Quinta-feira, 23 de Maio de 2019
SEM SOLUÇÃO

Desaparecimento de jovens no bairro Grande Vitória completa três meses sem solução

Inquérito foi para a Justiça e sete PMs estão presos, porém até hoje os corpos não foram encontrados e familiares relatam ameaças



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(Foto: A Crítica)
27/01/2017 às 15:39

O sumiço de três jovens no bairro Grande Vitória, em Manaus, completa três meses no domingo (29). Alex Julio Roque de Melo, 25, Rita de Cássia Castro da Silva, 19, e Ewerton Marinho, 20, desapareceram no dia 29 de outubro do ano passado após entrarem em uma viatura da Polícia Militar no bairro Zumbi, Zona Leste. Desde lá, a polícia encaminhou o inquérito à Justiça, porém até hoje os corpos não foram achados. Familiares das vítimas cobram o direito de enterrar seus filhos.

Conforme as investigações, os jovens estavam juntos na noite daquela sexta-feira, 29 de outubro, no conjunto Castanheiras, bairro Zumbi, quando uma viatura da 4ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) da Polícia Militar teria parado e colocado todos dentro do carro. Desde então, eles não foram mais vistos. As buscas se estenderam por vários dias, resultaram em protestos e no encontro das sandálias de Alex, achadas sujas de sangue próximo a um campo no ramal do Quixito, no Puraquequara.


Desaparecimento gerou protestos no bairro (Foto: Jander Robson)

A mãe de Alex Roque, Arlene Roque, disse que a situação piorou após três meses de desaparecimento. Demitida do emprego, ela conta que as famílias não têm condições de pagar um advogado particular. Ela afirma ainda ter sofrido ameaças de policiais e relatou que o caso está “parado”. “O certo da família é prender, não matar. Quero justiça, que eles continuem presos. E que eles venham pagar indenização para o meu neto”.

Arlene disse ainda se sentir ameaçada pela polícia. “Eu tive que sair da minha casa, porque estava sofrendo ameaças. Um policial parou e perguntou se o outro queria ir para onde o irmão estava. Não foi provado nada que eles eram de traficantes. Ando na rua correndo atrás de recursos humanos, porque não quero nada, só achar o meu filho”, disse ela.

À TV A Crítica, a mãe de Rita, Lindalva Castro, disse que saiu de casa por medo de represálias por parte dos policiais. Ela afirmou que a filha não tinha envolvimento com o crime. “Minha filha não tinha envolvimento nenhum com o tráfico de drogas. Ela trabalhava na avenida Grande Circular, nas horas vagas fazia manicure e estudava. Ela apenas pegou uma carona. Eles (policiais) não tinham o direito de fazer isso. Tem que entregar o corpo dos três porque os três eram seres humanos, não cachorros pra serem jogados por aí”, disse Lindalva.


Familiares acusam PMs de assassinos (Foto: Jander Robson)

“É o direito de uma mãe. Natal pra mim não prestou, Ano Novo foi pior. Foi o aniversário do meu caçula e ele disse: ‘Mãe, como queria ter o abraço do mano’”, disse a mãe de Ewerton, Iraci Batista.

Trio está morto, diz polícia

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) encerrou as buscas no final do ano passado e deu o trio como morto. O inquérito foi encerrado e o caso foi encaminhado à Justiça. Oito PMs foram indiciados pelo envolvimento no sumiço dos jovens e atualmente sete estão presos em unidades policiais.

De acordo com a Polícia Civil, o desaparecido Alex tinha planos de executar três PMs da 4ª (Cicom), entre eles o aspirante Luiz Ramos, que está preso. Na ocasião, o delegado Ivo Martins informou que foram interceptadas três ligações telefônicas de Alex feitas ao traficante Ronaldo Maricaua Flores, o “MK”, 33, apontado como chefe do tráfico de drogas do Grande Vitória. Nas ligações, Alex pedia autorização para matar os PMs. A família negou a versão da polícia.


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