conta bancária deve ser referente a um imóvel que vendi, mas não tenho certeza. Mas as duas declarações foram embasadas no meu imposto de renda”, disse Sidney.

O deputado Adjuto Afonso (PP) justificou o aumento de R$ 19.095,60 na lista de bens referente à aquisição de um apartamento no bairro da Raiz, dizendo que “foi adquirido após a eleição”. “Por isso a diferença. Mas na minha próxima declaração de imposto de renda, já será informado”, falou Adjuto.

Em nota, a assessoria de comunicação do deputado Sabá Reis (PR) informou que o parlamentar viajou para o município de Autazes, e só retornará a Manaus na segunda-feira, 30, e poderá conceder entrevista para esclarecer o aumento na lista de bens declarados à ALE-AM. Procurado pela reportagem, o deputado Sinésio Campos (PT) não atendeu as ligações no número 999xxxx91.

Sem 'vagabundagem'

O deputado de primeiro mandato, Augusto Ferraz (DEM), que de outubro de 2014 a março deste ano aumentou em 171% seu patrimônio, não soube explicar a diferença nas suas declarações de bens. Ele orientou a reportagem a falar com seu contador.

 “Isso (diferença entre a declaração de bens feita à Justiça e a informação à ALE-AM) quem tem que explicar é o contador, pois é ele quem tem que lhe explicar porque houve esse aumento. Esses bens são relacionados a minha empresa, que carrega o meu nome”, respondeu Ferraz, que é empresário do ramo de papelaria e material escolar.

O deputado, em outubro de 2014, declarou possuir R$ 1.468.389,62 e à ALE-AM, em março, disse ter uma fortuna de R$ 3.986.559. Irritado, o político disse que fortuna é fruto de trabalho. “Ninguém precisa ficar com leseira, com babaquice. O certo é que esses bens foram adquiridos trabalhando, não foi com vagabundagem, não”, respondeu.

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