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Desafio de ‘evocar’ espírito que virou piada na Internet assusta pais e alunos em escolas

Suposto ritual de invocação que “bombou” nas redes foi feito em duas escolas de Manaus. Charlie teria “entrado” no corpo de alunos e conseguiu até adiar as aulas 29/05/2015 às 10:15
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Reprodução do desafio do “Charlie”
VINICIUS LEAL Manaus

CONFIRA O VÍDEO

“Charlie, Charlie, você está aí”? Essas são as palavras de um suposto ritual de invocação de espírito que virou piada na Internet e que foi motivo de confusão nesta quarta-feira (27) em duas escolas de Manaus. Nos dois casos, meninos e meninas de 12 a 14 anos seguiram as regras de uma brincadeira, foram “possuídos” por um suposto demônio e passaram mal.

O primeiro caso ocorreu por volta das 9h na Escola Estadual Sebastião Norões, na rua G do conj. Ribeiro Júnior, Cidade Nova I, Zona Norte. Sete alunos do 6º ano 4 fizeram o ritual na hora do intervalo e os próprios participantes do jogo passaram mal, e também estudantes que estavam em outras salas. Segundo pais, houve confusão e correria geral.

O outro desafio foi feito por volta de 11h por alunos da Escola Estadual José Carlos Mestrinho, na rua Adelino Paes, Crespo, onde vários alunos passaram mal. Nas regras, se escreve em um papel as palavras, “Yes”, sim, e “No”, não, e em cima do papel se coloca duas canetas, ou lápis, em forma de cruz. Depois se pergunta “Charlie, você está aí?”. Se o lápis se mover para a palavra “sim”, o espírito está presente.

O aluno R.C., de 14 anos, foi um dos que brincaram com “Charlie”, ficou “possuído” e passou mal. “Já aconteceu isso comigo antes. Não posso brincar disso que sempre fico assim. Eu começo ficar tremendo”, disse. Segundo ele, vários alunos do 5º, 6º e 7º ano incorporaram o suposto demônio, mesmo sem nem estarem na mesma sala e participando do ato.

Pais e alunos assustados na Escola José Carlos Mestrinho (Foto: Antônio Lima)

“Eles pegaram um lápis e fizeram o mesmo formato que viram na internet. O lápis flutuou, entrou na mão dele e se formou uma cruz na frente dele, mas não sangrou”, disse, Darlene dos Santos Soares, 37, mãe de um aluno, que foi à escola tentar também exorcizar os supostos demônios com um óleo. “Vim para cá ajudar em oração”.

Vários pais foram à escola e alguns chamaram pastores evangélicos para exorcizar os supostos espíritos. Os religiosos teriam entrado no local com a permissão da diretora. As possessões duraram cerca de meia hora, mas aí uma confusão já estava formada e as aulas foram suspensas. “A força do mal está aqui dentro, estou sentindo”, disse uma moradora apontando para a escola.

“Minha filha passou mal, mas porque ela ficou assustada. Ela não ficou possuída”, disse o pai de uma aluna, João Soares da Silva, 37. Na escola Sebastião Norões, nenhum funcionário quis comentar o caso e nem confirmou a presença dos pastores. “Quando (o demônio) saía de um, entrava em outro. Foram várias pessoas”, disse G.S.S., de 14 anos.

Outra escola

Na Escola Estadual José Carlos Mestrinho, no Crespo, a equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência foi acionada e atendeu os alunos que passaram mal. Os pais ficaram revoltados porque a diretora não liberou nenhum aluno, e a Polícia Militar foi chamada. A diretora não acreditou na história e disse que os alunos passaram mal devido ao susto.

Brincadeira

No momento em que a reportagem esteve nas duas escolas, ninguém conseguiu comprovar que as crianças foram incorporadas por espíritos e nem qual a causa do mal estar geral. A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Educação (Seduc) confirmou, por meio de nota, que houve o tumulto, mas não entrou em detalhes.

Piada

O suposto ritual do “Charlie”, chamado de “Desafio Charlie Charlie”, virou piada nas redes sociais Twitter, Instagram e Vine nos últimos dois dias. Diversos internautas fizeram vídeos cômicos sobre a tal brincadeira, nenhum mostrando a possessão de algum espírito.

Explicação

A reportagem foi atrás de especialistas em Psicologia e Psiquiatria que pudessem explicar por que os adolescentes passaram mal, todos ao mesmo tempo, após brincarem do “Desafio do Charlie”. Segundo a psicóloga Amanda Dantas dos Santos, o que aconteceu com os alunos foi o fenômeno de “histeria coletiva”. Saiba mais sobre o assunto aqui.

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