Terça-feira, 21 de Maio de 2019
COLAPSO

Desativação de usinas termelétricas traz risco de apagão em Manaus

Desligamento de duas UTEs em Manaus e em Iranduba devido ao fim de contratos pode afetar abastecimento na capital



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Fornecimento de energia em Manaus é feito pela Eletrobras Amazonas Geração e Transmissão (Foto: Junio Matos)
26/03/2019 às 12:46

A desativação das Usinas Termelétricas (UTE) de Flores e de Iranduba, localizada na região metropolitana de Manaus, programada para o dia 31 de março, pode ocasionar o risco de apagão em bairros e avenidas das zonas centro-oeste e centro-sul de Manaus, área em que vivem mais de  106 mil pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A reportagem de A CRÍTICA teve acesso a documentos, entre eles, o termo de encerramento do prazo de execução do contrato da Aggreko Energia Locação de Geradores Ltda com a Eletrobras Amazonas Geração e Transmissão (GT), celebrado em 2016 e prorrogado por duas vezes.

Em 19 de dezembro de 2017, o Ministério de Minas e Energia (MME) reconheceu, através da portaria de nº 492, a necessidade de contratação de geração termelétrica no montante de 105 MW com as usinas de Flores, 80 MW, e de Iranduba, 25 MW, até a conclusão da obra e entrada em operação do 4º transformador 230/69kV -150 MVA da subestação Manaus. No documento, a Eletrobras Amazonas G&T estipula o prazo de até 90 dias para desmobilização física da usina.

Descompasso

Carta do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou à Eletrobras Amazonas G&T a necessidade de geração termelétrica no subsistema Manaus de 142 megawatts (MW) até 2023.  “Será necessária a implementação de obras de expansão de geração de energia (instalação de geradores termoelétricos e transformadores elevadores) na cidade de Manaus. Caso contrário, há o risco iminente de comprometimento do fornecimento de energia, ou seja, apagão”, avalia o engenheiro eletricista Emerson Diniz.

O documento ainda revela que a partir de 2022, considerando a plena geração do subsistema Manaus, de 277 MW, e ainda a geração das UTE Flores (80 MW) e Iranduba (25 MW), “não será possível atender ao critério de contingência simples para a transformação da SE Manaus, o que torna imprescindível a implementação de obras no sistema de distribuição que permitam a transferência de cargas do subsistema Manaus para o Subsistema Jorge Teixeira”.

“Com a desativação dessas usinas, a partir do dia 1º além de colocar em risco o atendimento, sobretudo, em hospitais, pode ocorrer o risco iminente de racionamento de energia elétrica e o desabastecimento generalizado nessas áreas. Tudo isso fica ameaçado”, afirmou um empresário do setor elétrico que prefere não ser identificado por medo de represálias.

Segundo o empresário, a capital apresenta crescimento de carga elétrica muito grande e por conta disso estudos tornam-se com facilidade defasados. “Hoje é pior do que está descrito no documento porque além de ter um crescimento constante da carga, tem algumas obras que a distribuição de Manaus tem que fazer que não atende ao cronograma previsto”, disse.

Localidades

De acordo com o empresário, Manaus tem três subsistemas que garantem o fornecimento de energia: Manaus, Mauá e o Jorge Teixeira.

As UTE Flores e Iranduba integram o subsistema Manaus, responsável pelo abastecimento das seguintes áreas ou avenidas: Djalma Batista, Parque 10, Dom Pedro, Parque das Laranjeiras, Flores, Aeroclube de Manaus e arredores do Aeroporto Internacional de Manaus.

“Todos os moradores dessas localidades, comerciantes e hospitais podem ser submetidos ao risco de ficar sem energia. “Sem as termelétricas o sistema corre o risco de colapso”, avalia.

Soluções

Doutor em engenharia elétrica, Claúdio Gonçalves, sugere que a Eletrobras Amazonas GT realize o aditivo para colocar em operação o total de 105 MW de termelétricas até a entrada em operação do 4º transformador. O equipamento já está em Manaus e visa melhorar as condições operacionais do sistema elétrico, mas não impede que desligamentos em transformadores de outras áreas afetem  essas localidades.

Atividades são desmembradas

Com a integração do Sistema Manaus ao Sistema Interligado Nacional (SIN), a Eletrobras segregou as atividades de geração e transmissão das de distribuição no Estado do Amazonas. A divisão cumpre a  Lei nº 9.074/1995, alterada pela Lei nº 10.848/2004, que não permite que uma única empresa seja responsável por todas as atividades no sistema elétrico, quando integradas ao SIN.

Com o processo de desverticalização, a Eletrobras Amazonas é responsável pela distribuição de energia elétrica do Amazonas e de geração nos sistemas isolados no interior do estado e a Eletrobras Amazonas Geração e Transmissão de Energia (GT) é encarregada pela geração e transmissão da capital e demais municípios interligados.

A Eletrobras Amazonas GT iniciou as operações no dia 1° de julho de 2015. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da empresa, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.

A assessoria da Eletrobras Distribuição esclareceu que a empresa está em processo de transição de direção após a desestatização da distribuidora, decorrente do leilão realizado em dezembro de 2018.

Na última quarta-feira (20), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, por unanimidade, a aquisição da Amazonas Distribuidora de Energia pelo Consórcio Oliveira Energia Atem. Após sucessivos adiamentos, o leilão ocorreu em dezembro de 2018. A empresa Gopower & Air questionou a venda.

Eletrobras

Por meio de nota, a Eletrobras Amazonas Energia informou que o abastecimento dessas áreas não fica comprometido, pois conforme a Portaria MME nº 492/2018, essas usinas térmicas somente serão desativadas após a conclusão e entrada em operação do 4º transformador 230/69kV da SE Manaus, cuja potência é de 150MVA.

 A Eletrobras destacou que compete ao próprio órgão a instalação de equipamentos para a distribuição de energia no perímetro urbano da cidade. Além disso, a concessionária esclareceu que a rede elétrica é flexível e permite o remanejamento de carga e energia de um ponto a outro.

Ainda a Eletrobras afirmou que a conclusão da obra e entrada em operação do transformador da SE Manaus está prevista para o final do mês de abril/2019. O órgão completou que está instalando mais dois transformadores na subestação Jorge Teixeira, totalizando mais 600MVA de energia elétrica ao sistema Manaus, energia essa proveniente do Linhão de Tucuruí para atendimento da cidade de Manaus.


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